



















 Desejos de princesa
  His Royal Love Child
  Lucy Monroe
  Noivas Reais 2


   - Acha que sa com Ramon para lhe dar uma lio?
   - Sim. Por que mais poderia sair com ele?
   - Talvez eu quisesse sair com um homem que no tivesse vergonha da minha companhia. Talvez tenha sido simples assim.
   - Nunca foi vergonha! - ele praticamente gritou, eliminando a falsa fachada de calma.
   - Ento, por que voc no me apresentou  sua famlia? Eles no so a imprensa e no iam deixar a histria vazar. Est pronto para tornar nossa relao pblica?
   - No, eu falei a voc...
   - No me importo com o que falou. No agento mais isso, Marcello. Preciso que nossa relao seja aberta e honesta. Chega de se esconder.
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
    CAPITULO UM
   
   Danette Michaels fechou a revista e colocou-a sobre a mesa.
   Suas mos mostravam-se firmes. Estava impressionada. Um furaco de dor a sacudia por dentro. No emitiu nenhum som, embora quisesse gritar. Queria rasgar a publicao 
ofensiva. Mas no podia... Se desse vazo a uma nfima parte do que corroa sua alma, ela a perderia totalmente.
   Recusava-se a fazer isso. Passou anos reprimindo as emoes, escondendo as lgrimas que revelariam a dor fsica e a mental. A traio de Ray fez com que chorasse 
e jurou que no permitiria que outro homem causasse isso novamente. Nem mesmo o prncipe Marcello Scorsolini.
   - Ele  uma delcia, no ? - suspirou Lizzy, sem perceber o quanto sua visita arrasara Danette. Ela se inclinou para a frente e abriu novamente a revista, apontando 
para a figura que era a fonte da agonia de Danette. - Imagina se fosse essa mulher?
   Danette olhou para a foto. No queria. Doa, mas no conseguia evitar. Seus olhos estavam tomados por uma emoo to forte quanto a que florescia em seu corao: 
a necessidade de saber e uma esperana desesperada de que aquela viso a tivesse enganado na primeira vez.
   No enganou.
   A foto era exatamente o que pensou que fosse. Mostrava o maravilhoso presidente da filial italiana da empresa Scorsolini Shipping danando com uma igualmente 
atraente mulher na festa de aniversrio do pai dele, na ilha Scorsolini. O prncipe Marcello sorria e a mulher parecia uma pantera linda que acabara de atacar sua 
presa.
   Como Danette pde ter sido to estpida ao permitir-se um envolvimento com aquele homem... e realmente ter acreditado que eles tinham muita coisa em comum?
   Ela caiu nos braos dele com tanto cuidado quanto se tivesse se jogado de um penhasco. Entregou a ele sua virgindade e no pediu nada em troca alm de sua surpreendente 
paixo. Ele ofereceu sua fidelidade, mas aquela foto despertava dvidas acerca da sinceridade da oferta.
   Ao contrrio do que contou a ela, seu prncipe era o rei dos playboys. Ser que era uma imbecil, quando o assunto era homem, ou simplesmente no tinha sorte?
   - Al, tem algum a? - A voz de Lizzy invadiu os pensamentos de Danette.
   - O qu?
   - Onde estava, chica? No me diga que estava pensando em trabalho?
   - Algo assim - respondeu Danette com a voz trmula. Na sua cabea, seu trabalho e seu amante estavam intimamente ligados.
   - Perguntei se voc consegue se imaginar no lugar dela.
   S s fosse para dizer que, quando Marcello abraava Danette assim, ela nunca estava com um vestido de alta-costura. Na realidade, na maioria das vezes no estava 
vestindo nada.
   - Sim. Lizzy riu.
   - Sua imaginao  melhor que a minha.
   - No muito.
   - Voc est bem? - perguntou Lizzy, demonstrando preocupao. - Parece meio desligada, e parece algo maior que sua constante preocupao com o trabalho.
   Danette se forou a desviar o olhar da foto e da amiga loura. As duas eram americanas, mas as similaridades terminavam a. Lizzy tinha um l,50m e o corpo de 
uma Vnus de bolso.
   Danette, por sua vez, tinha o corpo bem curvilneo, um pescoo que Marcello dizia parecer o de um cisne, mas que ela achava longo demais, uma aparncia normal 
que ele dizia ser natural e altura mediana que parecia muito pouca diante do 1,80m dele. Seus cabelos castanhos na altura do queixo eram lisos at mesmo quando 
tentava enrol-los.
   Marcello dizia que sua pele era como seda e ele adorava o fato de ela no usar quilos de produtos, mas a loura que estava bem perto dele na foto certamente estava 
bastante maquiada. At demais, para a preferncia de Marcello.
   Aquela foto fazia com que pensasse que talvez tivesse sido to tola com Marcello quanto com Ray.
   Ela tentou sorrir, sem sucesso. Conseguiu suspirar.
   - Estou bem. Apenas cansada. Tenho trabalhado muito no projeto de Crdoba.
   - Do jeito que se dedica, no   toa que no tem vida social.
   Mas Danette tinha vida social... uma vida secreta que lhe proporcionava mais prazer do que jamais pensara ser possvel. Pelo menos at aquele momento.
   Dessa vez, ela conseguiu esboar um sorriso, embora no muito convincente.
   - Voc sabe como .
   - O que sei  que trabalha muito.
   - Nem tanto. Amo meu trabalho.
   - Tambm amo o meu, mas no dedico a ele todos os minutos da minha vida. Por falar nisso, tenho que ir... no quer mesmo vir?
   Danette balanou a cabea negativamente.
   - Desculpe, mas acho que vou dormir cedo. Lizzy suspirou e tambm sacudiu a cabea.
   - Precisa sair mais.
   - Eu saio. - Com Marcello, e em momento algum gostaria de encontrar algum da Scorsolini Shipping.
   Lizzy resmungou e de repente sua expresso ficou fria.
   - Se voc no for, o Ramon vai ficar desapontado.
   - Duvido.
   - O cara  louco por voc,  bonito, tem um timo, emprego e  solteiro. Por que no sair e passar algum tempo com ele?
   - Hoje no.
   - Certo - Lizzy sorriu novamente e a abraou. - Durma um pouco.
   Danette retribuiu o abrao.
   - Divirta-se.
   - Vamos nos divertir - Lizzy virou-se em direo  sada.
   - Esqueceu a revista.
   - Pode ficar. Pelo menos vai ter algo para ler  noite.
   Lizzy saiu antes de Danette responder.
   No queria ler aquele tablide. No queria ver. No queria aquela revista no seu apartamento, mas, quando ia jog-la no lixo, acabou lendo as reportagens sobre 
o aniversrio do rei Vicente.
   Ela olhava para a foto de Marcello danando com uma mulher, quando bateram  porta.
   Ela morava no que um dia fora o apartamento do caseiro de uma residncia nos arredores de Palermo. A famlia ainda ocupava a casa principal e o sistema de segurana 
era confivel.
   Como a casa dela ficava longe da entrada principal e a segurana era to boa, no se preocupava com hspedes indesejveis. No entanto, Marcello j tinha aconselhado 
vrias vezes que no abrisse a porta sem antes se assegurar de quem era, o que fazia automaticamente agora.
   Era ele.
   No sabia por que isso a afetava, mas afetou. Depois de ler aquela reportagem, sua mente dizia que no pertencia mais a ele... se  que um dia havia pertencido. 
Portanto, por que ele se incomodava em aparecer?
   Mas ali estava ele, a verdadeira traduo da beleza siciliana. Dos cabelos castanho-claros cortados casualmente para realar seu rosto s pontas dos sapatos de 
couro Gucci, ele exalava pura sensualidade masculina. Tambm parecia cansado, com a pele ao redor dos olhos azuis denunciando sua fadiga.
   Talvez porque estivesse se divertindo demais em festas para descansar. Mesmo pensando isso, ela no deixou transparecer.
   Ele havia partido para uma viagem de negcios uma semana antes do aniversrio do pai. Eles se falaram por telefone todas as noites e ele deixou claro que estava 
fazendo o possvel para apressar tudo.
   S que depois de ver aquela foto, ela no conseguia deixar de pensar que ele no fora encontr-la diretamente do aeroporto. Por que o faria, se tinha aquela mulher 
linda e sofisticada para se divertir?
   Talvez fosse uma linha irracional de pensamento, mas naquele momento ela no dispunha de outra mais lgica. Ele bateu novamente, demonstrando sua impacincia 
por ficar esperando  porta.
   Ela abriu a porta e ficou olhando imvel para a sua imponente figura.
   Os lbios sensuais de Marcello se abriram em um sedutor sorriso.
   - Boa-noite, tesoro mio. Vai me deixar entrar?
   - O que est fazendo aqui?
   Ele apertou os olhos e seu sorriso rapidamente desapareceu.
   - Que pergunta  essa? No a vejo h mais de uma semana. Meu avio pousou h menos de uma hora... para onde mais iria?
   Seis meses antes, quando eles comearam a sair, a pergunta teria sido ridcula. Ele deixou claro que a veria apenas duas noites por semana, mas,  medida que 
o relacionamento prosseguia, o nmero de noites aumentava at que praticamente estavam morando juntos... embora em segredo.
   - Talvez ficar com sua nova namorada?
   Ele entrou na pequena casa, forando-a a sair da frente, caso no quisesse que a tocasse. E no queria. No agora. Talvez nunca mais.
   Ela se afastou rapidamente, at chegar a uma distncia segura.
   - Que outra namorada? - ele perguntou, falando cada palavra com preciso, enquanto ela fechava a porta.
   Ela entregou a revista a ele.
   - Esta.
   Ele olhou para a revista e a pegou para olhar mais de perto. Ele percorreu as pginas com desdm, antes de jogar a revista sobre a mesa.
   - Isso no  nada mais que um tablide sensacionalista. Por que o estava lendo?
   - Lizzy trouxe. Ela pensou que seria interessante ler uma reportagem sobre o chefo. E que diferena faz o modo como a revista veio parar aqui? O fato de ser 
uma forma barata de jornalismo no apaga as fotos nem o comportamento captado pelas lentes das cmeras.
   - Essa foto no mostra nada de comprometedor.
   - No est falando srio.
   - Dancei com algumas mulheres na festa do meu pai, sorri para algumas, conversei. No h nenhum crime nisso.
   - No se voc no fosse comprometido.
   Ele franziu o cenho, e os olhos que, em geral, olhavam para ela com afeio estavam gelados.
   - Sabe que no vou tolerar uma cena de cimes, Danette.
   Ela quase riu. Ele parecia to arrogante que quase dava para ver que era um prncipe, s que era o filho mais novo. Esse tipo de egocentrismo devia ser deixado 
ao herdeiro do trono.
   - Tudo bem. V embora que no haver cena. Ele estremeceu, como se ela tivesse batido nele.
   - Quer que eu saia? Acabei de chegar!
   - Bem, como aparentemente a nica coisa que quer de mim  sexo e eu definitivamente no estou com vontade depois de ver essas fotos, pode ir.
   - Eu no disse isso. - Ele resmungou em italiano. - De onde voc tirou essa idia? Por que falou uma coisa assim? No vejo voc como um corpo sem crebro.
   - timo, porque tenho um, e ele est me dizendo que, se sou mais que um corpo na sua cama, deveria ter ido  festa do seu pai, e no estar lendo sobre ela numa 
revista de fofocas para ver voc flertando com outras mulheres.
   - Voc sabe por que no estava ao meu lado.
   - Porque no quer que ningum saiba sobre mim! Tem vergonha de mim, no tem? - ela perguntou, tocando novamente na ferida, sem conseguir evitar. Sempre fora capaz 
de controlar as emoes, independentemente do quanto fossem devastadoras, mas o que sentia por ele era forte demais.
   Aparentemente, ele pensou que ela havia passado dos limites tambm, porque a fitou como se ela tivesse perdido a cabea.
   - Est louca hoje  noite. Primeiro me acusa de ter outra mulher, depois diz que a considero um brinquedo sexual... ou algo do gnero. - Ele sacudiu a cabea. 
- Isso  uma loucura. No tenho vergonha de voc.
   - Mas no quer que ningum saiba sobre mim.
   - Para o seu prprio bem. - Ele resmungou novamente e passou a mo pelos cabelos. - Voc sabe como os paparazzi podem ser invasivos. Quando souberem do nosso 
relacionamento, voc ser observada a todo instante. No conseguir ir a um banheiro pblico sem que um reprter faa perguntas ou tire uma foto.
   - No seria to ruim assim. No sou grande notcia.
   - Mas eu sou. Durante toda a minha vida fui o filho de um dos poucos casais reais que enfrentaram divrcio. No tive privacidade no meu casamento. Eu lhe contei 
isso.
   Danette no falou nada. A parte lgica do seu crebro sabia que ele falava a verdade, mas no conseguia admitir. Mesmo que sua mente dissesse que ele estava 
determinado a manter a relao em segredo porque a valorizava muito, seu corao dizia que uma relao escondida no valia nada.
   A forma como ele havia danado com a loura certamente demonstrava o quanto ele a valorizava.
   Ele suspirou.
   - Criei uma fachada de playboy desde que Bianca morreu para me proteger e  mulher com quem eu realmente quisesse ficar. Voc sabe disso.
   Ela sabia. At havia considerado esse um ponto comum forte entre ambos. Afinal, ela tambm no havia desenvolvido uma imagem irreverente e namoradora para ocultar 
quem realmente era? Ela havia considerado a reputao de playboy dele da mesma forma. S que aquela foto demonstrava a pessoa que ele era.
   A foto debochou do amor que ela descobriu sentir por ele. O amor no deveria ser algo assim. No deveria doer tanto. Era para fazer a vida linda, para engrandecer 
o amante... mas tudo o que conseguia do amor era dor e uma horrvel sensao de insegurana.
   - Com quantas mulheres voc realmente quis ficar, desde Bianca? - ela perguntou, sentindo-se intrometida, magoada e incapaz de conter a pergunta.
   - Isso no  da sua conta.
   - Aparentemente, a maior parte da sua vida no  da minha conta.
   - Isso no  verdade.
   - Voc no divide sua vida comigo.
   - Isso  mentira. - Ele parecia querer sacudi-la. - Voc tem mais de meu tempo do que qualquer outra pessoa. No trabalhei dobrado enquanto estava viajando para 
poder voltar para voc depois da festa do meu pai, em vez de ir para o escritrio de Hong Kong?
   Ele esfregou os olhos, demonstrando cansao e frustrao.
   - Passamos praticamente todas as noites juntos fazendo mais do que dividir nossos corpos e voc sabe bem disso, tesoro mio. Fomos ao cinema, samos para jantar 
vrias vezes... montamos quebra-cabeas juntos, pois  algo de que gosta de fazer, e voc me ensinou os jogos de cartas americanos. A nica parte que no compartilho 
com voc  minha vida pblica. Pensei que fosse algo que voc no quisesse. Estava errado? Quer ser conhecida como a ltima amante do prncipe Scorsolini?
   O sarcasmo dele no a afetou.
   - Se isso significa que no vou mais ver fotos suas colado em outras mulheres, sim.
   Ele sacudiu a cabea.
   - Estvamos danando. Foi isso. No quer dizer nada. Voc precisa acreditar nisso.
   - Tudo o que sei  que vocs pareciam prontos para dar uma sada apressada da festa e encontrar outro lugar para danar.
   - Est com cimes. No precisa.
   - Estou magoada!
   - S porque no acredita em mim.
   - Como posso?
   - Falei para voc que, enquanto estivermos juntos, nossa relao ser exclusiva. Dei minha palavra. Voc me conhece h um ano, intimamente h cerca de seis meses. 
Quando me viu descumprir minha palavra?
   - No gosto de ser seu segredinho sujo.
   - O que temos no  sujo, e voc  um segredo porque nossa relao  to especial para mim que no quero perd-la - ele falou baixinho.
   Ela virou o rosto, recusando-se a responder, e o silncio entre ambos era quase palpvel. Ela percebeu o movimento dele, mas ficou parada quando uma de suas 
mos acariciou-lhe os cabelos e foi parar em seu queixo. Ele virou o rosto dela gentilmente at seus olhares se cruzarem.
   - Sinto muitssimo pelo fato de as fotos terem magoado voc.
   Ela sabia que ele considerava aquilo uma grande montanha-russa, e para dar algum crdito a ele, realmente era. Ele comeou a conversa dizendo que no faria uma 
cena e agora pedia desculpas. Era perfeito demais para ter de pedir tantas desculpas e poderoso demais para ser forado a faz-lo mesmo quando estivesse errado, 
mas isso no fazia com que ela se sentisse melhor.
   Que diferena faria um pedido de desculpa se no se fizesse acompanhar da certeza de que a ofensa no se repetiria?
   Ver aquela foto foi doloroso. Demais. Ela sentiu o corao sendo estilhaado.
   - S me diga uma coisa - ela falou. - Como se sentiria se nossas posies fossem inversas? E se voc me visse flertando com outro homem?
   Ele apertou os dentes como se imaginasse a cena, mas depois visivelmente relaxou os msculos do rosto.
   - Para manter nossa relao em segredo, preciso agir naturalmente em eventos sociais. Seria totalmente forado se eu ignorasse um salo cheio de mulheres. Haveria 
muita especulao nesse caso, e logo os paparazzi viriam atrs de mim para descobrir minha ligao secreta ou fariam suposies sobre minhas necessidades masculinas.
   - Isso no responde  minha pergunta.
   Ele era um mestre em fugir do assunto, o que fazia dele um expoente nos negcios mas no ajudava nas relaes. No entanto, ela estava com ele h seis meses. Conhecia 
a maioria de suas tcnicas e no seria enganada por elas.
   - Essa  a resposta de que voc precisa. No  o dito pelo no-dito. Meu comportamento foi necessrio.
   - E se eu me comportasse da mesma forma sem necessidade voc no ficaria incomodado?
   - No  esse o caso.
   - Tem certeza? - Ela fez uma pausa, dando um tempo para que a pergunta atingisse a arrogncia dele. - O fato de eu no fazer parte das colunas sociais no significa 
que eu nunca flerte com outros homens.
   - E voc flerta? - ele perguntou, com uma indulgncia que demonstrava mais que claramente que nada poderia preocup-lo menos.
   - No paquerei porque me considerava comprometida, mas agora percebo que devia ter feito isso.
   
   
   CAPTULO DOIS
   
   - Voc est comprometida - falou Marcello enfaticamente, sem demonstrar mais indulgncia.
   - No, se voc no est, eu tambm no estou. Ele suspirou com bvia frustrao.
   - No se trata de no me considerar na relao...  simplesmente porque, se eu ignorasse totalmente as investidas das outras mulheres, abriria espao para muita 
especulao.
   - Enquanto a minha lealdade no abriria?
   - No se trata de lealdade - ele negou, furioso.
   - Sim, se trata.
   - Eu falei a voc que  uma questo de oportunismo.
   - E se o fato de eu declinar os convites levasse s mesmas especulaes que o preocupam, isso seria razo para eu dar o troco? Sair com outros homens e flertar 
com eles?
   - Eu no sa com ningum! Eu dancei... conversei... flertei, como fazem os homens italianos, mas no toquei em ningum como a toco. Eu no quis.
   - Aquela mulher estava bem prxima de voc!
   - No significou nada para mim.
   - Isso faria diferena?
   - Deveria.
   - Porqu?
   - Isso mostra a voc que, apesar de suas inseguranas,  importante para mim.
   - To especial que sou um grande segredo na sua vida.
   Ela no queria ser demovida com a declarao dele, mas seu corao suscetvel dizia que ela era especial... particularmente para um homem como Marcello Scorsolini.
   Ele colocou as mos sobre os ombros dela, acariciando sua pele com os polegares de uma forma que causava arrepios.
   - A nica mulher que eu quero, a nica mulher pela qual anseio tocar e por quem quero ser tocado agora  voc.
   Se ele tivesse omitido o agora, a declarao teria sido perfeita.
   Ele se aproximou dela at seus corpos se tocarem.
   - Voc  a nica mulher de quem quero me aproximar assim. Tudo naquela festa era fachada... no significava nada. Acredite em mim, tesoro mio. Por favor.
   O "por favor" fez diferena. Aquele homem no estava acostumado a implorar. Por nada. Ela tinha de ser especial para ele, ou ele teria ido embora quando ela comeou 
a dificultar as coisas. Porque podia ter qualquer mulher que quisesse... disso ela tinha certeza. E ele deixou claro que a queria.
   - No transou com a linda loura?
   Ele a apertou contra seu peito, abraando-a possessivamente.
   - No, porca misria! Nunca faria isso com voc, tesoro mio. Juro.
   Ela acreditou nele, e sentiu um grande alvio.
   - timo, porque eu no conseguiria ficar com um jogador.
   Ele riu.
   - No sou um jogador. No sou nem o playboy que a imprensa pinta. Pensei que soubesse disso. Pensei que me conhecesse.
   - Eu conhecia, mas uma imagem vale mais que mil palavras.
   - S se voc estiver falando a mesma linguagem que o fotgrafo. O jornalista pegou dois estranhos danando, nada mais. Mas olha para a foto que criamos, querida. 
Olhe e veja a diferena entre olhos vidos para possuir e um sorriso social que no significa nada. Olhe para as minhas mos que tremem de necessidade de toc-la, 
mas que seguravam a outra mulher com total indiferena.
   As palavras dele na realidade pintavam um retrato bem mais poderoso do que o do escndalo social. E a presso de seus corpos reforava tudo. Ele precisava dela, 
e ela, dele. Sentira tanta saudade dele...
   - Se voc no  um playboy,  o qu? - ela perguntou provocativamente.
   - Um homem simples que a quer muito.
   Ela podia sentir o quanto ele a queria e derreteu por dentro.
   Sua mente entrou em curto-circuito como sempre fazia quando ele a tocava, mas ela ainda podia pensar claramente para falar:
   - Talvez devamos tornar nossa relao pblica. No gosto de ver fotos assim, Marcello. Elas me causam dor.
   Ele beijou o canto da boca de Danette, a ponta do nariz, a testa e os lbios com grande ternura.
   - Voc  muito amvel, querida. A imprensa a detonaria e eu no suportaria ver isso, mas farei tudo que puder para no v-la magoada assim novamente.
   Isso j era alguma coisa, ela supunha, mas ela queria argumentar que podia lidar com a imprensa. Era forte. Sempre teve de ser. Mas sua boca estava ocupada 
demais beijando Marcello para expressar as palavras que precisava dizer.
   
   Na manh seguinte, Marcello fora embora antes que ela acordasse, assim como a revista, ela notou.
   No entanto, havia uma rosa vermelha sobre o travesseiro dele e um bilhete ao lado, que dizia:
   
   Querida,
   Obrigado pela noite passada. Adoro o tempo que passamos juntos e a generosidade de sua afeio por mim. M.
   
   Era a primeira vez que deixava um bilhete. Sua parania com a privacidade se estendia a no deixar provas da relao deles para os outros encontrarem. Aquele 
fora um grande ponto de partida para ele. Tinha de ser significativo. Talvez estivesse pensando na vontade dela de tornar a relao pblica... talvez estivesse comeando 
a ver que ela tinha razo.
   O que ela certamente sabia era que o desejo dele por ela no era fingimento. Danette duvidava que ele tivesse encontrado alvio em outro corpo enquanto esteve 
fora.
   Estava muito voraz. Eles fizeram amor nas primeiras horas da manh e ele repetiu vrias vezes o quanto sentiu sua falta e o quanto era linda e especial. Todas 
as palavras de que seu vulnervel corao precisava.
   Exceto as trs que realmente importavam, mas ela tambm nunca tinha dito isso a ele.
   Ela sempre achou que essas palavras poriam fim  relao deles. Supunha que ele fosse rejeitar esse tipo de ligao emocional. Ele fora muito claro no comeo 
do caso deles, dizendo que no passaria daquele ponto. Um caso com comeo e sem final feliz. Ela o queria tanto e ficou to impressionada com sua honestidade depois 
de todas as mentiras de Ray que acabou aceitando.
   E at ver aquela foto na revista, nunca se arrependera de sua escolha. Marcello era um amante incrvel, e o tempo que passavam juntos fora da cama era igualmente 
compensador. Ele fizera com que a primeira vez deles fosse especial, assim como todas as outras.
   Seu desejo de manter a relao s escondidas foi adequado para ela, inicialmente. Era uma pessoa muito reservada para desejar compartilhar sua intimidade publicamente. 
Nesse ponto, ela e Marcello tambm eram muito parecidos. Primeiramente, Danette s ficou feliz com a chance de evitar passar por algo to horroroso.
   Mas, alm disso, tinha medo de que, se sua relao com Marcello fosse divulgada, seus bem-intencionados mas superprotetores pais se envolvessem. Tambm se preocupava 
com as conseqncias no trabalho, embora Marcello no quisesse que isso acontecesse. Ela queria conseguir sua promoo e no queria que as pessoas especulassem sobre 
o impacto do que fazia com o presidente nas horas vagas em sua carreira.
   At ento, passara toda a vida sob os olhos intrometidos da prpria famlia. Era importante para ela provar a fora que conseguira para acabar com a escoliose 
que ameaava sua capacidade de andar e at mesmo para lidar com a vida.
   E essa era uma das razes para, no comeo, no ter aceitado um relacionamento de longo prazo ou mesmo um amor. Passara anos em uma espcie de isolamento forado, 
por causa da prtese que usou at os 19 anos para corrigir o defeito postural. E queria saber como era se sentir uma mulher. Queria namorar, beijar, acariciar e, 
finalmente, fazer amor.
   Queria Marcello alm das razes e independentemente de sentimentos mais nobres... pelo menos era o que pensava.
   Quando chegou  Itlia, a ltima coisa em que pensava era se envolver era outra relao. Vinha tentando provar a si mesma que no era to estpida quanto a traio 
de Ray a fizera pensar. Na primeira vez em que se viram, sem querer Marcello fez com que ela se sentisse assim.
   Ela se sentia decepcionada consigo mesma porque ngelo havia conseguido seu emprego, e pensava como poderia fazer para consider-lo totalmente seu agora. No 
sabia se as pessoas eram to legais porque gostavam dela ou porque queriam fazer um favor a ngelo... ou pelo menos agradar ao chefe.
   Estava no meio de uma crise de insegurana, quando Marcello apareceu pela primeira vez em sua mesa de trabalho.
   - Voc  amiga da mulher de ngelo Gordon, no ? - ele perguntou, sem se importar em se apresentar.
   Claro que ela sabia quem ele era e at mesmo como gostava de ser tratado na Scorsolini Shipping.
   - Sim, signor Scorsolini. Sou Danette Michaels.
   - ngelo fala muito bem de voc.
   - Fico contente. Adoro trabalhar com ele.
   - Mas queria mudar de ares, conhecer outra parte do mundo? - ele perguntou, com um olhar azul que invadia as profundezas da alma dela.
   - Sim.
   Ele assentiu.
   - Voc sabe que a reputao do meu bom amigo depende muito de seu desempenho aqui. - Ele no falou grosseiramente, nem como se fosse um aviso. Estava apenas confirmando 
algo de que ela j sabia.
   Mas era novidade para ela... uma novidade bem-vinda. Dessa forma, conseguiu uma meta, pois, ao afirmar isso, ele demonstrou que exigiria mais dela do que dos 
demais. As palavras foram como mel para os ouvidos dela, e ela se deleitou.
   - No vou desapontar nenhum de vocs.
   - No duvido disso. Tenho certeza de que, como veio trabalhar aqui por recomendao dele, trabalhar o dobro para provar que a recomendao foi vlida.
   - Tem razo. - E isso fora uma promessa.
   Ele sorriu, provocando a primeira percepo fsica em Danette.
   - No trabalhe tanto. Mas no acredito que v despontar nenhum de ns.
   E para provar para ele que estava certo, ela tornou sua profisso um triunfo pessoal. Todos os xitos que obtinha eram um presente que dava conscientemente aos 
dois homens que optaram por acreditar nela e subconscientemente a si mesma. Quando foi promovida e recebeu o prprio escritrio, depois de apenas quatro meses, devido 
 sua diligncia, Marcello a chamou pessoalmente para cumpriment-la.
   Tudo aquilo fora muito bom e importante para criar uma forte base a fim de que crescesse confiante e independente. O fato de Marcello t-la chamado para sair 
aumentou ainda mais essa confiana, embora ela desconfiasse muito dele no incio.
   Danette trabalhava no seu relatrio de projeo de vendas, determinada a deixar seu chefe contente por t-la promovido. Se havia uma parte dela que queria agradar 
ao presidente tambm, isso j era de se esperar.
   Afinal de contas, ele dera a ela um emprego por recomendao do amigo e no queria que ele se arrependesse tambm. No tinha nada a ver com o que sentia no corao 
todas as vezes que o via.
   No estava interessada em arriscar seu corao novamente e certamente no com um homem da reputao do prncipe Marcello Scorsolini.
   - J viu que horas so, Danette?
   Ela levantou a cabea ao ouvir a voz do presidente da empresa.
   - Signor Scorsolini! - Ela pulou da cadeira, olhando ao redor, tentando se concentrar naquele momento, enquanto sua mente ainda estava presa aos nmeros.
   O corredor estava todo apagado para o final do expediente e o silncio que os cercava dizia que ela era uma das nicas pessoas ainda no prdio.
   Ela ficou espantada e sorriu para ele.
   - No   toa que minhas pernas parecem petrificadas nesta posio.
   - Voc trabalha muito.
   Ela riu enquanto se esticava, percebendo que todo o corpo estava dolorido por ter ficado tanto tempo na cadeira.
   - Parece o roto falando do esfarrapado. Sua reputao como viciado em trabalho  conhecida aqui.
   - No espero que meus funcionrios desistam da vida l fora para servir  Scorsolini Shipping. - Ele observou enquanto ela se espreguiava, sentindo uma intensa 
perturbao. - Ho  a mesma coisa para mim. Tenho mais razes que a maioria dos presidentes de empresa para dar certo.
   - O que quer dizer? - ela perguntou com curiosidade, enquanto mexia nervosamente nos cabelos.
   A fachada de namoradora que criou para lidar com os homens desaparecia na presena dele.
   - As pessoas do meu pas contam com os rendimentos da Scorsolini Shipping em todo o mundo para manter o padro de vida dos outros pases industrializados.
   - Est falando de Isole dei Re?
   - Sim, naturalmente.
   Ela no queria sentar novamente, mas sentia-se exposta de p, atrs da mesa. Ela se ocupou empilhando papis. Era a forma que ele olhava para ela... no como 
um chefe olha para uma funcionria.
   Era mais como um predador prestes a dar o bote em sua presa.
   Ela pensou em algo a dizer.
   - No entendo como Isole dei Re ficou to dependente dessa diviso da Scorsolini Shipping. H apenas alguns compatriotas seus trabalhando aqui.
   - Como sabe?
   - Perguntei.
   - Interessante que se importe. - Seu olhar ainda predador a provocava.
   - Tudo que ocorre na empresa em que trabalho me interessa.
   - E o homem para quem trabalha lhe interessa tambm? - Marcelo indagou, entrando mais na sala.
   - Voc no falou isso. - Ela o fitou, surpresa. Ele sorriu, demonstrando prazer nos olhos azuis.
   - Falei, mas vamos deixar assim por enquanto e responderei  sua outra pergunta. Embora eu no empregue muitos compatriotas, metade do lucro da empresa vai 
para o tesouro nacional e aprimora a infra-estrutura do pas.
   - Coisas como hospitais? - ela perguntou, fascinada. Nunca pensou que a famlia real retribusse ao pas em to larga escala.
   - Sim, e estradas, escolas, segurana, bombeiros...
   - Uau!
   - O dinheiro deve vir de algum lugar.
   - E  da Scorsolini Shipping?
   - Juntamente com os impostos em dlar que recebemos das outras empresas do pas. Meu irmo Tomasso recentemente supervisionou a descoberta de ltio em Rubino.
   - Engraado, ngelo falou que voc fez o mesmo na filial italiana da Scorsolini Shipping.
   - Meu pai e meu irmo mais velho esto contentes com meus esforos.
   - E devem ficar.
   Ele sorriu, aparentemente contente com as palavras dela.
   - Meu irmo mais velho, Cludio, me informou que, quando assumir o trono, eu ficarei a cargo de todas as operaes da empresa de transportes.
   - Isso o surpreendeu?
   Ele aquiesceu, aproximando-se, enchendo os sentidos dela com sua presena.
   - Normalmente o segundo filho ocuparia essa posio e eu ficaria como estou ou pegaria a posio de Tomasso.
   - Que maravilha! Acho que vai comemorar trabalhando mais um dia de vinte e quatro horas - ela brincou.
   Ele chegou perto da mesa e se inclinou para frente.
   - Assim como voc acabou de fazer?
   - Touch!  No quero que meu chefe se arrependa por ter me contratado - ela falou, um pouco ofegante.
   - Tambm tenho essa necessidade... em relao  confiana que minha famlia deposita em mim.
   O cheiro dele era tentador, e ela queria se aproximar, o que seria uma loucura.
   - Humm... acho que temos algo em comum.
   Ele a tocou. Apenas um pequeno roar em sua bochecha, mas ela se sentiu paralisada.
   - Talvez mais do que apenas isso - ele sugeriu.
   - No acredito que possamos ter muito em comum. Nossas vidas so to diferentes...
   - Talvez, mas acho que est errada. Quer jantar comigo hoje  noite para descobrir?
   - O qu? - Ela sacudiu a cabea, tentando compreender. O presidente da Scorsolini Shipping a havia chamado para sair?
   - Eu gostaria que voc jantasse comigo.
   - Mas...
   - Gosto de voc, Danette, e espero que goste de mim tambm. - Mas o sorriso confiante dele demonstrava que ele j sabia que ela gostava.
   - Claro que gosto de voc, mas me chamou para sair. No sou seu tipo.
   - E voc se baseia em que para afirmar isso?
   - Todos sabem que s namora mulheres lindas.
   - Voc  linda. Ela riu.
   - Tenho espelho. No sou nada perto das mulheres com quem voc aparece na mdia.
   - Isso  apenas uma fachada que apresento ao mundo para manter minha vida privada.
   - Mas...
   - Venha jantar comigo e veja o tipo de homem que eu sou quando os paparazzi no esto por perto.
   - Meu trabalho... - ela falou, incerta.
   - Prometo a voc, Danette. Seu trabalho no ser influenciado nem positiva nem negativamente pelo que acontea ou deixe de acontecer entre ns.
   - E se eu recusar seu convite para jantar?
   - Ficarei desapontado, mas isso no ter impacto no seu emprego. Para ser justo, preciso dizer que, mesmo que se tornasse minha amante, as coisas no seriam facilitadas 
nesse sentido.
   - Nunca esperaria isso.
   -  muito ingnua.
   - No h nada de ingnuo em acreditar que uma pessoa pode ascender profissionalmente.
   - Gosto disso em voc, e concordo.
   - Ento, vai jantar comigo?
   Todos os impulsos lgicos do seu corpo diziam a ela para negar. Ela no queria comear uma relao, mas um jantar no era exatamente uma promessa de futuro. Mas 
ele havia mencionado a histria de se tornarem amantes. Isso implicava bem mais do que um bate-papo na hora do caf.
   Estranhamente, era essa perspectiva que mais a tentava. Namorara bem pouco na vida, e nunca conhecera um homem to intrigante quanto Marcello.
   Ray certamente no, aquele canalha.
   Aquilo no era amor de final feliz, ela dizia a si mesma, mas sim de experimentar sensaes que negava a si mesma h muito tempo.
   - Certo. Vou jantar com voc.
   
   
   CAPTULO TRS
   
   Ele a levou a um pequeno restaurante familiar fora de Palermo.
   Como companheiro de jantar, Marcello correspondeu a tudo que ela imaginava. Era charmoso, atencioso e to sensual que todo o seu corpo ficava perturbado com 
uma sensao que nunca experimentara antes por outro homem.
   Ele a serviu de mais uma taa de vinho.
   - ngelo falou que voc est pronta para mudanas, por isso veio para a Siclia.
   - Sim, preciso de mudanas.
   - Algum homem envolvido? Estranhamente, ela no achou a pergunta invasiva.
   De uma forma inexplicvel, sentia que podia falar mais.
   - Sim.
   - O que aconteceu? - ele perguntou, com uma expresso que a convencia a dividir com ele seus segredos.
   - Como faz isso?
   - O qu?
   - Voc me faz sentir como se eu devesse falar tudo que tenho em mente.
   - Ah... h muito mais envolvido em negcios internacionais do que apenas contar dinheiro.
   - Sei disso, mas no sabia que desempenhar papel de padre no confessionrio fosse parte disso.
   - Voc se surpreenderia. Agora me fale sobre seu namorado.
   - Pensei que ele me amasse, mas ele me usou para obter fotos de ngelo e Tara e publicar em um jornal sensacionalista.
   - Ele foi o responsvel pelas histrias sobre eles ano passado?
   - Sim. Eles magoaram muito Tara.
   - Odeio tablides.
   - Mas voc sempre aparece neles.
   - Como falei, crio uma fachada para que eles me deixem levar minha vida particular.
   Quando criana, ela fizera a mesma coisa. Criara uma imagem extrovertida e confiante que escondia seus sentimentos. Independentemente do quanto os mdicos e a 
famlia fossem intrometidos, havia uma Danette que apenas ela conhecia.
   Saber que eles compartilhavam do mesmo mecanismo fez com que ela se sentisse mais prxima dele, de uma forma que no julgava possvel.
   - Fale mais sobre Ray - pediu Marcello.
   - No h muito o que contar. Ele estava em busca da melhor oportunidade e a agarrou, sem se preocupar com quem seria ferido. Acho que foi isso que me deixou 
mais arrasada ainda.
   Pelo menos era o que achava.
   - Nossa relao comeou pelas razes de sempre... Eu acho. Minha famlia  rica e talvez ele tenha pensado que eu possibilitaria sua circulao na sociedade.
   - E isso a magoa?
   - Muito, mas j superei isso. - E de fato havia superado. Mais rpido do que supunha.
   A mudana para a Itlia fora a escolha certa.
   - A traio de um amante  a pior coisa.
   - Ele no era meu amante, felizmente.
   - Ento a relao no era antiga?
   - Depende de como voc define "antiga". Ficamos juntos por alguns meses.
   - E ele no a levou para a cama?
   - No que no tivesse tentado - ela falou, aflita diante da possibilidade de Marcello pensar que ela no gostava de sexo.
   - Imagino. Por que voc o refreava?
   - Nunca me senti bem. Ele ficava irritado, mas eu no imaginava o quanto. Ele falou coisas horrveis quando terminamos.
   - Sei.
   - Do que sabe, signor Scorsolini?
   - Primeiro, que voc deve me chamar de Marcello quando estivermos longe da empresa.
   Ela sorriu, apesar do peso que sentia no corao ao relembrar o passado.
   - Certo.
   - Segundo, que o cara era um idiota e obviamente no era bom na arte da seduo.
   - Ou eu no sou fcil de seduzir.
   - Pode ter certeza de que adoro desafios.
   Ela engasgou diante da afirmao provocante dele e de suas implicaes.
   - No estou em busca disso agora.
   - Mas encontrou, como terei prazer de mostrar-lhe. Quero voc e pretendo conseguir.
   Mas no pressionou nem por um beijo de boa-noite quando foi deix-la em casa naquela noite. E o mesmo aconteceu nas outras trs vezes em que saram juntos. Independentemente 
do que dissera, ele parecia perfeitamente feliz com a amizade platnica, enquanto sua presena a perturbava cada vez mais.
   Ela at comeou a ter sonhos erticos com ele. Acordava constrangida com o bvio desejo e perturbada com a sua fora...
   Ele pediu para que mantivesse a relao profissional como antes e considerasse o tempo que passavam juntos estritamente confidencial. Ela concordou sem pestanejar. 
Ningum a acusaria de se dedicar a uma relao com um homem para obter ascenso profissional. Alm disso, havia algo muito sedutor em manter encontros secretos com 
o supersensual Marcello.
   Ela adorava conversar com ele por telefone e saber que as pessoas no tinham noo da espcie de assunto que tratavam. Ento, ele teve de viajar a trabalho e 
ela morreu de saudades. Ligou apenas uma vez, e brevemente. Tinha de ser... ela estava trabalhando.
   Eles tinham planos para sair para jantar  noite, depois de sua chegada, mas, quando ele passou para busc-la, ela havia cozinhado. Queria dividir o tempo com 
ele, ficar totalmente  vontade na sua presena, e a nica forma era fazer isso a portas fechadas.
   Ele apreciou o aroma, quando ela o convidou para entrar.
   - Que cheiro bom! Estou quase pedindo para ficar e comer os restos.
   - Vamos ficar aqui, portanto no so restos. Eu cozinhei.
   - A ocasio  especial?
   - Pensei que fosse ficar contente de comer em casa e relaxar, em vez de irmos a um restaurante, mas se preferir... Posso guardar o jantar e pegar meu casaco.
   - De jeito nenhum.  a primeira vez que uma mulher cozinha para mim.
   - E sua mulher?
   Ele raramente falava de Bianca, mas ela sabia que ele se casara cedo e que sua mulher morrera em um trgico acidente.
   - Que eu saiba, ela no sabia cozinhar.
   - Ela era uma princesa?
   - Para mim? Sim, mas no nasceu para a realeza. Era de uma famlia siciliana muito rica. A me dela era a melhor amiga da minha.
   - Parece que nasceram um para o outro.
   - E nascemos, mas, depois que ela morreu, tudo virou um inferno.
   Ela no entendia por que doa tanto ouvir aquilo, mas percebia que no era apenas pesar.
   - Sinto muito.
   - Obrigado. Dizem que o tempo cura as feridas.
   - No sei se cura, mas melhora... ou ameniza a dor.
   - Est falando de Ray?
   - No.
   - De que, ento?
   Era engraado como havia falado sobre sua histria para ele, sem mencionar o defeito postural. Era muito doloroso falar sobre isso, mesmo agora. As feridas 
de sua vida eram profundas demais para mostrar para ele.
   Ela nunca contara a ningum sobre sua deciso de no ter filhos por causa disso. Sua prtese representara uma barreira entre ela e a sensao do toque por treze 
anos. Como poderia explicar a sensao de se olhar no espelho e ver uma figura envolta em uma caixa de plstico?
   Quando finalmente parou de usar a prtese, teve medo de que sua espinha curvasse novamente e que suas curvas femininas desaparecessem. Tinha 21 anos quando finalmente 
decidiu que seu corpo lhe pertencia.
   Mesmo assim, sempre via a prtese quando se olhava no espelho, e no a verdadeira mulher que ele refletia.
   - Todas as pessoas tm dores na vida, Marcello. No sou diferente, mas no importa. No perguntei sobre Bianca para mago-lo.
   Ele tocou a mo dela. No fora um ato sensual, apenas um pequeno roar de seus dedos, mas ela sentiu todo o corpo em chamas.
   - No me magoou. Voc nunca pede detalhes ou me pressiona para que eu demonstre minhas emoes. Gosto disso.
   Ela sorriu.
   - Aposto que sim. A nica pessoa que conheo alm de mim mesma que esconde os sentimentos dessa forma  voc.
   - A primeira vista, eu no perceberia que voc  to reservada.
   - Um recurso para proteo. A maioria de ns os tem.
   - No os meus irmos. Eles demonstram tudo o que sentem.
   - Tem certeza? Aposto que at seu pai tem uma imagem para esconder do resto, do mundo o verdadeiro homem que ...
   - A que voc se engana. O rei Vicente  exatamente o que aparenta. Um soberano da cabea aos ps.
   - Talvez seja apenas adepto de esconder suas fraquezas, mesmo das pessoas mais queridas.
   - Confie em mim, ele no esconde suas fraquezas.
   Custava-lhe crer que o filho pudesse ser to diferente do pai, mas no o conhecia o suficiente para discutir o assunto.
   - Se  o que diz...
   - Digo que fico muito contente por voc ter optado cozinhar para mim.
   Ela sorriu e o levou  pequena sala de jantar, onde havia arrumado a mesa  luz de velas e com sua melhor loua.
   - Parece uma cena preparada para a seduo.
   - Talvez seja - ela brincou.
   Ele virou para olhar para ela e colocou a mo em seu rosto, enviando ondas de calor por seu corpo.
   - Eu no me importaria.
   - Estava apenas brincando.
   - Eu no.
   - Humm... talvez seja melhor sentar-se.
   Ele sentou e no falou mais nada, mas continuou lanando olhares to eficazes quanto carcias para ela durante o jantar.
   Depois do jantar, eles carregaram a sobremesa, um sorvete de limo caseiro, para a sala de estar.
   Ele a puxou para o sof ao seu lado, e seus quadris se tocaram.
   - O jantar estava fantstico. Obrigado, querida.
   - Por nada.
   - Vou beij-la agora.
   - Eu...
   - Voc se importa?
   - No. - Era isso o que queria quando o convidou para ficar para jantar, mas, na hora do acontecimento, ficou um pouco nervosa.
   E se, assim como Ray, ele pensasse que ela era um traste?
   Marcello cumpriu a promessa de beij-la com uma intensidade que fez com que ela agarrasse os ombros dele, enquanto sentia um forte desejo. Ele tinha gosto do 
sorvete de limo e ao mesmo tempo era deliciosamente masculino. Era bem diferente do beijo de Ray. Com Marcello, ela s queria mais e mais e mais. E ele deu isso 
a ela, explorando sua boca com a lngua e deixando que ela retribusse.
   Finalmente, ele terminou o beijo com uma srie de beijinhos carinhosos nos lbios dela.
   - Isso foi bom, querida. Acho que devemos repetir.
   Ela assentiu, incapaz de falar. Ento, ele colocou as mos na cintura dela e roou os polegares para cima e para baixo do trax dela.
   - Mas agora quero que sente no meu colo.
   Ele no sabia disso, mas aquele tipo de toque era totalmente novo para ela. Quando criana, ela havia desenvolvido gestos que mantinham as pessoas fisicamente 
afastadas. Inconscientemente, impedia que Ray a tocasse tambm. E, quando arriscavam algo assim, ele tendia a ir diretamente para certas partes de seu corpo. Ela 
no aproveitava as carcias dele, mas supunha que no tivesse apetite sexual. Ela agora percebia que estava totalmente, terrivelmente... maravilhosamente equivocada.
   Porque ela reagia ao toque de Marcello como uma mulher que curtia todas a sensaes provocadas.
   Ela passou para o colo dele, adorando a sensao de suas coxas musculosas sob seu corpo. Ele movimentou as mos para acariciar as costas dela de uma forma to 
ertica que a fez tremer.
   - Voc  muito bom nisso.
   Ele riu e apertou os lbios contra os dela novamente.
   As mos dele se moviam em todo o corpo dela em carinhos suaves e sensuais, como se quisesse v-la com as mos. Era inacreditvel, e ela sentiu muito calor quando 
seus seios intumesceram em seu suti de seda e o local entre suas pernas ficou mido e quente.
   Ele parou de beij-la.
   - No quer me tocar?
   - Uhh... o qu? - ela perguntou, tonta pelo desejo que a invadia.
   - Suas mos esto fechadas ao seu lado.
   - Oh, no era minha inteno. - E para provar, ela espalhou os dedos no peito dele.
   Ela sentiu o calor do corpo dele em seus dedos, mesmo atravs da roupa.
   - Quero sentir sua pele.
   - Ento faa isso. No vou rejeitar nenhum de seus toques, Danette.
   Havia algo de importante nessa declarao, mas ela no podia pensar nisso agora.
   Ela desabotoou a camisa dele com as mos trmulas e tocou-o com dedos igualmente trmulos. Os msculos dele faziam ondas sob sua pele bronzeada. Os plos escuros 
e encaracolados que cobriam seu peito e desapareciam em um tentador V at sua cala eram surpreendentemente macios. Os plos masculinos no deviam ser duros e... 
msculos? Mas eles eram to sensuais, to incrveis... e a pele era to quente... Era como tocar em seda aquecida.
   Ela traou cada msculo e apertou o dedo no boto da cala dele, enquanto seu polegar roava a pele por baixo.
   Ele gemeu.
   - Querida, a voc vai brincar com fogo.
   Ele estava em chamas... era puro calor. Tudo que um homem deveria ser para uma mulher.
   As mos dela deslizaram para cima no dorso de Marcello, parando nos rgidos mamilos masculinos.
   - Voc  to diferente de mim - ela sussurrou. Ele gargalhou.
   - Voc fala como se nunca tivesse tocado um homem antes.
   - Nunca toquei. No assim.
   Suas mos congelaram no momento em que iam tirar a camiseta de Danette para expor a pele ao olhar fogoso dele.
   - O que est dizendo? Tesoro, no pode ser virgem. No acredito nisso.
   Ela o encarou e piscou, tentando amenizar a surpresa dele.
   - Por que no? Falei que Ray no era meu amante. 
   - Mas certamente houve outros homens.
   - No.
   - Mas as mulheres americanas namoram na escola e na faculdade. Todos sabem disso.
   - Eu no namorei. - A paixo que a assolava comeou a sumir. - Nunca tive um namorado.
   - Por que no? Seus pais a protegiam demais?
   - Pode-se dizer que sim. - E ela tambm no queria namorar. No gostava de ter de falar da prtese, mas jamais deixaria um rapaz toc-la. No suportaria tamanha 
exposio.
   Marcello se afastou dela, tirando gentilmente as mos de Danette de seu corpo.
   - Isso no est certo. Pensei que fosse experiente. No posso tirar sua inocncia.
   No, ele no estava dizendo isso. Aquilo no era uma tragdia vitoriana. Ela era uma mulher moderna e talvez um dia tenha pensado em casamento, mas no era o 
que passava em sua cabea agora. No queria que nenhum outro homem fosse seu primeiro.
   S aquele.
   - Mas eu posso d-la a voc.
   - No estou em busca de casamento. No quero uma relao a longo prazo.
   - Tambm no estou em busca de casamento. - Ela sentia tanta falta disso, dos namoros, dos momentos furtivos que os adolescentes apaixonados compartilhavam, dos 
casos de amor na faculdade. - Quero experimentar com voc, Marcello. Confio em voc.
   - Mas  virgem. Deve esperar at se casar.
   - Quero que seja o primeiro. Nunca senti esse tipo de desejo antes e tenho medo de no vir a sentir novamente. Certamente no sentia com Ray.
   - Ele era um canalha.
   - Sim, mas voc no . Sei que no vai me magoar... Sei que pode fazer a primeira vez especial.
   - Sabe disso, uh?
   - Voc pode no ser o playboy que a mdia retrata, mas tem experincia suficiente para saber o que est fazendo. S de ficar com voc fico louca. - Ela no queria 
implorar, mas estava bem perto disso. - Se voc me quiser tambm... pelo menos um pouco... quero que seja meu primeiro amante.
   - Quero voc bem mais que um pouco - ele murmurou, enquanto seu olhar era incendirio. Era a chama mais quente possvel, e ela sentiu arder a alma.
   - Fico contente, Marcello, porque eu o desejo muito tambm.
   - Nossa relao permanecer estritamente em sigilo. No vou permitir que a mdia invada a minha vida pessoal, o que quer dizer que ningum mais pode saber sobre 
ns.
   - Isso no  problema para mim.
   Danette voltou abruptamente para o presente. Isso no era problema para ela... mas agora as coisas tinham mudado. Mas no sabia o que podia fazer.
   Se  que podia fazer alguma coisa.
   Ela o amava e esse amor exigia uma posio em sua vida que ia alm de amante secreta. Talvez se ela contasse a ele como se sentia, ele poderia reconhecer os prprios 
sentimentos e eles poderiam avanar na relao.
   No  que ela pensasse que ele no fosse confivel. Se soubesse que ela o amava, talvez ele dissesse isso tambm, mas seu corao estava trancado desde a morte 
de Bianca. Danette conseguiu abrir alguns espaos, o que era evidente pela longa durao da relao deles e pelo que faziam alm do sexo.
   Embora ele se recusasse a contar quantas mulheres tivera antes dela, deixou escapar que nenhuma delas fora mais que uma breve ligao. Ele estava com ela h seis 
meses e nada indicava que sequer pensasse em deix-la.
   Ainda havia o fato de eles sempre fazerem sexo sem proteo. Haviam feito novamente na noite anterior.
   Na primeira vez que aconteceu, ela ficou impressionada com a prpria resposta. Como havia decidido ainda adolescente a no ter um filho para no arriscar passar 
para ele seu problema postural, deveria ter ficado muito chateada com esse lapso. Mas sua primeira reao  percepo de que ele havia esquecido a camisinha no 
fora de aflio. Longe disso: imaginou um lindo menino com os olhos dela e o sorriso de Marcello.
   O desejo por esse filho fora to grande que ela sentira doer o peito.
   Ainda assim, ela levantou a possibilidade de tomar plula, mas Marcello foi categrico ao afirmar que isso no seria necessrio. Em uma das vrias conversas dele, 
ela contou sobre o histrico de cncer de mama na famlia e ele ficou preocupado com a possibilidade de aumentar os riscos com o uso prolongado da plula.
   Ela concordou com a deciso de que ele continuaria responsvel pela contracepo e no tocou mais no assunto at ele esquecer novamente. Em vez de conversar, 
ela pesquisou sobre a probabilidade de passar sua escoliose para o filho. Danette descobriu que, ao contrrio do medo que sentia, no havia predisposio gentica 
conhecida para o que havia acontecido com ela.
   Ela no podia esquecer que sua me havia sofrido de um caso bem menos severo de escoliose. Mesmo assim, ela se convenceu de que era um risco que valia a pena. 
Recusava-se a deixar que sua doena de infncia ficasse entre ela e Marcello.
   Agora, tinha de ponderar o fato de que conversar sobre o futuro ia de encontro ao freqente esquecimento da camisinha. Nenhum homem correria tanto risco de engravidar 
uma mulher se a idia de passar o futuro com ela fosse to detestvel assim.
   Marcello no era do tipo irresponsvel. Se ela engravidasse, sabia que ele desejaria casar. Tinha um forte senso moral e uma grande responsabilidade familiar. 
As duas caractersticas impediriam que seu filho nascesse ilegtimo. Portanto, isso devia querer dizer que ele considerava um futuro com ela, mesmo que no admitisse 
explicitamente.
   Devia ser algo do subconsciente dele, mas suas aes eram claras sobre suas emoes em relao a ela. Pelo menos ela esperava que sim. Nenhuma suposio substituiria 
ouvir as palavras diretamente dele.
   A morte de sua mulher o deixara arrasado. Danette logo percebeu que ele no queria arriscar aquele tipo de dor novamente, mas queria dizer a ele que o amor no 
respeitava o medo de se machucar.
   Olhe para ela. Viera da Itlia lambendo as feridas. E havia se convencido de que a ltima coisa que queria era se envolver em outra relao. S que isso foi exatamente 
o que fez com mais profundidade em duas semanas com Marcello do que em dois meses com Ray.
   Ela se entregou virgem a Marcello e sabia que isso era to importante para ele quanto para ela.
   Parte dela, muito profundamente, desejava que simplesmente engravidasse para que nenhum dos dois tivesse outra alternativa a no ser revelar sua relao. Mas 
a outra parte estava assustada com a possibilidade da gravidez, e uma parte ainda maior desejava que ele revelasse o que sentia por conta prpria. Queria que ele 
reconhecesse que gostava dela e precisava ter certeza disso tambm. No apenas esperana.
   Talvez se dissesse que o amava abrisse um pouco mais o corao dele...
   Esperava que sim, pois, caso contrrio, no sabia o que faria.
   Mais tarde, naquele dia, quando ele foi ao escritrio dela perguntar sobre o projeto de Crdoba, quando poderia ter pedido isso  sua assistente, essa esperana 
aflorou.
   
   
   CAPTULO QUATRO
   
   Marcello entrou no escritrio de Danette e sentiu uma pontada no peito quando ela sorriu da forma especial que reservava a ele.
   Seus olhos cor-de-mbar brilhavam em boas-vindas, e o corpo dele reagia como se ele no a tivesse h meses, em vez de horas. Ele logo ficou excitado, a ponto 
de doer. Marcello fechou a porta, embora no devesse fazer isso.
   - O relatrio est aqui. Foi por isso que veio, certo?
   O olhar significativo que ela lanou  porta fechada traa suas palavras inocentes, e ele sorriu. No podia deixar de gostar disso. Assim como todas as suas reaes 
a ela desde que a conheceu eram formidavelmente fora de seu controle. Nunca buscou amizade com nenhum dos seus funcionrios, muito menos um caso, e brigou contra 
o que sentira por ela durante quatro meses. Mas no final... perdeu.
   Ele no fora capaz de ignorar a avidez pelo corpo dela e por aquele sorriso lindo que ela no dirigia para mais ningum. Ele descobriu que era uma avidez que 
crescia quando alimentada, ao invs de diminuir. Isso colocava as coisas em um nvel de vcio que no podia ignorar. Por mais que detestasse a vulnerabilidade desse 
vcio, aprendeu que ele proporcionava recompensas. Quanto mais tempo passava com ela, mais se sentia em paz, e depois de fazerem amor a situao era ainda melhor.
   Mesmo sabendo que deveria a abrir uma porta para acabar com o anonimato daquela relao, no conseguia faz-lo. Ele analisou o corpo dela e sua libido quase chegara 
a ponto de explodir quando ele percebeu a diferena entre saber o que podia fazer e ser capaz de faz-lo.
   - Sim, essa foi a desculpa que dei  minha assistente.
   - Talvez queira algo mais de mim? - ela perguntou com uma voz convidativa que o atingia na j dolorida virilha.
   Aquela maneira de flertar e o modo direto tpico dos americanos fizeram com que ele pensasse que ela era mais experiente quando se conheceram. Foi ento que ele 
descobriu que ela era virgem e incrivelmente inocente nos assuntos de paixo.
   Ele percebeu tarde demais que toda a aparncia de extroverso dela mascarava sua timidez. Conhecia to pouco dos homens quanto de desejo fsico. E ele tirou proveito 
da vontade dela de aprender com ele.
   No entanto, ele fora cauteloso ao estabelecer os parmetros da relao. Ela merecia saber o destino deles - a cama -, e no chegariam a se casar. Ele fora muito 
claro. Nada de compromissos. Nada de laos permanentes. Segredo total.
   E ela ainda o presenteara com uma paixo inocente, mas generosa, que o levava  loucura.
   Ela nunca questionou os parmetros do caso deles, e ele presumiu que ela havia entendido que a relao deles no seria permanente, mas ela ficou triste com a 
necessidade do segredo. Ficou chateada com a foto na revista e ele detestava saber disso, mas, se a mdia soubesse que estavam juntos, ela correria o risco de se 
magoar ainda mais.
   Embora compreendesse os sentimentos dela naquele momento, ele no poderia ceder. Era fundamental manter-se forte para o bem dos dois. Detestava que sua vida 
privada fosse foco da imprensa. J vivera cenas horrveis no casamento. A mdia perseguia a ele e Bianca desde o comeo. Certamente isso havia contribudo para 
o que veio depois.
   Quando se passaram dois anos e no houve sinal de gravidez, comearam as especulaes. Era uma simples conseqncia das preocupaes que ele e Bianca dividiam 
entre quatro paredes. Porque desde que se casaram no haviam tomado nenhuma precauo. Ela fora a primeira a fazer exames, mas seu sistema reprodutor era normal.
   Ele se ofereceu para fazer exames tambm, jamais imaginando que o mdico fosse detectar uma baixssima contagem de espermas. Nunca esqueceria a humilhao quando 
um tablide especulou sobre sua quase esterilidade. Eles desenvolveram a histria e outros a reproduziram, at que ele e sua mulher no podiam mais ir a pblico.
   Bianca dissera que no se importava com isso, mas Marcello vira sua dor quando as amigas engravidavam e ela, no. Ele sentia a tristeza no olhar dela quando 
a ouvia chorar baixinho no banheiro, pensando que ele dormia.
   Ele sentia que sua masculinidade tinha sido arrancada de seu corpo. O fato de tudo ter acontecido aos olhos do pblico piorou ainda mais a situao. Nunca mais 
queria passar por aquilo novamente.
   - Marcello? - Danette chamou, preocupada. Ele afastou os pensamentos e se concentrou na situao.
   - Certamente tem algo que pode me dar. - Era mais que seu corpo e seu desejo. Fazer amor com Danette afugentava os fantasmas do passado... pelo menos um pouco.
   - Algo mais importante que o relatrio? - ela perguntou, com uma vulnerabilidade que ele no desejaria ver.
   Ela queria a confirmao de que era mais importante para ele do que o trabalho que fazia, mas, s desse isso a ela, implicaria uma profundidade na relao que 
ele tivera o cuidado de evitar. No podia fazer isso. No seria justo. Mas, pelo lindo olhar mbar dela, sabia que, se no fizesse, tambm no seria justo.
   Ela merecia mais do que ele podia dar. Merecia um homem que pudesse namor-la abertamente, que pudesse lhe dar o futuro de uma famlia completa. No um provvel 
prncipe que s podia propiciar excelente sexo e companheirismo longe dos olhos do pblico, e nenhum futuro.
   Entretanto, saber o que ela merecia no mudava a necessidade que sentia dela. Marcello no pensava em desistir dela. Ainda no.
   Ela acrescentou muita coisa  sua vida.
   Um dia poderia ir adiante, mas, at l, daria a ela tudo que pudesse e receberia tudo que ela pudesse oferecer.
   - Certamente  bem mais urgente - ele falou. Ela ficou satisfeita e sorriu novamente, mas dessa vez seus olhos foram tomados por um fogo familiar.
   - O que poderia ser?
   Ele se inclinou contra a porta e abriu um pouco as pernas. Seu corpo dizia a ela que no iria a lugar algum.
   - Venha c que eu lhe mostro.
   - Acho que no. - Ela inclinou a cabea para um dos lados e olhou para ele. - Voc parece perigoso.
   - E voc se sente segura com essa mesa entre ns? Ela deu de ombros, mas o olhar que lanou a ele era de pura provocao.
   - Talvez, mas isso depende da energia que est disposto a gastar.
   Ele caminhou na direo dela e seu corpo formigava com o intenso desejo sexual que s ela provocava. Quando ele a tocou, ela se escondeu atrs da cadeira, mas 
o homem primata que havia nele no deixaria sua presa escapar.
   Marcellose movimentou com grande rapidez e pegou os ombros de Danette para impedir seu recolhimento. De repente, a brincadeira deles foi marcada por um perigoso 
e sombrio desejo que ele jamais havia aliviado no escritrio antes.
   Ela engasgou.
   - Marcello, o que est fazendo?
   Ela estava brincando. Flertando de uma forma que sabia que o enlouquecia, mas nunca imaginaria que ele a pegaria contra as paredes da empresa.
   Ele a puxou da cadeira.
   - Quero voc, Danette. Agora.
   - Por...
   Ele a beijou com uma paixo selvagem, deixando clara sua inteno.
   O playboy urbano e sofisticado que todos viam quando olhavam para ele havia partido. No seu lugar, estava um homem de paixo direta e pura masculinidade que apenas 
ela via e achava irresistvel.
   O beijo imediatamente pegou fogo. Os lbios dele sugavam os dela, sua lngua solicitava emaranhar-se  dela e seus dentes roavam o lbio de Danette. Ela retribuiu 
da melhor forma, e sua lngua brincava com a dele em um delicioso e ertico abandono. Ela no conseguia o suficiente. Seu crebro mal funcionava quando ele retirou 
a boca dos lbios dela para devastar reas sensveis que apenas ele conhecia.
   - Aqui? - ela sussurrou, com seu ltimo resqucio de racionalidade. - Quer fazer amor aqui?
   Ele respondeu gemendo como um animal primitivo, passando a mo possessivamente pela curva dos seios dela e apertando. Ela gemeu.
   - Shhh, querida. Deve ser silenciosa.
   - No consigo...
   - Consegue e ser - ele prometeu com a voz arrastada, desafiando a suposio com carcias sensuais que faziam o corpo dela tremer de prazer.
   Ela puxou a gravata dele, tirando o n e desabo-toando sua camisa com dedos impacientes para revelar os contornos peludos do peito e do abdome dele. Passou os 
dedos no corpo dele e perdeu o ar ao ver-se tocando aquela pele.
   Era um homem to lindo...
   Ele emitiu um som grave e sussurrou:
   - Sim, assim, Danette. Me d sua paixo, querida.
   Ela se inclinou para frente e tomou o mamilo pequeno e enrijecido dele entre os dentes e mordiscou, lambendo-o e chupando como sabia que ele gostava.
   Ele contorceu o corpo e emitiu um sufocado gemido de paixo antes de tirar a blusa dela para expor seus seios guardados pelo suti. Um movimento de seus dedos 
e o fecho foi aberto. As mos dele a atormentaram com um tipo de carcia que a levaria ao clmax antes mesmo de ele tocar sua parte mais ntima.
   As mos dele passeavam por toda parte, roando as costas dela, apertando seu bumbum e deslizando sob sua saia com uma falta de finesse que demonstrava claramente 
o quanto estava fora de controle. Ele estremeceu quando ela atacou seu cinto e abriu o zper de sua cala.
   Ela a baixou com uma agonizante lentido, sem querer ferir o corpo dele e se deleitando pela antecipao do que seria revelado. Ela acariciou calmamente o elstico 
da cueca dele sobre a carne ereta e latejante. Sua forte ereo se espalhou para cumpriment-la. Passando os dedos ao redor daquela rigidez, ela apertou possessivamente.
   - Sim,  seu - ele dizia, mostrando que sabia exatamente no que ela pensava.
   Ento ele a pegou pela cintura e a sentou na beira da mesa, movimentando-se entre as pernas dela para que as coxas de Danette fossem abertas para ele. Como sempre, 
ela usava meia-cala e a seda de sua calcinha no era barreira ao toque dele. Ele a retirou do corpo dela com primitiva violncia, deixando seu lugar mais secreto 
mido e aquecido.
   Ele a apalpou, colocando um longo dedo dentro dela.
   - Minha.
   - Simmm - ela sibilou.
   Ento ele chegou exatamente aonde ela mais precisava que estivesse, e ela choramingou com o grande prazer proporcionado por isso. Ele era grande e ela abriu mais 
as pernas para acomod-lo, apertando os calcanhares ao redor de sua cintura. Ele agarrou os quadris dela e pressionou inexoravelmente para frente, penetrando-a 
quase insuportavelmente, de uma forma to boa que ela sentiu lgrimas de puro desejo arderem nos olhos.
   - Voc se encaixa em mim perfeitamente - ele murmurou pelos cabelos dela, enfiando completamente.
   Ela no conseguiu responder. Sua garganta estava apertada demais pela necessidade de gritar seu prazer e o esforo de ter de conter tais gritos.
   Ela enterrou o rosto no pescoo dele, apertando os lbios para abafar o som, enquanto ele a penetrava com movimentos poderosos que sacudiam todo o seu corpo. 
O prazer aumentou mais e mais dentro dela e ela instantaneamente explodiu em um contentamento extasiante depois de apenas algumas movimentaes dele. O corpo dela 
estremeceu ao redor dele, todo seu ser se arrepiava com a culminao.
   Ele apertou ainda mais os quadris dela e segurou um gemido quando seu corpo ficou imvel contra o dela, e ele liberou seu prazer. Eles permaneceram presos no 
xtase primitivo que talvez tenha durado apenas alguns segundos, ou muito mais. O tempo no significava nada. Somente a sensao importava e era to boa que a 
cabea dela girava em um vazio sombrio.
   Mesmo quando o prazer diminuiu, ele no se moveu, nem ela. Estava muito surpresa. No podia acreditar que eles tinham feito amor no escritrio dela. Sua porta 
sequer tinha chave! Aquilo ia de encontro a tudo que ele pregava sobre manter a relao deles em particular. O risco de exposio era enorme e, mesmo assim, ele 
sequer hesitou.
   O fato de ele precisar tanto dela fez com que Danette se sentisse muito bem. Aquilo devia significar alguma coisa.
   - No acredito que fizemos isso - ele falou, pensando da mesma forma que ela.
   - Voc comeou.
   Ele riu contra a testa dela, antes de virar seu rosto para beij-la com comovente ternura.
   - Voc me provocou, querida, no tente negar. Voc sabe que  irresistvel.
   - No tive a inteno de provocar isso. - E no tivera mesmo. Nunca passaria pela sua cabea tentar ati-lo para fazer amor no escritrio.
   Ela se sentia arruinada por ter se entregado tanto. Era uma libertina completa. Como se esquecera de que seu escritrio sequer tinha chave?
   - Sem dvida - ele brincou contra o rosto dela, enquanto dava outro beijinho em sua testa. - Voc  muito inocente para conduzir um encontro desses  sua maneira.
   - E voc no ? - ela perguntou, sentindo-se repentinamente vulnervel pela sensao de ainda estar presa ao corpo dele.
   - Abandonei minha inocncia h tempos, mas, se est pensando que sexo no escritrio  normal para mim, asseguro que no .
   Por alguma razo, ela se sentiu melhor do que deveria. O passado dele no importava, mas saber que ele quebrava regras com ela, sim.
   Ele saiu de dentro dela sem se mover, para impedir que ela fechasse as pernas. Ele usou os lenos de papel da mesa dela para limp-la e ela julgou aquele ato 
to ntimo quanto o que tinham acabado de compartilhar, e bem mais constrangedor.
   - Marcello...
   - Assim ficar mais confortvel.
   Ela no sabia mais o que dizer, ento agradeceu, encabulada.
   Ele a observou e sacudiu a cabea.
   - Como pode corar agora quando h alguns segundos estava me recebendo no seu corpo com uma paixo que queimaria o sol?
   Ela sentiu o calor das bochechas aumentar e mordeu o lbio. Quando ele continuou a observ-la de forma inquisitria, ela admitiu.
   - Quando voc me toca, esqueo tudo.
   Ele continuou cuidando dela com toda ateno.
   - Estou tocando voc agora.
   - No  a mesma coisa.
   - No , mas parece que meu corpo no sabe disso. Ela olhou para baixo e percebeu que ele estava ficando excitado novamente.
   - No pode estar querendo... novamente!
   - Quero. No tenha dvida... mas no farei de novo. No aqui. No devia t-la beijado antes. No acredito que fizemos isso no seu escritrio. No foi meu momento 
mais brilhante.
   - Voc fala como se estivesse arrependido de fazer amor comigo. - E embora concordasse que eles no tivessem sido muito cautelosos, essa constatao ainda doa.
   Afinal de contas, no havia acontecido nada demais.
   - Nunca me arrependeria do tipo de prazer que encontro no seu corpo.
   Ele terminou o que estava fazendo e finalmente se afastou para que ela fechasse as pernas.
   Ele abotoou a camisa e colocou a cala rapidamente.
   - Voc falou isso na primeira vez que fizemos amor. Lembra?
   - Como poderia esquecer? - ela perguntou enquanto se arrumava, impaciente para se recompor, agora que a paixo no obscurecia mais seu raciocnio.
   - Fui seu primeiro amante e voc no se arrependeu, mesmo eu no tendo feito promessas que uma virgem espera do primeiro amante. - Ele falou, sem olhar para ela.
   - Vamos falar sobre isso novamente? - Uma vez fora o suficiente para ela.
   Ele suspirou estranhamente, considerando o que tinham acabado de fazer.
   - No precisa.
   - timo. - Alm disso, promessas so promessas. Ele demonstrou de vrias formas que ela era especial para ele. Ela terminou de se vestir, jogando a calcinha 
no lixo ao perceber que no poderia mais us-la. - Vamos nos ver  noite?
   - Tenho planos para hoje  noite.
   - Negcios? - ela perguntou.
   - Faz diferena?
   Ela franziu a testa.
   - Depois da nossa conversa de ontem  noite, precisa perguntar?
   Ele sacudiu a cabea com impacincia.
   - No vou sair com outra mulher.
   - Ento,  negcio.
   Ele simplesmente deu de ombros, o que no era uma resposta. Ela estava se preparando para pressionar quando ele pegou a calcinha dela no lixo.
   - O que est fazendo? No vai me dizer que quer uma lembrana?
   - No seja grosseira. No quero deixar aqui para que a equipe de limpeza ache. Pode causar rumores.
   - E no acha que a porta fechada vai causar isso?
   - H muitas razes alm da necessidade de fazer sexo selvagem em um escritrio quando me reno com um funcionrio, mas no h razes alm de sexo para justificar 
uma calcinha rasgada na lixeira.
   - Sei. E claro, seria uma grande tragdia se algum suspeitasse que est fazendo amor comigo.
   Ento, ele se preocupou.
   - J falamos sobre isso.
   - Sim.
   Ele a puxou na sua direo, mas ela no se entregou como de costume. Ele suspirou.
   - Acredite ou no, estou protegendo voc tanto quanto a mim. Voc no sabe como esses escndalos podem ser perversos.
   Lembrando da histria que seu antigo namorado a fizera viver, ela sacudiu a cabea.
   - Est errado. Eu sei. S no tenho tanto medo quanto voc.
   Ela tambm se lembrou da forma como ngelo respondera s horrveis histrias. Ficou ao lado de Tara, orgulhoso por ser o seu amor. Mas ngelo queria se casar 
com Tara.
   Marcello parecia terrivelmente ofendido.
   - No tenho medo.
   - Seja o que for.
   - Est tentando discutir? - ele perguntou em um tom que demonstrava que no podia acreditar nisso, depois do que haviam feito.
   E ela no queria. No mesmo.
   - No.
   Ele pegou o relatrio na mesa dela.
   - Preciso ir.
   - Sim.
   - No gosto de v-la assim.
   - Assim como?
   - Sem fulgor.
   Ela no sabia do que ele falava.
   - Estou no modo profissional. No sou fulgorosa aqui.
   - No  verdade. Foi o brilho vivido dos seus olhos que me chamaram ateno logo no incio.
   - Bem, ns dois sabemos que no foi o meu corpo - ela falou, tentando fazer uma piada. Tinha poucas curvas e seu rosto era mediano... ainda ficava surpresa com 
o fato de Marcello t-la escolhido como amante. Secreta ou no.
   - Seu corpo  perfeito, ou no est bvio que penso assim?
   Era bvio. Uma coisa que ela sabia com toda certeza era que ele a achava sexualmente atraente. Ela no entendia isso e no tinha mais certeza se era suficiente.
   Se no conseguisse se convencer de que ele se importava com ela ao menos um pouco, enlouqueceria.
   - Se voc no sair, vai haver especulao sobre o meu desempenho por causa da porta fechada.
   Ele assentiu, analisando-a como se pedisse respostas. Ela no tinha nenhuma para ele. Pelo menos no naquele momento... no naquele lugar.
   Ele parou  porta.
   - Posso chegar mais tarde hoje  noite.
   A oferta no deveria fazer com que ela se sentisse melhor, mas, mesmo que fosse uma pequena concesso, o efeito foi positivo.
   - Se voc quiser.
   - Quero. Gosto de dormir com voc.
   - Mesmo quando no fazemos amor? - Mas ela sabia a resposta. Ele ficava com ela nos dias em que no podiam transar tambm.
   - Mesmo assim, mas hoje no haver barreiras - ele falou, mostrando que novamente os pensamentos deles estavam afinados.
   Esse tipo de sincronia no queria dizer algo?
   Ela s podia rezar para que sim, pois, se fosse apenas um corpo na cama dele, no sobreviveria  dor daquele tipo de realidade.
   
   
   CAPTULO CINCO
   
   Lizzy passou no escritrio de Danette mais tarde para cham-la para jantar, em comemorao  concluso do projeto Crdoba.
   Danette aceitou sem hesitao. 
   - Parece timo! 
   Aquilo parecia bem melhor do que ficar outra noite especulando sobre o que Marcello estava fazendo para no estar com ela.
   - Onde quer comer?
   - Voc escolhe.
   - Sem chances. Essa comemorao  sua.
   Ela sugeriu um de seus restaurantes favoritos. Fora Marcello que a havia levado l. Era um lugar pequeno, administrado por uma famlia e com comida deliciosa.
   Se elas tentassem, talvez Giuseppe, o dono, pudesse fazer algumas sugestes.
   Quando ela chegou, perguntou a Giuseppe se Lizzy j havia chegado.
   - No vai jantar com o prncipe Marcello hoje? - ele perguntou, em vez de responder.
   - No.
   Ele franziu a testa em uma estranha expresso que ela no conseguiu decifrar. Se ela no fosse mais esperta, pensaria que o velho homem parecia preocupado com 
alguma coisa, mas por que se preocupar com o fato de ela ter ido jantar com Lizzy? Mas tudo o que falou foi:
   - Seus amigos esto por aqui.
   Ele a levou para uma mesa no fundo e, somente quando eles chegaram, ela compreendeu as palavras de Giuseppe. Lizzy no era a nica pessoa  mesa. Seu atual namorado 
e Ramon, do departamento de vendas, tambm estavam presentes.
   Ramon havia trabalhado com ela em vrios aspectos do projeto Crdoba. Talvez essa fosse a razo de sua presena, mas provavelmente Lizzy estava querendo bancar 
o cupido. Se esse fosse o caso, Danette iria estrangular a amiga.
   No entanto, ela colocou um sorriso no rosto quando Ramon se levantou para ajud-la com a cadeira.
   - Obrigada.
   - O prazer  meu. Fico contente que tenha aceitado conversar comigo fora do trabalho.
   Lizzy corou de culpa e Danette quase falou que no havia concordado com nada, mas recusou-se a lidar com o ego do cara. No era culpa sua o fato de Lizzy armar 
situaes. Ramon nunca havia passado da gentileza com ela, mesmo tendo uma reputao de namorador. E, na realidade, no podia ficar to chateada com Lizzy tambm. 
Ela no sabia que Danette j era comprometida, embora soubesse que ela no queria Ramon.
   Ela deu de ombros.
   - Culpa de Lizzy. - Ela sabia que era e o olhar que lanou  outra americana dizia isso.
   Lizzy sorriu de volta, aliviada pela sensao de culpa e agora totalmente satisfeita por seu plano ter dado certo.
   Eles estavam comendo salada e po, Ramon jogando todo o seu charme, e Danette tinha de admitir que ele era interessante, quando sentiu um estranho formigamento 
na nuca. Ela perdeu o ar quando viu Marcello com mais trs pessoas.
   Danette reconhecia todos de fotos que via na imprensa. A mulher mais velha, com a mesma cor de cabelo de Marcello e um lindo rosto, era a me dele. O homem 
ao lado de Marcello era seu irmo mais velho, o prncipe Tomasso Scorsolini, e a mulher que resplandescia felicidade ao seu lado era sua noiva, Maggie Thomson.
   Ento, no era um jantar de negcios. Era com a famlia. E ele claramente no quis apresent-la a eles. Ela entendia o fato de manterem a relao escondida do 
pblico, realmente entendia. Podia no gostar, mas ele tinha suas razes. No entanto, por que tinha de ser mantida como segredo para a famlia tambm? Certamente 
nenhum deles faria presso.
   Ele provavelmente sentiu o olhar dela sobre ele, pois virou e seus olhares se encontraram no pequeno mas lotado restaurante. Ele arregalou os olhos e os apertou 
novamente, antes de sua me dizer-lhe algo e ele virar para falar com ela, ignorando totalmente a presena de Danette.
   Aquilo cortou o corao dela como uma lmina afiada e ela tocou o peito, sentindo como se houvesse uma ferida aberta.
   - No  o chefe? - perguntou Lizzy em um sussurro. - O prncipe em pessoa?
   Ramon virou e analisou a todos.
   - Sim,  ele.
   Agora, Giuseppe levava os quatro a uma mesa bem prxima de onde Danette estava.
   Ela no conseguia respirar. No saberia o que fazer se ele passasse por perto sem sequer admitir a presena dela. Pelo menos no trabalho ele sempre estendia a 
cortesia de reconhecer sua presena... como uma das funcionrias da Scorsolini Shipping.
   Salvou-se de descobrir quando Ramon se levantou, sorrindo e estendendo a mo para Marcello, que apresentou  famlia todos da mesa, como empregados da Scorsolini 
Shipping. Ele no se demorou na apresentao dela, e no podia haver indicao para a sua famlia de que ela fosse especial para ele de alguma forma. E era exatamente 
isso o que devia esperar, mas ainda se sentia horrivelmente menosprezada. Aquilo doa e no importava se ele no havia realmente a trado ou se agia como sempre 
disse que agiria.
   O corao dela estava apertado de dor e o resto de seu corpo estava entorpecido.
   Ela respondeu algo no momento das apresentaes, embora no se lembre o qu. Seu crebro no estava funcionando bem. Marcello apertou os olhos e ela imaginou 
se haveria alguma coisa errada, mas ningum mais reagiu estranhamente. Portanto, devia estar tudo bem.
   A conversa continuou, mas no conseguiu conter a dor que ela sentia.
   Lizzy fez um comentrio e todos riram, mas eles olharam para Danette e perceberam que ela havia perdido algo.
   Lizzy sorriu.
   - A cabea dela est nas nuvens. Acabou de terminar um projeto importante e se dedicou tanto que agora os pensamentos esto meio lentos.
   - E eu que pensava que ela estivesse contente por finalmente ter topado sair comigo - falou Ramon, com tanto senso de humor que at Danette esboou um sorriso.
   Todos riam alto, menos... Marcello.
   Em um pequenssimo espao de tempo, seu olhar foi glido, mas ento ele colocou uma mscara de insensibilidade.
   - Est vendo, Marcello? Era isso que deveria estar fazendo, filho.
   - Isso o qu?
   - Como aqueles rapazes, voc deveria estar namorando uma moa legal, mas  sempre trabalho, trabalho, trabalho. - Ela sacudiu a cabea. - Ele no pensa em nada 
a no ser trabalhar. E aqui vemos que h muitas jovens adorveis que trabalham com voc e com as quais voc poderia se socializar.
   - No tenho costume de namorar funcionrias - ele falou com o rosto totalmente srio.
   Danette engasgou e sentiu a face quente como brasa.
   Ento ele no namorava funcionrias? O que era a relao deles, uma srie de encontros clandestinos? Mesmo que fizesse a pergunta a si mesma, conhecia a resposta.
   Era exatamente o que tinham. Uma srie de encontros secretos que para ele no significavam mais que uma noite.
   - Fico contente por no esperar dos seus funcionrios o mesmo princpio - falou Ramon com um sorriso para Danette.
   Lizzy e o namorado concordaram e Marcello simplesmente deu de ombros, mas havia fria no olhar que ele lanou a Ramon.
   Danette no podia deixar assim. No faria isso... no estava certo.
   - Ento voc nunca namora funcionrias? - ela perguntou, com uma voz que soava para ela como vidro estilhaado.
   - Tento preservar minha vida privada - ele falou, para no dizer que no havia respondido.
   - No h mulheres na Scorsolini Shipping com glamour suficiente para o prncipe - brincou Lizzy. - J vi fotos das mulheres que ele namora. Certamente so modelos. 
Quero dizer, caso se casassem, elas virariam princesas, certo? Algum como a srt. Thomsom  adequada.
   Maggie Thomson emitiu um estranho rudo.  Prncipe Tomasso riu para ela.
   - Falei que voc era minha alma gmea. Lizzy revirou os olhos.
   - Isso no  romntico? - ela perguntou para toda a mesa.
   - Muito - falou Danette, sentindo-se o mais longe possvel do romantismo. - Certamente, se Marcello namorasse uma modelo de capa de revista, no teria razes 
para preservar tanto a privacidade.
   As palavras dela tinham uma mensagem para ele que ningum podia entender, mas s depois de falar ela percebeu que usara seu primeiro nome.
   Ela no sabia se a raiva que fazia com que ele apertasse os dentes decorria da mancada dela ou de sua implicncia.
   - Est brincando? - perguntou Lizzy, preenchendo o silncio. - No havia nada de particular naquela foto do signor Scorsolini danando na festa do pai. Uau, que 
casal! - Ela mexeu as sobrancelhas dramaticamente, fazendo todos rirem novamente.
   - Ela foi apenas uma das muitas criaturas lindas com que danou naquela noite - falou Maggie Thomson. 
   - Eu vivo para servir - falou Marcello em uma falsa fachada que ela duvidou que tenha soado natural para os demais.                                           
   Danette tambm no estava bem-humorada.
   - Diga-me uma coisa, prncipe Tomasso, se no se importar.
   Deslizando a mo ao redor da cintura da noiva, ele sorriu para Danette.
   - O que gostaria de saber?
   - Como consegue equilibrar seus deveres de prncipe e sua vida social? Por exemplo, voc danaria com uma mulher, como seu irmo fez, embora declare  sua noiva 
o quanto ela  importante?
   - Ah, lembre-se de que meu irmo  esperto o, bastante para no ter dito isso a nenhuma mulher, por isso essa pergunta no se aplica a ele. Ele  muito adepto 
a chamar a ateno de muitas mulheres. Mas, respondendo  sua pergunta, Maggie me mataria se eu danasse com outra mulher como meu irmo fez na festa do meu pai. 
E com toda razo.
   Todos riram enquanto Danette sentia o sangue sumir de seu rosto. Do jeito que Marcello danou com a outra mulher... ele no a havia simplesmente usado como fachada. 
Estava aproveitando, jogando. Talvez at pensando em uma substituio. Certo, talvez no tivesse dormido com nenhuma delas, mas, ainda assim, sentia uma enorme 
dor no corao.
   O olhar dela cruzou com o de Marcello e ela sabia que, naquele momento, ele tinha sido capaz de captar toda a sua dor.
   Ele xingou, chocando todos ao redor, e prncipe Tomasso perguntou:
   - Qual  o problema?
   - Eu no dancei como um maldito gigol.
   - Eu no disse isso. Voc simplesmente agiu como; o solteiro que  e teve prazer em fazer isso. No meu caso, sou um feliz comprometido.
   Danette sentiu as lgrimas arderem no fundo dos seus olhos e lutou para cont-las. Marcello parecia lvido. Ela no entendia por qu. Afinal de contas, seu irmo 
s falava a verdade.
   Lizzy suspirou, com um olhar sonhador.
   - Isso  to lindo!
   O namorado dela sorriu.
   - Posso ser to lindo quanto, duvida?
   - Vamos deixar que vocs se sentem  sua mesa - falou Danette, sem olhar para Marcello.
   Ela queria que eles partissem e no se importava se no estava sendo sutil. Daquela forma, no saberia como conseguiria se segurar at o fim do jantar. Mas daria 
um jeito. No passaria por idiota em pblico por causa de uma relao que somente ela e Marcello sabiam que existia.
   - E ns vamos deix-los jantar em paz - respondeu Flavia Scorsolini.
   Marcello e os demais seguiram Giuseppe, mas a velha rainha parou ao lado de Danette, colocando uma elegante mo sobre seu ombro e apertando gentilmente.
   - Foi um prazer conhec-la. A todos vocs. Danette olhou para ela, desejando conseguir esconder toda a sua dor.
   - Obrigada - ela respondeu. - O prazer foi nosso.
   Os companheiros dela falaram o mesmo.
   Flavia sacudiu a cabea, como se seus pensamentos a perturbassem.
   - Talvez nos vejamos novamente.
   -  muito pouco provvel. 
   Flavia virou a cabea e analisou Danette por um tenso momento.
   - Duvido. - E sem dizer nenhuma outra palavra, retirou-se.
   - Uau, isso foi estranho. Achou que o chefe estava agindo estranhamente? - perguntou Lizzy.
   - Eu diria que ele estava seguindo o protocolo - retrucou Danette.
   - Pensei que fosse morrer quando voc o chamou de Marcello justamente na frente da famlia. - Lizzy estremeceu. - Fico contente por ele no ser to ligado s 
formalidades quanto alguns italianos.
   - Ele jamais demitiria um funcionrio por isso, mas outros homens sim - completou Ramon.
   E ento ele e o namorado de Lizzy passaram uns dez minutos elogiando Marcello e dizendo o quanto o admiravam.
   Danette deixou a conversa fluir durante todo o jantar, respondendo apenas quando era diretamente solicitada.
   A mesa de Marcello acabou ficando na sua linha de viso e ele pegou um lugar de frente para ela. Ela evitou fit-lo, mas num determinado momento teve de olhar 
e percebeu que ele a encarava. Os olhares deles congelaram, mas ela quebrou o contato antes que ele o fizesse. Naquela noite, j tinha sido suficientemente rejeitada.
   Teve cuidado para no olhar daquela forma novamente, embora tenha sentido os olhos dele sobre ela mais de uma vez.
   Na hora de ir embora, Ramon se ofereceu para acompanh-la at a sua porta e ela gentilmente aceitou.
   Ramon parou na frente da casa de Danette e saiu para abrir a porta para ela.
   - Obrigada, Ramon.
   Ele agarrou os ombros dela e ia dar-lhe um beijo de boa-noite, mas ela puxou a cabea.
   - Desculpe, eu...
   Ele mudou a direo dos lbios e beijou sua face antes de se afastar e sorrir.
   - Tudo bem para mim. O chefe ficou olhando para voc durante o jantar e me olhou de uma forma que me mandaria para a China. Gosto do meu trabalho. Vou ficar com 
ele.
   - Certamente ele nunca o demitiria por me namorar.
   - Talvez no, mas no quero correr o risco. - Ento ele falou srio. - Eu a namoraria mesmo assim, se voc tivesse demonstrado interesse, entende?
   - Sim. No  do tipo covarde. - Ela falou isso para o bem do ego dele, mas sabia que podia estar falando a verdade.
   Afinal de contas, ele tentou beij-la depois de concluir que Marcello estava interessado nela.
   - Cuidado com ele. Ele est em um nvel muito acima dos mortais comuns.                                       
   - Concordo com voc. 
   
   Uma hora depois, quando Marcello chegou, ela estava sentada em uma cadeira, imvel. Sabia que ele viria, mas no o esperava to cedo. Deve ter interrompido a 
sada com a famlia.                                
   Ela queria saber por qu. Certamente no estava preocupado. Sua suprema confiana masculina no permitiria que ele esperasse que nada tivesse mudado entre eles 
por conta de algo to simples quanto um encontro em um restaurante. Mas mudou. Ela no podia mais ser sua amante secreta.
   Ela abriu a porta quando ele saiu do carro.
   Ele caminhou na direo dela com uma expresso implacvel.
   - Que bom que Ramon no est aqui. Em todo o caminho para casa, fiquei imaginando o que faria se o encontrasse aqui, tomando um cafezinho com voc.
   - S posso imaginar a situao - ela respondeu calmamente e sem rancor. Estava to magoada que no conseguia sentir raiva. - Voc teria virado e ido embora se 
tivesse visto o carro dele. Qualquer outra opo arriscaria expor que tivesse vindo me ver.
   - Sua imaginao  pssima. As minhas fantasias se concentravam em muito derramamento de sangue e certamente isso exigiria eu sasse do carro.
   - Que primitivo! - Mas ela no acreditava em uma palavra.
   - Sou primitivo quando o assunto  voc.
   - Pode ser na cama, mas no fora dela. Fantasia  a palavra certa. Voc nunca sairia do carro para brigar. Admita isso.
   Ele j estava dentro de casa e ela fechou a porta com movimentos bruscos e desajeitados. Sentia como se seus membros no lhe pertencessem.
   - Est errada, Danette. Eu teria sado do carro. No duvide disso.  bom para todos ns que as coisas no tenham chegado a esse ponto, mas voc conseguiu.
   - Consegui o qu?
   - No gostou de ver a foto em que eu danava com outra mulher. Eu no gostei de ver voc jantando com outro homem.
   - Acha que sa com Ramon para lhe dar uma lio?
   - Sim. Por que outra razo poderia ter sado com ele?
   Ela podia ter dito que simplesmente havia cado numa armadilha, mas no.
   - Talvez eu quisesse sair com um homem que no tivesse vergonha da minha companhia. - Talvez tenha sido simples assim.
   - Nunca foi uma questo de vergonha - ele praticamente gritou, abandonando a falsa fachada de calma.
   E ela percebeu que era realmente fachada. Todo o corpo dele vibrava de raiva.
   H uma semana, aquilo a deixaria chateada. Agora, nem ligava. Deixe ficar com raiva. Ela ficaria irritada tambm... se no doesse tanto.
   - Ento, por que voc no me apresentou  sua famlia? Eles no so a imprensa e no deixariam a histria vazar.
   - Se minha me pensasse que eu poderia casar, pode apostar que ela deixaria vazar.
   - No est dizendo isso.
   - Voc no a conhece. Pode ser cruel. D a ela uma possibilidade de romance e ela vai planejar o casamento e preparar a lista de casamento, razo pela qual no 
a apresentei  minha famlia.
   - Por que no tem planos de se casar comigo?
   - Porque no quero que minha famlia interfira na minha vida pessoal.
   Ela pensou que, ao crescer com o defeito fsico que levou mais de uma dcada para ser corrigido, aprendera a lidar com todo tipo de dor, mas havia diferentes 
tipos de dor na vida. Percebia que a dor de amar de forma insensata era a mais intensa.
   Mas seu corao, aquele rgo que era mais forte do que ela podia imaginar, persistia em uma esperana.
   - Voc falou que no gostou de me ver com Ramon.
   Os olhos dele explodiram de raiva.
   - No gostei.
   - O que vai fazer a respeito?
   - Vamos direto ao ponto - ele pediu. - O que voc vai fazer a respeito?
   - O que quer dizer?
   - J admiti que voc conseguiu o que queria. No precisa sustentar a farsa de namorar outro homem novamente.
   -  isso? - ela perguntou incrdula. Sua incredulidade amenizou a dor por um instante. - Voc me diz que no gosta de algo e espera que eu no faa novamente.
   - Por que no? Voc gosta de mim. Nossa relao  importante para voc. Voc no quer que acabe.
   - Se isso for verdade, a recproca no deveria ser verdadeira? Voc sabe que me magoou com aquela foto, mas no vejo voc se oferecer para mudar sua imagem pblica.
   - Vou fazer isso.
   A pequena esperana ganhou fora.
   - Est pronto para tornar nossa relao pblica?
   - No, eu falei a voc...
   - No me importo com o que falou. No agento mais isso, Marcello. Preciso que nossa relao seja aberta e honesta. Chega de se esconder.
   
   
   CAPTULO SEIS
   
   - Terei cuidado para no coloc-la na posio de ver uma foto horrvel daquelas novamente.
   - E vai parar de se comportar como solteiro com outras mulheres?
   - No vou danar com elas.
   - Isso no  resposta! Ele suspirou, impaciente.
   - Sinto muito.
   - Sente? Voc realmente se importa com o quanto me magoou ouvir seu irmo falando de voc como se no tivesse um relacionamento? Voc se incomoda em saber que 
corta meu corao ser ignorada por voc como fez no restaurante hoje?
   - Eu no ignorei voc.
   - Tambm no me apresentou como a mulher da sua vida.
   - Voc conhece as razes.
   - Mas elas no so mais suficientes para mim. Sinto muito por detestar expor sua vida particular, mas eu detesto ser o seu segredinho sujo. No posso continuar 
com isso. Di muito, no consegue entender? - ela implorou, com a voz estilhaada.
   Ele a puxou pelo brao e a abraou.
   - No quero mago-la, querida. Por favor, acredite.
   Ela no conseguiu mais conter as lgrimas contra as quais havia lutado durante toda a noite.
   - Amo voc, Marcello. Muito. Preciso saber o que sente por mim.
   Ele ficou imvel e se afastou com uma expresso preocupada, mas sem uma aparente demonstrao de amor.
   - No quero que me ame.
   - O qu?
   - Falei desde o comeo que esse caso era temporrio, que no estava em busca de amor e no tinha amor para oferecer.
   - Estamos juntos h seis meses. Como voc define temporrio?
   - No defino. No temos um limite para o tempo que passamos juntos.
   - S no pode ser a vida toda? - ela perguntou, magoada.
   - No posso dar a voc amor e casamento.
   - No quer ou no vai?
   - Eu amava minha mulher, Danette. Nunca amarei outra mulher.  o destino dos homens da minha famlia amar apenas uma vez.
   Ela ouvia as palavras, sem acreditar. Ele pensava que nunca mais amaria novamente?
   - Por favor, Marcello, sei que sempre h uma certa culpa em se apaixonar novamente depois da morte do cnjuge, mas no jogue fora o que temos por causa disso. 
No acredito que Bianca desejaria isso para voc.
   - No se trata do que ela desejaria.  sobre a minha capacidade de dar a voc o que disse que quer.
   - Um reconhecimento de que tenho um lugar em sua vida?
   - Meu amor.
   - Eu no pedi isso.
   - Pediu. Voc falou que me ama.
   - Eu amo voc.
   - Quer que eu lhe d meu corao tambm.
   - Quero que reconhea seu carinho por mim.
   - Eu me importo com voc.
   - O suficiente para tornar nossa relao pblica?
   - E, quando terminar, voc realmente acredita que ter tornado pblico, ou seja, voc ter se tornado alvo da mdia, vai tornar a situao melhor para voc?
   - Por que tem de terminar?    
   Ele limitou-se a olhar para ela.
   Ela procurava desesperadamente as palavras certas para convenc-lo de que eles tinham algo maior que um caso do qual ele estava determinado a se livrar um dia.
   - Quando comeamos essa relao, voc tentou manter distncia, mas agora estamos praticamente morando juntos. Eu sou importante na sua vida.
   Precisava que isso fosse verdade. Por favor, diga que  verdade.
   - No nego isso. Fazemos sexo incrivelmente e adoro a sua companhia, mas voc no deveria construir castelos por causa dessas coisas. - Ele a puxou novamente 
para os seus braos, seu toque era suave e confortante. - No quero mago-la, mas s  justo para mim se eu for honesto. No quero me casar com voc.
   Talvez no conscientemente, mas ela tinha de fazer com que ele visse que ela tinha um papel maior na vida dele do que ele insistia em atribuir.
   - Se no me v como parte do seu futuro, por que  to descuidado em relao  contracepo, Marcello? Metade das vezes que fazemos amor, voc esquece a camisinha.
   Ele ficou novamente imvel.
   - Isso no  uma indicao de que vejo futuro com voc.
   - O que , ento? - Ela se afastou para olhar para o rosto dele. - Voc no  irresponsvel. No arriscaria uma gravidez se l no fundo do seu corao no suportasse 
se casar comigo.
   Ele sorriu, parecendo desconfortvel. Ser que ela estava conseguindo toc-lo?
   - Eu no arrisco gravidez. Como voc era virgem e eu sempre pratiquei sexo seguro, no arrisco nada.
   - No seja ridculo. No estou tomando plula e voc sabe disso.
   Ele suspirou.
   - No gosto de falar sobre isso, mas vejo que no tenho alternativa. Sou estril, Danette. Ou quase.
   - Do que est falando? - Aquele homem vibrante era incapaz de fazer filhos? No podia acreditar.
   - Tenho uma baixa contagem de esperma que foi detectada no segundo ano do meu casamento. Bianca e eu tentamos ter um beb at ela morrer, mas nunca conseguimos.
   - Baixa contagem de esperma no significa esterilidade.
   - O que sabe sobre isso?
   - Passei mais tempo nas salas de espera de hospitais na minha infncia e na adolescncia do que a maioria das crianas passa no parque ou no shopping. Li muitas 
revistas. Voc ficaria surpreso com o que pode aprender.
   - Como criana?
   - Meu tratamento acabou quando eu tinha 19 anos.
   - Que tipo de tratamento? Por que nunca me falou sobre isso?
   Ela se esquivou dos braos dele.
   - Por que no me contou sobre sua suposta esterilidade?
   - No era algo de que precisasse saber.
   - Est errado. Eu tinha o direito de saber a razo pela qual estava jogando roleta-russa com meu corpo. Sups que, se no conseguiu engravidar a mulher que amava, 
no poderia engravidar mais ningum.
   Certo?
   - No  roleta-russa. Eu no posso engravid-la.
   - Fui muito idiota. Pensei que estava comeando a sentir alguma coisa, mas na realidade os atos que pensei que poderiam provar isso diziam justamente o contrrio. 
- Aquele reconhecimento doa mais que tudo naquela noite. Como fora ingnua de imaginar que era importante para ele. - Voc me acha to desimportante, to incompatvel 
com a sua vida, que sequer se preocupa se vai me engravidar, porque supe que no pode. No passo de um corpo na sua cama... Uma amante secreta e descartvel. - 
As ltimas palavras saram em um sussurro.
   - Isso no  verdade.
   - Os fatos falam por si, Marcello. Pena que eu no os tenha conhecido antes. - Oh, como gostaria.
   Ela virou de costas para ele, precisando de mais distncia.
   - V embora! Ele levantou a mo.
   - Danette...
   -  srio, Marcello. Saia da minha casa. No quero que volte mais aqui.
   - Mas o que mudou entre ns? Nada. Sou o mesmo homem que voc recebeu com prazer dentro do seu corpo hoje  tarde.
   - Novamente sem camisinha.
   - Eu falei a voc: no correr risco de engravidar.
   - Est errado, Marcello. Sobre isso e uma srie de coisas. Tudo mudou. Finalmente percebi o quanto represento pouco para voc.
   - Isso no  verdade. J falei que poderia mudar minha imagem pblica.
   - E acha que essa  uma grande concesso?
   -  mais do que ofereci a qualquer mulher desde a morte da minha esposa.
   - Que generoso!
   - Droga, querida...
   - No me chame de querida. No existe amor no que sente por mim. Foi o que voc disse.
   - Voc acha que eu no a amaria, se pudesse? No farei com voc o que meu pai fez com a minha me.
   - Divorciar-se de mim?
   - Ele no se divorciou dela. Ela se divorciou dele. - Ele suspirou. - Eles se casaram porque ela estava grvida de mim, mas ele j tinha tido o amor da vida dele 
e seus sentimentos pela minha me no eram suficientes para que ele evitasse outras mulheres. Ela descobriu que ele tinha um caso e o deixou.
   - Inteligente.
   - Sim, e sou inteligente o suficiente para reconhecer meus prprios limites.
   Ele no a amava. Nunca amaria. Sequer a queria o suficiente para pensar que seria fiel, se fossem casados. No que ele tenha considerado algum futuro com ela, 
independentemente das desiluses que ela teria de enfrentar.
   - Eu queria ser inteligente, mas fui burra o bastante para me envolver com voc e ficar em uma relao que voc insiste em manter em segredo porque me convenci 
que voc se importava. Ramon tinha razo. Eu no sou do seu nvel e nunca serei. Fui uma completa idiota de pensar que voc realmente se importava comigo, mas, se 
eu for olhar minha vida amorosa, no sou um Einstein no assunto.
   - No me compare com o verme que voc deixou nos Estados Unidos.
   - No se preocupe. Vocs no esto sequer na mesma estratosfera.
   - No mesmo.
   - Ele apenas machucou meu corao; voc o detonou. Ele me usou para progredir na carreira dele, mas voc apenas me usou, ponto. Voc est muito alm dele no quesito 
"homens que no se importam se magoam uma mulher".
   - Eu me importo por ter magoado voc. J no falei? Fui honesto com voc no comeo. Arrisquei ser rejeitado para lhe contar a verdade. Fui honesto com voc hoje 
 noite, compartilhando uma parte dolorosa da minha vida para mostrar a verdade da nossa relao. No sou um homem desse tipo!
   - Tudo isso s prova que eu deixei que me usasse, e no que voc no o tenha feito. Mas no vou mais permitir que me use.
   - Eu no uso voc. O que temos  mtuo.
   - No temos nada. No mais.
   - Isso no  verdade, querida. Temos uma relao muito especial.
   - To especial que voc no quer que ningum saiba sobre isso. To especial que voc no apenas jamais me amar, como tambm no quer o meu amor. Isso no  
especial,  sexo puro. Pior...  algo pattico.
   Ela poderia dizer que ele estava frustrado, que ele no sabia o que dizer. Queria dizer a ele "Bem-vindo ao clube". Porque ela no sabia mais o que dizer para 
mudar a cabea dele, e vice-versa.
   Ele fechou a mo.
   - No quero perder voc.
   Ela sacudiu a cabea, sofrendo dolorosamente.
   - J perdeu.
   - No vou implorar.
   - Nunca esperaria isso de voc. O que espero  que me respeite e saia da minha casa.
   Ele se recomps.
   - Ento que assim seja! Podemos conversar quando voc se acalmar.
   Ele a puxou e a beijou com uma ternura que ela no pde combater. Quando terminou, ela estava abraada a ele.
   - Acho que est errada. Acho que ainda existe muita coisa entre ns.
   - Sexo? No  suficiente, Marcello. Nunca poderia ser.
   Mas ele no respondeu. Simplesmente se afastou e saiu.
   Ela desmoronou no cho e soluava diante da enorme dor que sentia por aquela perda. Chorou por tanto tempo e com tanta intensidade que perdeu a voz, e no dia 
seguinte no foi trabalhar, alegando estar doente. Ele ligou para ela no meio da manh e, quando ela reconheceu sua voz, desligou e tirou o telefone do gancho. 
O celular tocou e ela o desligou tambm.
    tarde, ligou para Tara. Ela contou tudo e sua amiga xingava Marcello pelo celular, dez minutos depois.
   - Eu s gostaria que no doesse tanto.
   - Eu entendo, acredite em mim, mas Marcello tinha razo sobre uma coisa... di menos quando voc no precisa dividir a dor e a humilhao com o pblico.
   - Foi bom termos mantido tudo em segredo, porque, se doesse ainda mais, acho que eu morreria.
   - Oh, querida - Tara suspirou. - Vai ficar melhor, mas no imediatamente. Tem apenas de viver um dia de cada vez. Estou aqui para o que precisar. Lembre-se disso.
   - Lembrarei.
   Marcello ligou novamente e dessa vez ela atendeu somente para pedir-lhe que no ligasse mais. Surpreendentemente, ele ouviu e ela no recebeu mais ligaes at 
a noite. Ela passou esse tempo decidindo se pediria demisso ou se iria embora.
   No podia imaginar como reagiria se encontrasse com Marcello no escritrio. No entanto, na realidade, no havia razo alguma para se encontrarem, exceto quando 
ele ia v-la. J tinha tentado fugir da desiluso amorosa uma vez e acabou conseguindo uma dor bem maior daquela que havia deixado para trs.
   Foi trabalhar no dia seguinte, ainda incerta sobre o que faria no futuro e to chateada com isso que sentia nuseas, apesar da fachada de calma que exibia.
   Ela estava fazendo cpias de sua apresentao sobre o projeto Crdoba, quando sentiu a presena dele.
   - Bom-dia, querida.
   Ela virou e encontrou Marcello a menos de um metro de distncia.
   - Marcello. O que est fazendo aqui?
   - J no tivemos essa conversa, antes? - ele perguntou.
   Ela saiu pelo lado, mantendo-se distante dele.
   -  muito fora do comum o presidente da empresa vir  sala de cpias.
   - Nem tanto, se  nesse lugar que se encontra a sua amante.
   - Ex-amante - ela alfinetou. Ele fechou a porta.
   - No estou pronto para ser seu ex.
   Ela olhou para a porta fechada com desconfiana.
   - No se preocupe. No pretendo repetir a cena do escritrio... a menos que seja absolutamente necessrio. Simplesmente quero privacidade para a nossa conversa.
   - Esse no  o local adequado.
   - Voc me mandou embora da sua casa, desligou o telefone na minha cara e passou a manh evitando o escritrio. Em resumo, optou por isso. 
   - Ento, no posso reclamar? 
   - Exatamente. 
   - Olha, sinto muito por no estar pronto para um m rompimento, mas no tenho a inteno de ficar esperando voc me dispensar.
   Ele suspirou, exasperado.
   - No quero dispens-la. Certamente deixei isso claro.
   - Mas vai me dispensar... um dia.
   Ele deu de ombros, mas o movimento casual no ocultou a ferocidade que ela percebia nele.
   - Talvez um dia ns dois venhamos a decidir que ser melhor nos separarmos, mas por que antecipar esse dia se no queremos isso?
   - Porque eu j decidi que para mim  melhor ficar. Longe de voc. - Embora seu corao berrasse no peito que era uma mentirosa.
   - Quero que me d uma chance de mudar o que pensa...
   - No - ela interrompeu, antes que a oferta sedutora a tentasse.
   - Nesse final de semana ser a celebrao do casamento do meu irmo em Diamante - ele continuou, como se ela no tivesse falado.
   - Quer que eu v ao casamento do seu irmo com voc? - Ele s podia estar brincando. No podia estar dizendo isso dessa forma... - Como o qu?
   - Como minha namorada.
   - Sem chance. - Mas ela falou isso mais como reflexo e sua voz saiu muito fraca pelo choque.
   - Voc falou que queria tornar nossa relao pblica. Estou pronto para fazer isso, pois no quero perd-la. - Ele estava rgido de tenso e ela sabia o quanto 
isso era difcil para ele.
   - Eu no rompi com voc para pression-lo. - Ela detestava chantagem emocional.
   - Seja qual for a sua inteno, pensei nisso e percebi que prefiro lidar com a ateno da mdia a conviver com o rompimento do nosso caso.
   Se ele tivesse dito isso na vspera... antes de dizer que nunca a amaria. Ela teria se agarrado  chance de conhecer sua famlia antes de ele ter deixado claro 
que no queria formar famlia com ela.
   - No. - Foi a coisa mais difcil que teve a dizer, e seu corao ferido sangrava ainda mais por isso.
   Ele parecia surpreso e comeou a empalidecer.
   - O que quer dizer com no?
   - T-tem razo... a d-dor do rompimento s seria aumentada... - ela fez uma pausa para respirar fundo a fim de se controlar. Tentou novamente. - Se acontecesse 
diante dos olhos do pblico. E como no h chance de no rompermos, como voc deixou claro, no quero me expor a mais sofrimento e, ainda por cima, ser humilhada.
   - No quero que seja humilhada. No quero feri-la e no quero terminar nossa relao.
   - Devia ter pensado nisso depois de ter dispensado o meu amor - ela falou. - No quero parecer amarga. Desde o comeo voc falou que no me amava, mas eu me convenci 
de que sentia algo por mim. Eu me decepcionei e feri a mim mesma tanto quanto voc o fez.
   - No foi uma decepo. Eu me importo.
   - No o suficiente.
   - Como pode dizer isso? Desde a morte de Bianca, sempre me recusei a ter uma ligao pblica, mas quero fazer isso para continuar com voc.
   - Porque no passa de uma ligao. Eu amo voc. Sinto muito por ter acontecido. Sei que  inconveniente para voc, mas no consigo mais permanecer nesse tipo 
de relao descompromissada que voc estabeleceu. Estava me matando aos poucos e os dois ltimos dias foram os mais dolorosos da minha vida.
   - E estou fazendo o possvel para amenizar essa dor.
   - No  o suficiente.
   - Eu amava Bianca.
   - Eu sei - ela falou magoada, pensando que no precisava ser lembrada disso a todo instante.
   Ele a encurralou at que ela ficasse colada na parede, a centmetros do corpo dele.
   - Sei o que  sofrer. Posso lhe dizer isso. Se eu tivesse a chance de passar mais tempo com Bianca, teria aproveitado... independentemente das conseqncias. 
Voc falou que me ama. Se fosse verdade, voc desejaria a mesma coisa.
   Depois disso, ele se virou e saiu.
   Ela olhou para o vazio por longos minutos depois que ele saiu... seu corao e sua mente estavam em um turbilho. Como podia fazer com que se sentisse culpada? 
Ele menosprezara seu amor e, ainda assim, conseguia fazer com que sentisse que no o amava o bastante. Pacincia se os motivos dele no ecoavam no corao dela.
   Ela o amava. Certo, se eles ficassem juntos novamente, acabariam terminando em algum momento. Seria inevitvel, porque ele no queria se casar e no queria am-la.
   Mas, como ele salientou, a vida era incerta. Bianca havia morrido muito nova, mas no era a nica no mundo. Ningum poderia garantir quantos amanhs ainda viriam. 
Nem ela e Marcello.
   A pergunta que martelou na sua cabea o resto do dia e na manh seguinte quando novamente lutava contra as nuseas era se seria mais doloroso continuar a relao 
com Marcello e arriscar o rompimento futuro ou forar-se a viver sem ele, sabendo que poderia t-lo.
   Ele estava oferecendo mais que um lugar na sua cama... estava oferecendo um lugar na sua vida. Um lugar pblico.
   
   
   CAPTULO SETE
   
   Danette brigava contra os seus dolorosos pensamentos e contra a contnua nusea enquanto apresentava seu relatrio sobre o projeto Crdoba em uma sala cheia de 
representantes de vendas e funcionrios de marketing.
   Ela estava na metade da apresentao quando algum abriu a garrafa trmica de caf ao seu lado e ela sentiu o forte aroma da bebida.
   O estmago dela revirou e ela levou a mo  boca, enquanto corria para o banheiro.
   Quando finalmente aliviou o enjo, lavou a boca e encontrou a diretora de marketing esperando por ela no banheiro.
   - Sente-se um momento antes de voltar para a sua mesa.
   - A apresentao...
   - Instru Ramon a terminar para voc.
   - Mas voc est perdendo.
   - Vou repassar a apresentao quando for para a minha sala. Mas queria saber se voc est bem. Lembro-me desses mesmos sintomas, e voc aparentou estar surpresa.
   - Ficou gripada recentemente tambm?
   - No com esse tipo de gripe... no h mais de vinte e cinco anos.
   - Esse tipo de gripe?
   - Voc no sabe? - perguntou gentilmente a diretora.
   Mas, de repente, Danette descobriu. No ficava menstruada h seis semanas, mas nunca foi muito regular, por isso no ficou preocupada. Especialmente nos ltimos 
dias. Primeiro, sentia saudades de Marcelo. Depois, brigava contra esse sentimento... no dava para pensar com clareza.
   - No  possvel - ela falou, sabendo que era.
   - Tem certeza?
   - Ele achava que eu no poderia engravidar - ela falou, tonta ao perceber o que acabara de dizer.
   - E voc arriscou mesmo assim? - A diretora sacudiu a cabea. - As jovens de hoje em dia... como pde ser to ingnua?
   - No estava sendo ingnua. - Bem, talvez estivesse. - No em relao a isso. Eu no me importava com o risco.
   - Espero que seu namorado pense da mesma forma.
   Ela duvidava. Marcello no queria filhos com ela. Ele resistiria a isso, ela tinha certeza. Mesmo que a tenha irritado muito, era um cara responsvel, mas no 
podia ter deixado mais claro que no queria uma famlia com ela.
   Ela sorriu sem foras para a outra mulher.
   - Obrigada por ter vindo ver como eu estava.
   - De nada. Mas, se eu fosse voc, ficaria longe das garrafas de caf.
   Danette se arrepiou.
   -  o que farei.
   
   Marcello parou no caminho entre seu escritrio e o de sua assistente quando ouviu o nome de Danette.
   - Ela saiu da sala to rpido que pensei que fosse dar de cara na porta - comentou um dos profissionais de marketing.
   - E a diretora a seguiu?
   - Depois de pedir a Ramon di Esperanza para concluir a apresentao, sim.
   - Espero que esteja bem. Danette  um amor e trabalha muito bem.
   - Oh, tenho certeza que sim, mas no creio que essa doena v passar logo, se  que voc me entende.
   - O que quer dizer? - perguntou a assistente dele.
   - Bem, lembro que eu era muito sensvel ao cheiro de caf quando fiquei grvida do meu primeiro filho. Ela agiu da mesma forma.
   - Acha que Danette est grvida? Mas ela no namora ningum.
   - Basta uma noite.
   - No acho que ela seja do tipo de ficar com um cara em uma noite.
   - Talvez esteja certo, mas ela voltou perfeitamente bem para o escritrio, agora. Se no for o costumeiro enjo matinal, ento no sei o que .
   Marcello voltou para o escritrio dele tonto diante da possibilidade de Danette estar grvida. Ser que o beb era dele?
   Tinha de ser.
   Mas como seria possvel?
   As palavras de Danette ecoavam na mente dele. Baixa contagem de esperma no significa esterilidade. Voc brincou de roleta-russa com o meu corpo.
   Brincou, mas no teve a inteno. No podia acreditar que a tivesse engravidado, depois de anos tentando com Bianca. Ele supunha que jamais engravidaria uma 
mulher e decidiu que no se casaria novamente por causa disso. Sofreu muito no seu casamento com Bianca por causa da impossibilidade de engravid-la.
   Estava determinado a no entrar naquela situao novamente. A sua incapacidade de gerar um filho no ventre dela ameaou o que teria sido um casamento perfeito.
   Danette no podia estar grvida. No era possvel. A moa da rea de marketing estava equivocada.
   Ele pegou o telefone.
   A assistente atendeu.
   - Sim, signor Scorsolini.
   - Por favor, pea a diretora de marketing para vir ao meu escritrio.
   Uma hora depois, ele obteve algumas respostas e ainda se recuperava do que acabara de ouvir. Danette acreditava que estava grvida e que ele fosse o pai.
   No que tenha dito isso, mas falou  diretora de marketing que o pai da criana no julgava possvel engravid-la. Isso significava que s podia ser ele. No 
que ele duvidasse seriamente da fidelidade dela.
   Ela era dele, e sempre fora, desde o primeiro encontro. Ainda no tinha a gravidez confirmada, pois ainda no havia percebido, at a diretora insinuar. Entretanto, 
ele queria acreditar nisso.
   Estava desesperado para acreditar.
   Primeiramente, a diretora de marketing hesitou em contar a conversa que tivera com Danette no banheiro, mas ser presidente da empresa tem certas vantagens. Demonstrar 
preocupao com seus funcionrios era uma delas.
   Depois que ela saiu, ele sentiu uma forte vontade de comemorar e pediu  assistente para chamar Danette. Ela olhou para ele com uma certa especulao, mas ele 
no se permitiu demonstrar nada do que sentia. Era bom nisso. Aprendeu cedo, quando a imprensa seguia cada passo seu, a no demonstrar os sentimentos e a no 
expressar sua vulnerabilidade.
   No mesmo dia, pela manh, quando convidara Danette para ir ao casamento do irmo na ilha Diamante, se aproximou mais de uma mulher do que fizera em anos. A recusa 
dela o surpreendeu e magoou, e ele precisou de todo o controle para no demonstrar o quanto.
   Depois de algumas horas pensando e pouco trabalho feito, ele havia conseguido at entender o ponto de vista dela. Ela o amava, mas ele no podia fazer promessas 
para o futuro. No entanto, parte dele questionava a fora desse amor, j que ela era capaz de deix-lo com tanta facilidade.
   Tudo mudou e ela logo saberia.
   - A srta. Michaels saiu mais cedo hoje, signor Scorsolmi - avisou a assistente.
   - Sei. Voc sabe por qu?
   - Acho que passou mal hoje cedo. Deve ter ido descansar.
   Marcello aquiesceu.
   - Por favor, cancele minha agenda de hoje  tarde.
   - Mas signor Scorsolini, o senhor tem...
   - Passe tudo que for urgente para o vice-presidente. - Ele tinha algo bem mais importante para cuidar e nada mais o impediria naquele momento.
   
   Danette lia o resultado do exame de gravidez pela centsima vez e ainda no conseguia acreditar. Carregava um beb de Marcello. Ela acomodou a mo sobre a barriga 
e pensou na pequena vida que crescia ali dentro.
   Se tivesse energia, entraria na internet para pesquisar remdios, mas estava to cansada que s pensava em se deitar.
   Estava indo fazer isso quando uma forte batida  porta a impediu.
   Ela abriu e confirmou o que pressentia: era Marcello.
   No podia saber sobre o beb. Ainda no. Ela mal sabia sobre isso. Talvez tivesse ouvido falar que ela sara mais cedo por estar doente. Talvez tivesse ido verificar. 
Sempre se preocupou com a sua sade, paparicando-a quando ficava menstruada e comprando bastante chocolate...
   Ele bateu novamente  porta.
   - Abra, Danette. Sei que est a!
   Ele parecia mais impaciente do que preocupado. Ela abriu a porta.
   - Ol, Marcello, o que o traz aqui?
   - O que acha? - Os olhos azuis dele a examinavam com cautela. Ela deu de ombros.
   - No tenho a menor idia.
   - Passou mal na metade de sua apresentao hoje de manh.
   Ela no se surpreendia por ele ter ouvido. Os rumores da empresa eram mais eficientes do que qualquer jornal de fofocas.
   - Ento ficou preocupado e decidiu vir ver como eu estava?
   Ele entrou na sala, apertando gentilmente os ombros dela.
   - Pode-se dizer que sim.
   - No precisa. Estou bem. Foi apenas um mal-estar temporrio.
   - No foi o que a diretora de marketing me falou. Na realidade, na opinio dela, seu mal-estar dever durar alguns meses.
   - Ah, no...
   Ele franziu a testa, claramente chateado com a reao dela.
   - Ah, sim. E no gostei de ser o ltimo a saber.
   - Saber de qu?
   - Que est grvida.
   Ela sentiu uma enorme falta de ar e balanou quando tudo ficou preto ao redor. Ele a agarrou e a tomou nos braos, levando-a para o quarto.
   - Est bem? J marcou uma consulta com o mdico?
   - Estou bem. S fiquei tonta por um minuto. De qualquer forma, s confirmei com um teste caseiro. Ainda no tive tempo de marcar uma consulta.
   - Foi o que a diretora pensou, que voc no soubesse que estava grvida.
   Lembrando da acusao dele na sala, ela ficou imvel em seus braos.
   - Ento, qual foi o alarido por ter sido o ltimo a saber?
   Ele corou.
   - No estou pensando direito. Desculpe.  que eu preferia ter ouvido as notcias diretamente de voc. Do outro jeito no foi legal.
   - Se voc me perguntar, no tem nada de legal nessa situao.
   Ele interrompeu o processo de deit-la na cama.
   - Como pode dizer isso?
   - Oh, no sei. Estou grvida de um filho que voc no quer. Terminamos recentemente nossa relao e todos pensam que fiquei grvida depois de um encontro de 
uma noite, pois nossa relao  secreta.
   Ele a acomodou gentilmente na cama e sentou-se ao seu lado, passando a mo possessivamente na barriga dela, o que levou lgrimas aos olhos dela, por alguma 
razo.
   - Naturalmente, tudo mudou. E, por favor, nunca mais repita que no quero este beb.
   - Mas como pode?
   - Como no posso? Um beb  um presente de Deus. Um presente que nunca pensei que teria. Acreditava que jamais seria pai, e agora sei que serei. No estou tentando 
ver o melhor de uma situao ruim. Estou emocionado. - E os olhos dele brilharam com uma felicidade to profunda que ela no podia duvidar. - Quero esse beb mais 
do que poderia explicar para voc.
   Ela estava equivocada. Mortalmente equivocada. Marcello estava totalmente convencido de sua esterilidade. Isso era bvio. Ela estava errada ao pensar que ele 
no se importava com as conseqncias de fazer sexo sem proteo com ela, pois ele realmente acreditava que fosse estril. Mas isso no significava que a recproca 
fosse verdadeira... que ele gostava dela como ela gostava dele.
   Ele realmente queria aquele beb que ela carregava, mas isso no tinha nada a ver com o fato de ela ser a me. Ele queria ser pai e o fato de ela ser o veculo 
que faria isso acontecer no fazia com que ela tivesse um local especial no corao dele... s na sua vida.
   Ao se lembrar da realidade, ela no conseguiu evitar um pequeno sorriso. Nunca tinha visto Marcello to feliz, e gostava disso.
   - Que bom que ficou feliz com o beb!
   - Estou feliz, tesoro mio, muito feliz. - ele sorriu para ela e roou um pequeno crculo na barriga dela. - Ser que conseguiremos fazer um casamento duplo com 
meu irmo? Ele planeja fazer um casamento bem discreto, ento seria perfeito.
   - De que diabos est falando?
   - Devemos nos casar o quanto antes.
   Bem, ela no estava errada quanto a isso. Ele queria se casar com ela, como ela pensou que ocorreria se engravidasse, mas a perspectiva nem chegava perto da que 
um dia havia imaginado, quando chegou a acreditar que ele gostasse dela. Mas tambm no repudiaria isso agora.
   A reao dela  possibilidade de ir ao casamento do irmo dele fora o suficiente para convenc-la de que, independentemente dos sentimentos de Marcello, ela 
o amava. Afastar-se dele seria um caminho doloroso.
   - Voc est indo rpido demais para mim, Marcello.
   - O que quer dizer? No pode me dizer que no quer se casar comigo. - A feliz aceitao da paternidade abriu caminho a uma resoluo impiedosa. - De acordo com 
voc, o grande inconveniente de manter uma relao comigo era a possibilidade de um dia terminarmos. Se nos casarmos, esse bicho-papo vai sumir para sempre.
   - No  um bicho-papo.
   - Seja o que for. O medo ser infundado no casamento.
   - Os casamentos podem terminar... em divrcio. - Ele sabia melhor do que ningum. Pelos prprios pais.
   Ele colocou a outra mo no ombro dela, como se a abraasse para impedi-la de partir.
   - No haver divrcio.
   - Haver se voc achar que poder escapar e ser infiel como seu pai. Sou to intolerante quanto sua me em relao a esse tipo de coisa.
   Ele se levantou e ficou de p ao lado da cama como um anjo vingativo.
   - Como ousa me acusar disso? Nunca fui infiel nessa relao e considero os votos do casamento sagrados.
   - Foi voc que me disse que no planejava se casar porque no acreditava que conseguisse ser fiel.
   - Isso foi antes.
   - Antes de qu?
   - De voc engravidar - ele respondeu, como se isso explicasse tudo.
   - Bem, sua me tambm teve um filho do seu pai e isso no o impediu.
   Ele cruzou os braos e olhou para ela.
   - No sou meu pai. No vou me comportar assim.
   - Como pode ter certeza disso? - E como ela poderia?
   - Porque tenho, est bem? Dou minha palavra de que no levarei outra mulher para a cama.
   - Tenho certeza de que seu pai falou a mesma coisa.
   - Est se recusando a se casar comigo? - perguntou Marcello, com fria na voz. - Pense bem antes de responder, porque aviso a voc que, casado ou no, no serei 
pai do meu filho em meio perodo.
   Oh, droga. Ela nem sabia o que ele queria dizer com isso.
   - Eu no gostaria que fosse e no estou me recusando a casar. S estou dizendo que preciso de algum tempo para pensar. Hoje de manh, j no tnhamos mais uma 
relao...
   - Por sua escolha, no minha.
   - Sim, concordo, mas, se no consegue ver o que levou ao nosso rompimento, no sei o que dizer para ajud-lo a enxergar. E, francamente, a notcia da gravidez 
caiu sobre mim como uma grande guinada.
   - Uma guinada positiva, suponho.
   Ela virou a cabea, as lgrimas aparecendo para atrapalhar. Como poderia responder? Sob vrios pontos de vista, estava muito emocionada por esperar um filho dele, 
mas no podia esquecer as dvidas que a haviam levado a optar por no querer um beb. Elas no haviam desaparecido da forma que pensou.
   - No quer meu filho? - ele perguntou, parecendo dez vezes mais irritado do que antes.
   Ela sacudiu a cabea, mas ainda no queria olhar para ele. No conseguia pensar direito quando olhava para ele, e precisava pensar.
   - No  isso.
   - O que , ento?
   - Eu no tinha planos de engravidar.
   - Agora ou nunca.
   - Nunca.
   - Voc no fazia nada para evitar, embora eu sempre esquecesse a camisinha.
   - Eu sei. - Porque ela tinha sonhos e esperanas... s que s vezes, quando os sonhos se tornam realidade, podem ser terrveis.
   - Ento, deve ter pensado em engravidar, pelo menos um pouco.
   - Pensei, mas era mais fantasia que realidade.
   - E agora que  realidade, est infeliz?
   - Infeliz, no... assustada - ela admitiu.
   Ele sentou na cama novamente e tocou a testa dela com um terno carinho.
   - Por que tem medo? Por causa de sua carreira?
   - Por causa dos meus genes.
   Ele merecia a verdade. Ele tinha o direito de saber os riscos que a criana enfrentaria, mas tinha de procurar as palavras certas. Nunca havia planejado essa 
conversa.
   - Preciso lhe contar uma coisa, Marcello.
   - Voc ainda no casou. Era virgem quando fizemos amor pela primeira vez, claro que no podia ser casada - ele falou, como se conversasse consigo mesmo.
   Ela virou para olhar para ele e sorriu, quase sem fora.
   - No, no sou casada.
   - E o beb  meu. No tente me convencer do contrrio, porque no vai funcionar. Voc  mulher de um homem s, e eu sou seu homem.
   - Claro que o beb  seu, no tenho a menor inteno de convenc-lo do contrrio.
   - Ento nada pior pode justificar seu olhar de descontentamento.
   -  o que pensa.
   - Ento me conte seus problemas que eu vou solucionar.
   - No pode.
   - Tem certeza? - ele perguntou, enquanto pegava sua mo e acariciava a palma com seu polegar.
   - Sim. Nesse caso, no h nada que possamos fazer alm de ter esperana.
   - Diga o que .
   - Sinto muito. - Ela engoliu em seco. - No quero fazer uma tempestade em copo d'gua. E muito difcil para mim falar sobre isso, mas, quando tinha quinze anos, 
decidi que no engravidaria.
   - E por qu? - ele perguntou, com um olhar indulgente.
   - Porque passei os nove anos anteriores em uma prtese que pega todo o dorso para corrigir uma deformidade postural gentica, e ainda tinha mais por vir, e detestava 
a idia de que meu filho passasse pelo mesmo problema.
   - Que cosa?
   - Quando eu tinha seis anos, diagnosticaram um caso severo de escoliose juvenil.  uma forma extremamente rara da doena. Meus mdicos esperavam evitar uma grande 
cirurgia.
   - No sabia que escoliose demandava cirurgia.
   - Em geral, no, mas em casos raros o risco de morte por estresse do corao pela deformidade da coluna vertebral ou paralisia  to grande que se sugere a nica 
soluo que representa menos riscos. Meus pais e mdicos queriam evitar isso, mas, para tanto, tive de usar uma prtese vinte e quatro horas por dia, at completar 
dezenove anos, quando os mdicos se convenceram que eu no cresceria mais. Mesmo assim, durante os dois anos seguintes, tive pavor que minha coluna recuperasse 
a curvatura que a deformava.
   - Quer dizer que essa doena  hereditria?
   - No, no exatamente, mas minha me tambm teve. E se nosso beb nascer assim tambm? Sinto muito. Devia ter contado antes, mas me convenci de que, se eu engravidasse, 
era porque devia ser assim, e nosso beb no teria a doena. S que agora que estou grvida, s consigo pensar nisso. Estou com tanto medo, Marcello.
   Ele a abraou.
   - Est bem agora? A gravidez no representa riscos para a sua sade?
   - No, nenhum. Tive uma correo de curvatura de oitenta por cento. Na realidade, foi um milagre, e no h limites para meu estilo de vida por causa da escoliose.
   - Ento seus receios so apenas em relao ao beb?
   Ela assentiu.
   - Sinto muito - repetiu, com a voz trmula pelas lgrimas.
   - Pare de pedir desculpas. Esse beb  um presente. Acredite.
   Ela olhou para ele e o calor de seus olhos a encheu de esperana.
   - Mas...
   - Olhe para voc. Est bem agora. Mesmo que nossos filhos tenham essa doena, a vida deles no ser alterada.
   Ela sorriu quando lembrou a dor.
   - Fale isso para uma menina de treze anos que se olha no espelho e v apenas a prtese, e no o corpo sob ela.
   - A prtese  muito pesada?
   - No. Na realidade, com as roupas adequadas, mal dava para dizer que eu a estava usando, mas meus pais eram muito protetores.
   - De que forma?
   - Minha me me incentivou a evitar contato fsico com outras pessoas para que elas no soubessem da prtese.
   - E eles a abraavam?
   - No. Eu no incentivava contato fsico com ningum.
   - Isso explica tudo.
   - O que quer dizer?
   - Nada importante.  que s vezes h uma parede invisvel ao seu redor.
   - Nunca percebi que ela o impedia de me tocar. 
   - No impediu, e no vai impedir que eu toque no nosso filho.
   Ela chorou diante dessa certeza.
   - Fico contente, mas precisa levar outra coisa em considerao.
   - O que mais?
   - Interao com outras crianas. Meus pais no gostavam que eu brincasse com outras crianas e passei grande parte das frias escolares dentro de casa lendo 
e fazendo deveres da escola, e no brincando.
   - Como se exercitava?
   - Meus pais me colocaram em um regime muito especfico, sem correr riscos de ser machucada por outras crianas.
   - Isso era necessrio? - ele perguntou, em dvida.
   - Na realidade, no, mas esse no  o ponto, certo? O ponto ...
   - Que nosso filho ser nosso e faremos o melhor para ele, independentemente dos desafios que ele encontrar na vida.
   - No  simples assim.
   - , sim, Danette.
   - No acha que meus pais fizeram o melhor para mim?
   - Sim, mas eles so eles, assim como meu pai  meu pai. Seremos pais diferentes.
   - Mas voc se preocupa tanto com a imprensa... Pode imaginar se eles soubessem algo dessa natureza?
   - Se nosso filho tiver essa doena, faremos um anncio pblico antes de atiar a curiosidade deles. Entendeu?
   - Sim. Sinto muito por no ter avisado, Marcello.
   - J falei para parar de pedir desculpas. Certo? Se realmente acredita que o que contou causou algum impacto na minha felicidade diante da possibilidade de ser 
pai, ou de como me sinto em relao a essa criana, ento no me conhece como pensei que conhecesse.
   - Cheguei a essa concluso anteontem, quando percebi que todas as suposies que fiz ao seu respeito haviam sido erradas. Agora, percebo que minha outra suposio 
foi falha tambm. A verdade  que estou muito confusa em relao a voc agora e vejo que ter engravidado no ajudou muito.
   
   
   CAPTULO OITO
   
   Ele sorriu.
   - J que estamos distribuindo desculpas, sinto muito por t-la magoado.
   Danette estremeceu.
   - Realmente no quero falar sobre isso agora. - Ela bocejou. - No  que no queira conversar, mas estou com tanto sono... Estou cansada demais para discutir 
agora. Voc se importa?
   - No. Pense o que quiser, temos a vida toda para ajustar nossas diferenas. Mas no vou fingir que no a pedi em casamento.
   - Mas no pediu.
   - O qu? - ele perguntou em um tom de voz grave.
   - Voc no pediu. Voc falou que, pelo bem do nosso beb, devemos nos casar.
   Pela segunda vez em poucos dias, ele sentiu a face corar.
   - Devia ter pedido, mas me atrapalhei com a minha felicidade.
   Foi uma admisso to adorvel que ela bateu no peito dele em aprovao.
   - Independentemente do que tenha acontecido, estou feliz por estar contente com o beb.
   - S que uma coisa vai acontecer: vamos nos casar.
   - Vou pensar.  o melhor que posso fazer agora.  Realmente. Minha mente est atrapalhada e sinto que estou gripada, portanto poderia dormir em p.
   - Ento  bom estar deitada. Vou procurar um bom remdio para os seus enjos matinais, mas agora vou lhe oferecer biscoito de gua e sal e ch.
   Voltou alguns minutos depois e a forou a comer meia dzia de biscoitos e beber um copo de gua. Depois, ela caiu no sono, segura por saber que Marcello cuidava 
dela e do beb.
   
   Quando acordou, duas horas depois, sentiu o calor do corpo de Marcello. Era to bom que ela no se mexia, pois no queria que a sensao de paz e segurana acabasse.
   - Est acordada? - ele perguntou atrs dela.
   - Sim. Como soube?
   - Sua respirao mudou.
   - Oh.
   - Minha me nos convidou para jantar hoje. 
   Ela ficou paralisada pela surpresa.
   - Sua me?
   O que ele ficou fazendo enquanto ela dormia, ligando para os jornais e fazendo anncios? Ele a virou para que se olhassem.
   - Minha me. Ficou em xtase por causa do beb, mas igualmente emocionada por eu me casar novamente.
   - Contou a ela sobre o beb? Falou que vamos nos casar? - Ela acordou plenamente diante dessas revelaes.
   - Estamos quase casados. Ela ficaria magoada se, eu no contasse.                                                       
   - Mas eu nunca disse que me casaria com voc.  
   - Vai se casar. Danette respirou fundo.
   - Voc  to arrogante...
   - E de famlia.
   - No tenho dvidas.
   - Ento, vamos jantar e fazer minha me feliz?
   - No sei se a farei feliz ou no, mas gostaria de conhec-la. - Apenas queria que isso tivesse acontecido antes da gravidez, que Marcello quisesse o encontro 
por ela, e no apenas pelo beb.
   
   - Eu no falei que provavelmente nos veramos novamente? - perguntou Flavia depois de beijar a face de Danette no grande corredor da manso Scorsolini.
   - Falou isso? - perguntou Marcello. - Quando?
   - J tinha ido para a nossa mesa. Os olhares que voc lanava a essa moa e ao rapaz que estava com ela naquela noite... eles falavam de forma muito eloqente 
para quem o conhece como eu. Mas fiquei imaginando o que a namorada do meu filho fazia em um restaurante com outro homem. - Ela sorriu para Danette. - Tudo ficou 
claro quando Marcello explicou a razo por no nos ter apresentado ainda, embora estejam juntos h seis longos meses.
   - Ficou? - perguntou Danette.
   - Sim. Ele a manteve em segredo e qualquer homem tolo o bastante para fazer esse tipo de jogo com sua mulher merece v-la com outro homem ocasionalmente, embora 
creio que teria sido necessria apenas uma vez para ele se corrigir.
   Marcello riu.
   - Como sempre,  muito inteligente, mame. J prometi no ser pego mais danando com outras mulheres.
   - Ah, as fotos. Deve ter ficado muito magoada quando as viu.
   - Sim.
   - Fico surpresa por ter concordado em se casar com Marcello, afinal.
   Ele respirou fundo.
   - Mame... - ele avisou.
   Mas Danette sorriu.
   - No concordei. Ainda. Prometi pensar no assunto.
   - Pelo bem do beb? - perguntou a mulher mais velha, enquanto os conduzia  sala de estar. - Agora me conte... - pediu Flavia. - Pretende se casar com meu filho 
por causa do beb?
   O olhar que Flavia lanou a ela era to vulnervel que Danette no teve nenhuma vontade de mentir. Ela no fingiria o que sentia.
   - Se eu me casar com Marcello, ser para o meu bem tambm. Amo seu filho.
   Flavia assentiu, satisfeita.
   - Sim. Posso ver que ama. A forma como olhou para ele naquela noite era muito reveladora tambm... ou devo dizer a forma como evitava olhar para ele?
   - Voc deve ser muito adepta  observao. Meus amigos  mesa no tinham noo do que se passava entre mim e Marcello.
   - Ningum?
   - Bem, o rapaz que estava comigo, Ramon, percebeu que Marcello ficou olhando para mim. Pensou que ele pudesse estar interessado em mim e me deu conselhos.
   - Rapaz inteligente. Marcello  um filho querido, mas sua reputao como playboy...
   - Mame! - ele protestou.
   - Como se essa moa no soubesse! - Ela virou os olhos. - Danette me parece uma moa inteligente. Muito esperta para no perceber o risco que voc representa. 
Ela demonstrou uma tremenda coragem ao admitir estar apaixonada por voc.
   Danette no sabia se ria ou chorava. A rainha no tinha o menor tato quando o filho dela estava envolvido, mas Danette tinha a ntida impresso de que era de 
propsito.
   - Amava o pai dele tambm - falou Flavia a Danette. - O amor no impede a dor. Eu devia saber disso.
   Marcello empalideceu, demonstrando raiva nos olhos azuis.
   - Me, ela j tem reservas suficientes para se casar comigo. No  necessrio que contribua.
   - Bom. Casei-me com seu pai cega e me arrependi, mas ela no ser to tola.
   - Acha que Marcello teria um caso? - perguntou Danette com uma franca necessidade de saber.
   Marcello respirou raivosamente, mas a postura militar de Flavia relaxou e ela sorriu com afeio para o filho antes de olhar novamente para Danette.
   - No, no acho. Se quer saber a verdade, acho que, se eu tivesse ficado casada com o pai dele, ele no teria se perdido novamente. Ainda se sentia culpado por 
dormir comigo logo depois da morte de sua amada mulher. Seu comportamento era totalmente autodestrutivo.
   - Se acreditava nisso, por que ento o deixou? - perguntou Marcello.
   - Eu no acreditava inicialmente. Estava muito magoada. Levei anos para perceber que ele estava sendo levado pela culpa e pela necessidade de se punir por seu 
suposto crime. Acredito que, da mesma forma, ele passou mais de vinte anos tentando se punir pelo crime de ter me trado.
   Marcello parecia atnito.
   - Mas...
   - Sei que ele ensinou a vocs, rapazes, aquela histria sobre os homens da famlia amarem apenas uma vez, mas realmente no percebe o quanto ele se protegeu 
todos esses anos para no deixar nenhuma outra mulher chegar to perto dele quanto a rainha e eu?
   - Fico pensando se est certa.
   - Voc mesmo falou que sou uma mulher inteligente, mas me preocupo com ele. Se no parar de se punir, vai envelhecer solitrio.
   Pessoalmente, Danette no conseguia ver o rei Vicente solitrio, mas ponderava se Flavia no estava certa.
   - Se acredita em tudo isso, por que est tentando convencer Danette a no se casar comigo? - perguntou Marcello em exasperao.
   - Porque ela precisa avaliar o custo. Voc tambm decidiu proteger seu corao e se recusou a am-la.
   - Como pode saber disso? - perguntou Marcello.
   - Porque, se tivesse dito a ela que a amava, ela j teria concordado em se casar. No  verdade?
   Danette assentiu.
   - Se for verdade, sim.
   - Viu?
   - Me, eu amo voc, mas no quero tratar esse assunto com voc, nem na sua frente.
   - Sem dvida.  constrangedor falar sobre os seus erros na frente da sua me, no ?
   - Se Danette e eu vamos nos casar, isso  problema nosso.
   - Se acredita nisso, no devia ter contado  sua me que era um acordo feito - respondeu Danette, torcendo os lbios diante da comicidade da situao.
   Marcello emitiu um murmrio de frustrao.
   - Podemos ir jantar? - ele perguntou, constrangido.
   Danette no sabia como isso havia acontecido, mas o assunto sobre sua escoliose apareceu na hora do jantar e Flavia fez vrias perguntas.
   - Ento, na realidade, no h razo para achar que seu filho ser afetado, h?
   - Mas minha me teve e eu tambm...
   - Mas no h certeza sobre se  hereditrio.
   - Certo.
   - Ento, est se preocupando por nada. Se seus filhos fossem afetados, voc lidaria com isso da mesma forma que faria em relao a qualquer outro problema. 
E evidentemente voc teria minha ajuda experiente.
   Danette e Marcello comearam a rir.
   - Quando voc me falou que arrogncia era caracterstica da sua famlia, pensei que estivesse se referindo ao seu pai, mas agora vejo que vem em dose dupla. 
Imagine se voc fosse o filho mais velho e herdeiro do trono.
   Flavia sacudiu a cabea e seus olhos irradiavam alegria.
   - Marcello detestaria ser o rei... a funo requer muita exposio.
   - Isso  verdade - comentou Marcello em desdm. - Alm disso, Cludio tem que seguir uns protocolos que me encheriam o saco.
   - Mas certamente meu filho herdou bastante autoconfiana masculina e uma certa dose da arrogncia familiar - Flavia retrucou, rindo.
   Marcello apenas deu de ombros.
   - Ento vai ao casamento de Tomasso e Maggie, no vai? - perguntou Flavia.
   - Eu a convidei - falou Marcello.
   - Seu convite foi feito para que realizssemos um casamento duplo, se me lembro bem. - E Danette seria a primeira a admitir que seus pensamentos ainda estavam 
um pouco confusos.
   - Idiota - falou a me dele, com carinho. - Se Danette concordar em se casar com voc, no haver casinho a ser descoberto pelos paparazzi - Teremos um casamento 
 moda siciliana.
   - Esqueceu que ela est grvida? - Marcello perguntou. - Eu preferiria que o casamento fosse realizado antes de nosso filho vir ao mundo.
   A me dele simplesmente sacudiu a cabea.
   - Com seu dinheiro e a influncia de sua famlia, voc pode ter um casamento com todo requinte em apenas um ms, embora no seja muito apropriado enviar convites 
com to pouco tempo de antecedncia.
   - No me importo com quem vai ou no ao casamento - ele resmungou.
   - Eu me importo. Minha me ficaria arrasada se no pudesse convidar todos os amigos e a famlia para o meu casamento. Se eu concordar em me casar com voc, ter 
de concordar com isso.
   Os olhos azuis de Marcello brilhavam de impacincia.
   - Ento o que est me dizendo  que, se finalmente concordar em se casar comigo, terei de me contentar com um enorme casamento siciliano que leva meses para 
ser organizado?
   - No falei isso. Como sua me ressaltou, quando se  to rico como voc e com tanto poder real,  possvel fazer muita coisa em pouco tempo.
   - Ento est dizendo que vai se casar comigo?
   - No falei isso - ela respondeu, impaciente. - Pare de tentar me intimidar. No vai funcionar.
   - Eu falei a voc que amava Vicente quando me casei - falou Flavia.
   Feliz com a mudana no rumo da conversa, Danette sorriu agradecida.
   - Sim.
   - Se eu no estivesse grvida, no teria concordado com o casamento, pois sabia que havia muito risco de ele no me amar. Nunca.
   - Ento se casou pelo meu bem - comentou Marcello.
   Flavia suspirou, pois as lembranas no eram muito agradveis.
   - Sim. No mundo de hoje,  duro nascer filho da realeza e ter de enfrentar toda a imprensa, imagine ser um filho ilegtimo. Paguei um alto preo pela minha insensatez, 
mas no posso dizer que me arrependo. Se eu no tivesse pago, sobraria para voc, at a sua morte.
   Danette compreendeu e seu corao apertou-se diante da possibilidade de seu filho ser magoado por uma deciso tomada por ela.
   - Sei aonde quer chegar. Flavia sorriu, gentil.
   - Sabia que entenderia, mas, ainda assim, deve tomar a prpria deciso. Apenas tenha em mente que a vida na realeza no  para qualquer um. Voc pode ser pobre 
e no ter nada de interessante na sua vida, mas, ainda assim, ser alvo da ateno da mdia simplesmente porque carrega um ttulo com seu nome.
   Depois disso, Flavia fez um tremendo esforo para conversar sobre amenidades e Danette a acompanhou.
   
   - Gostou de conhecer minha me? - ele arriscou, querendo saber no que ela pensava.
   Danette mudou de posio no assento do carro, como se apenas agora tivesse lembrado que ele estava ali.
   Os msculos dele estavam tensos. Ele no estava acostumado a no ser o centro dos pensamentos dela quando estavam juntos. No gostava disso.
   - O qu? - ela perguntou, esforando-se para lembrar o que ele perguntara. - Oh, sim. Gostei muito dela. No foi forte o que ela falou sobre seu pai?
   - Na realidade, faz um estranho sentido.
   - Sim, mas certamente acaba com essa teoria de que os homens Scorsolini amam apenas uma vez na vida, certo?
   - Voc acha? A mame no falou que acreditava que o papai a amava, s que ele estava se punindo por t-la trado. - Mas a vida amorosa de seu pai no era o interesse 
de Marcello naquele momento. - Mame fez uma boa observao sobre a legitimidade do nosso filho e seu futuro.
   - Sim, fez.
   - Ento agora voc vai consentir com o casamento?
   - Est dizendo que o que quer  um casamento no papel para dar legitimidade ao beb?
   De onde ela tirava essas idias?
   - No, quero que seja minha mulher, e no apenas uma esposa no papel.
   - Ontem voc no queria.
   - Hoje  diferente.
   - Sim, hoje voc descobriu que vai ser pai. Isso deve ser muito emocionante para voc. - Ela falou isso de forma pensativa.
   - Considerando o fato de que jamais pensei poder ter um filho, sim. - Entretanto, ele no queria se prolongar nesses sentimentos. Era melhor esquec-los. - Devia 
ter lhe apresentado  minha me antes.
   - Isso acabaria com o segredo da nossa ligao. Voc a ouviu. Sabia que havia algo entre ns quando me encontrou no restaurante e voc fingiu que no me conhecia. 
Se tivesse me apresentado antes como uma simples funcionria, no teria sido bem-sucedido.
   - No foi o que quis dizer. Quero dizer que devia ter lhe apresentado a ela como minha namorada antes.
   Danette no respondeu, sua ateno estava fixada na escurido do lado de fora.
   - E eu no fingi que no a conhecia naquela noite - ele falou.
   - Foi como eu senti.
   - Tratei voc como tratei todo mundo na mesa.
   - O que agora ele podia ver ter sido um grande erro, porque ela usaria isso para provar que no era especial para ele, mas era. Ele a queria de uma forma que 
no queria mais ningum.
   Ela olhou para ele.
   - Doeu porque eu no era todo mundo.
   - Eu no queria mago-la. Deve acreditar nisso.
   - Parte de mim sabe disso, mas a parte magoada no quer saber se essa era sua inteno ou no.
   Como ele deveria responder? No podia corrigir aquilo, o que seria sua inclinao natural. Tudo o que podia fazer era tentar explicar novamente.
   - Eu no sabia que voc estava cansada da minha necessidade de proteger nossa relao com discrio. Quando falamos sobre isso na noite que vim de Isole dei Re, 
pensei que tivesse ficado chateada com a foto da revista, e no com o segredo da nossa relao.
   - A foto destruiu minha sensao de paz sobre a nossa relao.
   - E j pedi desculpas por isso.
   - Mas a foto no teria sido tirada se nossa relao no fosse um segredo.
   - Voc est certa, mas at voc deve admitir que no comeo gostava do segredo. Como eu podia saber que sua reao a isso havia mudado to drasticamente?
   Ela tinha de admitir isso.
   - Era romntico no comeo. - Ela suspirou. - Ficvamos nos movimentando sorrateiramente e isso conferia um tom de proibio sedutor  nossa intimidade. Na realidade, 
no estvamos fazendo nada de errado.
   - No mesmo.
   - Estou grvida e no estamos casados. Confie em mim, minha me diria que fizemos algo errado. Existe uma razo para sexo fora do casamento ser uma m idia.
   - No, no tenho vergonha por voc estar grvida de mim.
   - Eu sei. Ficou at bem orgulhoso disso.
   Ele sentiu um desconhecido constrangimento. Ficara orgulhoso de uma maneira totalmente emocionada, por ter sido capaz de plantar uma semente no corpo dela.
   - Est com vergonha de carregar um filho meu?
   - No posso me sentir  vontade por ser uma grvida solteira, no sou to sofisticada assim. Mas no tenho vergonha de esperar um filho seu.
   - No precisa ser uma grvida solteira. Pode ser casada e grvida. Poderia ser uma princesa. Isso no significa nada para voc?
   - Acho que toda menina sonha virar uma princesa, mas eu j cresci. Para mim, casamento representa muito mais que viver um conto de fadas.
   -  muito mais. Voc carrega meu filho no seu corpo.
   Ela suspirou novamente. Ele comeava a detestar esse som.
   - Ento voltamos ao casamento burocrtico para o bem do beb?
   - J falei que no quero um casamento no papel. Quero um casamento real.
   - No gosto de sentir que sou uma bagagem extra que vem com o beb.
   - No  assim que a vejo.
   - Para mim, .
   - Eu no quis terminar antes de saber que estava grvida. - Isso certamente contaria para alguma coisa. - E tambm a convidei para o casamento do meu irmo antes 
disso.
   - Voc gosta de transar comigo. Sempre soube. 
   Ele sentiu muita raiva. Ela estava determinada a ver tudo da forma mais inflexvel possvel.
   - E voc gosta de sexo comigo, mas no me v a acusando de me querer s por causa disso, ou pela riqueza que posso lhe proporcionar.
   - Por que diabos me acusaria disso?
   - Porqu a maioria das mulheres da minha vida me quiseram por causa do meu ttulo e do meu dinheiro... Seria muito fcil coloc-la na mesma situao.
   - E voc coloca?
   - No.
   - Ento a comparao  inadequada.
   - . Voc me acusa por querer voc por causa do sexo e do beb que carrega, mas eu nunca falei que era isso que queria de voc. Nem nossa relao no passado demonstrou 
algo parecido.
   - Voc me manteve em segredo.
   - Porque tenho a intruso dos paparazzi na minha vida, no porque tenha vergonha de voc ou no a valorize. No comeo, voc compreendeu e, at eu entender o 
quanto a foto a magoou, acho que no pode ignorar que voc estava perfeitamente contente com nossa relao. No  justo me responsabilizar por uma mudana de sentimento.
   Ela tinha de reconhecer isso. Era inteligente, lgica e sempre se deixou levar pelo lado racional no passado.
   - Mas no me manteve como segredo apenas da imprensa. No contou  sua famlia sobre mim porque no queria se casar comigo. Como pode dizer que sua repentina 
atitude com relao ao casamento no tem a ver com a gravidez? Claro que tem, e isso me torna a bagagem extra que vem com o beb, e no uma mulher desejada pelo 
que .
   - No, no torna. Quero voc pelo que . Sua gravidez antecipou minha inteno, mas eu teria apresentado voc  minha famlia e proposto casamento, quando fosse 
o caso. - Ele precisou pensar muito depois que ela o enxotou da sua casa, mas ele acabara chegando a essa concluso.
   No que fosse admitir para ela. Ainda lutava contra o resultado final, mas agora, no mais.
   
   
   CAPITULO NOVE
   
   Ela engasgou, voltando toda a ateno para ele.
   - Agora est reescrevendo a histria. No fale assim. No  justo.
   - No estou reescrevendo a histria. Quero voc na minha vida. Para ficar com voc, queria tornar nossa relao pblica. Voc  um vcio do qual no consigo me 
livrar, do qual no quero me livrar. Se a alternativa fosse perd-la, eu teria me casado. No tenho dvidas.
   - Est ouvindo o que est dizendo? - Ela parecia muito chateada e praticamente gritava.
   Ele no sabia o que havia incomodado tanto Danette, mas no era bom para ela se irritar tanto.
   - Fique calma, querida.
   - No me pea para me acalmar! Voc acabou de falar que, se eu tivesse chantageado voc ao lhe negar meu corpo, teria dado certo. At na sua mente arrogante 
isso pode ser visto como um elogio.
   - Certamente no foi um insulto e eu no usei a palavra chantagem.
   - Mas  disso que est falando. Chantagem emocional, algo que eu abomino.
   - Por que  to inflexvel?
   - Minha me  mestre nisso. Meus pais me super-protegiam e eu me rebelava s vezes...
   - Voc no faria isso com o nosso filho.
   - No, no faria, mas tambm no faria com voc.
   - Eu no falei que faria.
   - Mas sugeriu.
   - No, no sugeri. Eu disse que, se tivesse de optar entre v-la sair da minha vida e me casar, eu teria me casado.
   - Uau, obrigada. Um casamento de m vontade  tudo com que uma mulher pode sonhar.
   - No posso conversar com voc, no ? - ele desabafou.
   - Desculpe.  que est difcil acreditar em voc.
   - Isso  bvio.
   - Antes, voc falava que casamento nunca foi uma opo, e agora diz que teria se casado mesmo que eu no estivesse grvida. No acha isso um pouco incoerente?
   - Eu tambm falei que nunca tornaria pblica nossa relao, mas estava preparado a fazer isso por voc. Oua, querida - ele falou pelos dentes cerrados -, sei 
que no rompeu comigo com a inteno de me forar a nada.
   Ele apertou a coxa dela e deixou a mo sobre a sua perna, precisando daquele contato fsico.
   - Se tivesse feito isso, no seria a mulher que , portanto no seria um vcio para mim. Provavelmente, nessa situao no teria funcionado, mas o resultado 
foi o mesmo. Desculpe se me expressei mal. S queria dizer que casamento no era mais uma opo remota entre ns, bem como o reconhecimento pblico de que era minha 
namorada.
   - No sei em que acreditar.
   - Havamos estabelecido que seria assim. Mas no preciso mentir para voc. Nunca precisei - ele falou, irritado.
   - Voc no sabe se desejaria se casar comigo se eu no estivesse grvida. S est supondo....dizendo isso porque acha que  o que preciso ouvir.
   - E precisa ouvir isso?
   - No. Sim... no sei!
   Ela riu, embora no fosse uma risada carregada de humor.
   - Preciso saber que me ama.
   - Como voc me ama? - ele perguntou, ainda mais irritado.
   Ela s se conteria com palavras? Uma simples declarao de amor para corresponder  dela?
   - Sim - finalmente respondeu.
   Ele tirou a mo da coxa dela, sentindo uma fria que no compreendia.
   - Queria se afastar de mim, tirar-me totalmente da sua vida. At onde eu sei, ainda pretende. Recusa-se a se casar comigo, mesmo que para o bem de um beb. Esse 
 o tipo de amor que quer que eu sinta por voc?
   - Eu...
   - Voc me deseja. Gosta da minha companhia. Mas amor? Duvido. Amor no  to facilmente ignorado.
   - No ignorei voc.
   - Como chamaria sua recusa em voltar para mim, em aceitar a bandeira branca que estendi para mant-la na minha vida?
   - Eu amo voc.
   - Isso so apenas palavras, Danette, e no significam nada diante de suas aes, que provam o contrrio. Mas, se a pronncia delas vai fazer com que se incline 
a casar... ento eu amo voc. Agora vai se casar comigo?
   - No!
   - Por que no? Eu disse a voc as palavras que queria.
   - Deve haver sentimento por trs delas.
   - Como seus supostos sentimentos por mim? - ele perguntou, irnico. - Acredite, h muito sentimento por trs delas. O sentimento de querer ter voc ao meu lado 
no futuro.
   - Pare! Est distorcendo tudo que falo.
   - Talvez tenha aprendido com voc.
   - Por favor, Marcello, no quero mais discutir. 
   Ele postou-se diante da casa dela e parou perto da entrada com movimentos bruscos. Sentia muita raiva pulsando em seu corpo, mas sabia que precisava se controlar.
   - Vou entrar.
   - No para discutir mais - ela apelou, com uma expresso que teria dissuadido uma rocha.
   At mesmo uma rocha siciliana.
   - No quero discutir com voc.
   Os olhos dela se encheram de lgrimas.
   - Eu tambm ho.
   - Ento, vamos entrar, querida.
   Horas depois, ele abraou Danette, mas nem pensava em dormir. Como iria convenc-la a se casar... e logo? No queria que ela entrasse na igreja prestes a dar 
 luz.
   Ele pensou que as palavras da me sobre as dificuldades de ser da realeza e ilegtimo pesariam para ela. Afinal de contas, tinha compaixo, mas ainda se recusava 
a se comprometer com o casamento.
   Ela falou que queria amor, mas ele tinha de reconhecer que ter pronunciado aquelas palavras como fez no carro no ajudaria em nada. Por outro lado, no tinha 
certeza se conseguiria lhe dar isso. Amou Bianca e os sentimentos que tinha por Danette eram totalmente diferentes.
    exceo da dificuldade de terem filhos, sua vida com Bianca fora quase perfeita. As coisas haviam sido totalmente perfeitas e ele sempre carregaria o peso da 
culpa. No entanto, ele sabia t-la amado e que ela tambm o amara, embora, como ocorria com Danette, aquele amor tinha limites que ele no havia reconhecido antes 
que fosse tarde demais.                    
   Mesmo antes da histria da foto da festa do seu pai, sua relao com Danette era muito voltil. Ela o desafiava de formas que sua esposa siciliana nunca fizera.
   E sua relao sexual tambm era muito diferente da que tinha com Bianca tambm. Desejava Danette com uma paixo que ultrapassava seu controle, de um modo que 
seu desejo por Bianca nunca fizera. Ele nunca faria sexo com ela numa escrivaninha em nenhuma circunstncia. Para ele, seu sentimento por Danette seria mais bem 
descrito como obsesso, mas ela queria os coraes e as flores.
   Ele preferia as aes que sustentavam os sentimentos. Se ela o amasse, concordaria em se casar com ele... no teria se afastado sem olhar para trs. No, ele 
tinha de admitir que a grande mgoa dela era ele no ter desejado se casar antes da gravidez. Seu orgulho feminino estava ferido e ele no podia corrigir isso.
   No podia mudar o passado. Nem mesmo um prncipe tinha esse poder. Ele tentou falar a ela que teria se casado de qualquer forma, que isso seria melhor do que 
o sofrimento de perd-la. Isso a ofendera tambm.
   Mas a verdade era que apenas sua suposta esterilidade o havia impedido antes. No tinha percebido isso, no queria enfrentar a verdade nua e crua. Que homem gostaria 
de reconhecer tamanha deficincia? Certamente no um da famlia Scorsolini.
   Por causa disso, ele se convenceu e a ela tambm de que no podia se envolver em uma relao de longo prazo porque no sabia se poderia ser fiel. Porm, mentir 
ali no escuro, ao lado de um corpo pelo qual sabia que ansiaria at o dia de sua morte, no era correto. Tinha de admitir a verdade.
   Ele, Marcello Scorsolini, prncipe de Isole dei Re, se escondeu como um menino assustado por trs dessa desculpa, em vez de enfrentar a situao como um homem. 
No queria passar pelas desmoralizantes tentativas de fazer um beb e falhar, como ocorrera com Bianca. Sequer queria enfrentar a perda de outra mulher, como a havia 
perdido. Mas ele se punia com a prpria covardia. Agora enfrentava a punio, uma falta de confiana que no deveria existir.
   Ele queria proteger Danette tambm. Nem tudo girava ao redor dele. No queria expor outra mulher  dor que sua esterilidade trouxera a Bianca. Somente outra coisa 
doeu tanto quanto saber que podia falhar como homem nesse ponto: saber que sua incapacidade de dar um filho a Bianca se tornara uma ferida aberta no corao dela.
   E, no final, isso a matou. Ao se negar um futuro com Danette, ele tambm a protegia.
   Mas ela no veria as coisas assim. No tinha idia do que era para uma mulher ficar ansiosa por ter um filho. Ela estava segura do outro lado de um abismo que 
o assombrara de perto por uma dcada, e a Bianca por todos os dias do casamento deles. Danette nunca sentiria o frio profundo que atingia a alma de um homem ou 
uma mulher.
   E ele ficava contente por isso, pois, como no conhecia esse tipo de dor, no podia compreender como uma gravidez podia ser um milagre. Nem podia entender totalmente 
o quanto o filho deles merecia tudo que podiam dar... incluindo uma vida caseira estvel com pais casados.
   Ela estava ocupada demais sofrendo por ele no ter desejado se casar com ela antes e tentando decidir se valeria a pena arriscar ou no.
   Ela acreditou nele quando ele falou que no estava incerto quanto  sua fidelidade. Ela no ignoraria essa questo agora, mesmo se ele estivesse pronto para isso.
   Ele no se orgulhava de sua estupidez por trs dessa desculpa, mas novamente no tinha poder de mudar o passado.
   No entanto, isso no significava que desistiria. Ele a convenceria a se casar com ele. Exceto por sua inabilidade de engravidar Bianca, ele no era homem de falhar.
   
   Danette no sabia o que a esperava se sasse da vida dele com o beb na barriga.
   Ele no se afastaria dela. De agora em diante, eles ficariam juntos, casados ou no. Se ela se recusasse a se mudar para a casa dele, ele se mudaria para a casa 
dela. E dormiria no sof, se ela lhe negasse a cama. Ele ainda estava na cama porque ela adormecera antes de pedir para que sasse, embora com o humor que ela estava... 
se ela estivesse acordada quando ele se deitou, teria pedido.
   Provavelmente consideraria as atitudes dele furtivas. Ele as considerava desesperadas.
   Marcello levou Danette ao mdico na manh seguinte para confirmar a gravidez. Ele fez vrias perguntas, assim como Danette.
   Ela evitou ler sobre gravidez quando era adolescente. Era muito assunto sobre algo que pretendia evitar, mas agora queria saber tudo.
   O mdico foi realmente acessvel, mas Marcello ainda pensou que eles deveriam comprar um livro. Eles entraram em uma livraria e saram com duas bolsas cheias 
de revistas e livros sobre gravidez.
   - No vai ler todos esse livros, vai? - ela perguntou, quando ele a fez entrar na limusine com todo cuidado.
   Ele foi muito atencioso com ela durante toda a manh, apesar da briga sria que tiveram no carro na noite anterior e do fato de ela ter ficado chateada com a 
presena dele ao seu lado na cama, quando acordou. Ele no discutiu com ela. Nem tentou falar sobre casamento. Simplesmente cuidou dela e isso parecia muito estranho, 
mas muito, muito bom.
   - Si. - Ele sorriu para ela, enquanto sentava ao seu lado. - E nem tente me dizer que no vai fazer o mesmo. Voc pegou a metade deles.
   - Voc  uma figura, sabia?
   - Serei pai. Acho que tenho o ttulo - ele retrucou, sorrindo.
   Ela cedeu  irresistvel urgncia de retribuir o sorriso dele. Por trs de sua atitude super paciente, estava um grande senso de orgulho pela faanha que nem 
uma mulher cega poderia deixar de ver. Era doce e ela achava impossvel ficar com raiva diante do bvio prazer dele em relao  sua condio de grvida. No que 
estivesse realmente irritada.
   Ainda estava magoada e sentindo-se culpada por detestar saber que ele pensava que seu amor no fosse verdadeiro. Por mais que relutasse em dar crdito ao ponto 
de vista dele, podia ver que ele justificava o que acreditava.
   Ela suspirou.
   - Passei a odiar esse som.
   Virando para encarar os olhos azuis agora srios dele, ela perguntou;
   - O qu? - Ele detestava que ela suspirasse. - Por qu?
   - Indica uma tristeza em voc que eu no gostaria que existisse. - Quando ele tocou o rosto, no havia sinal do leve senso de humor de at ento. - Sabemos o 
quanto estou feliz com a sua gravidez, mas voc est feliz com o beb, tesoro mio!
   Era sempre to difcil se concentrar quando ele a tocava, mas ela tentou responder da forma mais natural possvel.
   - Sim, como pode duvidar disso?
   - Voc estava assustada ontem.
   - Ainda estou um pouco, mas minha cabea sabe que eu no deveria estar, e a idia de ter um filho seu  muito boa, se quer saber a verdade.
   Ele encostou no assento, com uma expresso de incredulidade.
   - To boa que no quer se casar comigo.
   - Podemos evitar esse assunto agora? - Estavam indo bem e ela no queria acabar com aquele prazer. No queria se irritar com ele... estava acostumada a ter momentos 
prazerosos com ele, no de dor. Mesmo quando discordavam. - Apenas aceite que estou feliz com o beb. - Antes que ele pudesse dizer algo para interromper, ela continuou. 
- Voc no deveria estar contente por sua amante secreta estar grvida, mas est e aceito isso. No me importo se faz sentido para voc que eu esteja esperando um 
filho seu ou no. Estou, certo?
   - Fico feliz. Ela assentiu.
   - Bom.
   - Se no quer falar sobre o casamento...
   - No quero.
   - Vamos falar sobre voc vir morar comigo.
   - O qu? - A expresso "trocar o roto pelo esfarrapado" lhe veio  cabea.
   - Est esperando um filho meu.
   - Isso j foi discutido.
   - Mesmo que no queira ter uma relao comigo, quero cuidar de voc. Vai me dar a honra? - Ele parecia srio... e determinado...
   Mas ele a entendeu mal.
   - Acha que no quero ter uma relao com voc?
   - Voc falou isso. Como ressaltou vrias vezes, terminou comigo.
   Ela sentiu uma enorme culpa, embora achasse que essa no tivesse sido a inteno dele. Ele tinha razo... mas, droga, no era porque no queria uma relao 
com ele. Era porque queria mais do que ele estava preparado para dar...
   Uma voz insidiosa dizia a ela: ele est preparado agora.
   - No terminei com voc por no desej-lo. - Ela se lembrou do que ele falou na noite anterior sobre a veracidade do seu amor por ele. - E tambm no foi porque 
no o amava. Mas di muito ficar com voc.
   - Como minha amante secreta?
   - Sim - ela sussurrou dolorosamente.
   - Mas, quando me ofereci para acabar com o segredo, voc continuou recusando.
   - Porque no queria me machucar ainda mais no futuro, quando me deixasse.
   - Sem querer ser repetitivo, isso no  mais um problema. Quero casar. Essa relao  permanente.   
   - Quero acreditar nisso, mas...                          
   - Mas no acredita?
   - Eu quero - ela repetiu.
   Ele suspirou.
   - Mas acha que no serei fiel.
   - No falei isso.
   - No precisa. Eu a convenci de que no sou do tipo fiel.
   - Bem, na realidade, seu personagem nunca pareceu verdadeiro.
   - Mas no acredita que nosso casamento durar para sempre.
   - Como pode durar, se no h nada alm de uma gravidez e de sua teimosia em insistir nele?
   - Temos muito mais que isso.
   - Como o qu?
   - Como a sua teimosia, para comear, e uma paixo ardente que no acabou em seis meses, bem como um compromisso com famlia e um desejo pelo mesmo tipo de futuro. 
At trabalhamos na mesma empresa.
   - Correo... voc  dono da empresa em que trabalho.
   - Mas isso  algo em comum, algo que nos une. Ambos gostamos de morar na Siclia. Isso faz diferena. Nosso casamento vai durar. Somos muito fortes e determinados 
para permitir que seja diferente.
   Ele estava certo? Ela no sabia, mas uma coisa que ele falou fazia muito sentido. Ambos eram muito determinados.
   Ela suspirou.
   Ele franziu a testa.
   - Voc no ficou muito feliz em acordar do meu lado hoje.
   Mas ela ficara, quando ele insistiu para que ela permanecesse na cama por um tempo enquanto ele lhe preparava uma torrada com ch para ajudar a passar o enjo. 
Ela gostou de ter sido cuidada, especialmente por ele.
   - Voc me surpreendeu. - Aquilo pareceu pouco convincente. - Tudo est acontecendo rpido demais. Sinto que minha vida est indo de um extremo a outro.
   - Mas so extremos que voc instigou.
   - Eu no me engravidei - ela murmurou, olhando pra ele de forma fulminante.
   Ele sorriu, nem um pouco ofendido, agora que ela havia assegurado que estava contente com o beb. Ele parecia bastante satisfeito.
   - No, querida. Eu fiz isso.
   Ela no conseguiu evitar e caiu na gargalhada.
   Por alguma razo, a risada dela acendeu algo em Marcello e, antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, ele a beijou. O gosto era to bom e parecia 
to certo estar nos braos dele que ela sequer pensou em rejeit-lo. Quando ele levantou a cabea, ela estava sentada seguramente no colo dele e tocando locais 
que preferia no comentar.
   Como se ele no conseguisse evitar, beijou-a novamente, com intensidade e nos lbios.
   - Seu gosto  bom, querida.
   - O seu tambm. - Mas ela poderia se conter um pouco mais se tivesse defesas contra ele.
   - Ento, vai morar comigo?
   Ela ia suspirar mas parou. No estava infeliz, no mesmo. E no queria que ele pensasse o contrrio. Sabia admitir a derrota. A verdade era que estava grvida 
e sentindo-se vulnervel, e preferia morar com ele a ficar sozinha. Especialmente porque no sabia se ficar sozinha era uma boa idia naquelas condies.
   - Ento? - ele perguntou, j que ela no respondeu imediatamente.
   - E se eu me recusar, o que voc vai fazer, mudar-se para a minha casa?
   A expresso dele o entregou.
   - Era exatamente o que planejava fazer, no era?
   - Se quiser camas separadas - ele falou, o que ela considerou totalmente fatal, considerando o fato de ela estar no seu colo sem se mover para ir a lugar algum 
-, minha casa  ideal. Tenho quartos sobrando.
   Ela se aconchegou nele, deitando a cabea no seu peito.
   - Bom saber - falou, em punio. Podia jogar assim tambm.
   
   
   
   CAPTULO DEZ
   
   - Est pronta para ir?
   Danette olhou por cima do computador. Marcello estava  porta, to lindo que seu corao revirou.
   - Pensei que voc tivesse muita coisa para fazer e que no sairia na hora hoje. Passamos a manh no mdico e na livraria. Estou surpresa por sua secretria no 
estar subindo pelas paredes para reagendar reunies.
   Ele deu de ombros.
   - Ela  bem paga para fazer o que faz e as reunies podem esperar. As questes mais urgentes podem ser resolvidas do meu escritrio, em casa.
   - No precisa sair por minha causa. Eu tambm ainda tenho muita coisa para fazer.
   Ele entrou na sala e fechou a porta. 
   - No acho que trabalhar horas extras seja uma boa idia. Precisa descansar.
   - Estou grvida e no doente, Marcello.
   - Engraado, podia jurar que estava enjoada quando correu para o banheiro do consultrio mdico hoje cedo.
   - Nem me fale. Mas no estou sentindo isso agora e prefiro trabalhar quando tenho energia.
   - De quanto tempo mais precisa?
   - Duas ou trs horas.
   Ele revirou os olhos e sacudiu a cabea.
   - No exagere, querida. Mesmo antes de sua gravidez eu no aprovava essas horas extras. Voltarei em uma hora e meia, esteja pronta para irmos embora.
   Ela podia am-lo loucamente, mas no deixaria que ele conduzisse cada minuto da sua vida.
   - No vou terminar em menos de duas horas. Claro que voc pode ir para casa sem mim.
   - Isso no vai acontecer.
   - Ento nos vemos em duas horas.
   - Certo.
   - Est demonstrando novamente sua natureza mandona - ela informou.
   Ele deu de ombros, sorrindo discretamente ao sair.
   - E sua forte teimosia est em evidncia, mas posso lidar com ela, assim como voc aprender a lidar com minha suposta tendncia a mandar.
   - Desde que perceba que tenho o direito de retribuir o favor, tenho certeza de que tem razo.
   Ela parou com a mo na maaneta.
   - Como assim?
   Para ele, a idia de uma mulher ser autoritria estava totalmente fora de cogitao.
   - Se eu achar que est trabalhando demais, vou exigir que v para casa - ela avisou.
   - Vou me lembrar disso - ele falou, parecendo estranhamente satisfeito e no consternado diante daquela possibilidade. Depois, ele saiu.
   Dez minutos depois, uma jovem que trabalhava na cafeteria da empresa entrou no escritrio de Danette com uma bandeja de biscoitos nutritivos e gua mineral, 
seguindo as instrues de Marcello.
   - Ele pediu alguma coisa para comer? - Danette perguntou.
   - No, signorina - respondeu a jovem, com os olhos cheios de curiosidade sobre a funcionria pela qual o presidente da empresa dedicava seu precioso tempo para 
pedir comida.
   - Sei. - Ela pegou dinheiro na bolsa e entregou  moa. - Ento, por favor, leve para ele uma garrafa de suco de fruta e um prato de biscoitos como esse que 
me trouxe.
   - No sei...
   - Tudo bem. Confie em mim. - No final, Danette chegou  concluso de que agira assim mais pela curiosidade da moa do que pelas prprias convices.
   - Oh, e coloque esse bilhete junto. - Ela escreveu uma nota, dobrou e entregou  moa.
   Dez minutos depois, o telefone dela tocou. Ela atendeu.
   - Danette Michaels falando.
   - Obrigado, tesoro. Ela sorriu e se recostou na cadeira.
   - De nada. Fico contente por ter tido a idia.
   Ela conseguia dominar mais o enjo quando consumia pores pequenas mais vezes ao dia. Aprendeu isso bem rapidamente.
   - Gostei do bilhete tambm. 
   Ela havia escrito: Na mesma moeda Com amor, Danette.
   - Gostou? - Ela imaginava de qual parte ele havia gostado mais. Se da brincadeirinha ou da declarao de amor.
   Provavelmente da brincadeira, ela admitiu. Ele no acreditava que ela o amava, mas seu objetivo era convenc-lo do contrrio. Mesmo que no a amasse, ela percebeu 
que no poderia se casar se ele tivesse dvidas de que o que sentia por ele ia alm de luxria e amizade. Isso no era uma definio ruim para o amor, mas certamente 
no explicava a profundidade de sentimento de que daria sua vida por ele tambm.
   - Sim. Esteja pronta para sairmos s sete. 
   - E se eu no estiver, o que vai fazer?
   - Arrast-la do seu escritrio. 
   Ela no duvidava disso.
   - Isso vai parecer meio estranho para os demais funcionrios.
   - No estou preocupado com isso... E voc?
   Ela sabia o que ele perguntava. Eles haviam chegado juntos  tarde e ele no se esforara para esconder que estavam juntos. Considerando os rumores j existentes 
por causa de sua corrida ao banheiro na noite anterior, os fofoqueiros da empresa j deviam ter feito as devidas associaes. Ela recebeu olhares estranhos durante 
toda a tarde, mas a verdade era que... no se importava.
   - Pensei que me incomodaria mais se meus colegas soubessem que  meu amante, mas no. Estou bem no meu trabalho e no tiro proveito de nossa relao.
   - Ento eu sou seu amante?
   - Hum... no entendi a pergunta.
   - Apenas uma questo de quantas camas sero ocupadas na minha casa hoje  noite.
   Momento decisivo. No esperava ter de decidir sobre isso no telefone.
   - Voc parecia ter inteno de usar uma das camas de hspedes.
   - Se  o que precisa para se sentir confortvel e se mudar para a minha casa, que seja assim.
   No sabia do que precisava. Esperava que soubesse, mas saber que estava grvida a deixava mais confusa e seu corao estava totalmente desesperanoso.
   - Gosto de dormir em seus braos - ela admitiu.
   - Eu tambm gosto disso. 
   - Eu sei, mas...
   - Mas? - ele perguntou, manifestando uma enorme tenso com essa nica palavra.
   - No sei se estou pronta para fazer amor com voc. Se eu fizesse, voc entenderia isso como uma rendio e comearia a preparar o casamento.
   - Voc me conhece bem.
   - Acho que sim. De algumas formas.
   - Ento permitiria que eu dormisse ao seu lado, mas sem contato ntimo?
   - Sim, mas...
   - Outro mas?
   - No  justo com voc. Sei que gostaria de fazer amor.
   - Vou me contentar com o que posso agora. 
   Ele no parecia contente, apenas resignado. Mas tambm no parecia muito desapontado.
   - A minha gravidez no o desestimula?
   - Como pode me perguntar isso?
   - Bem, est aceitando de uma forma melhor do que eu poderia imaginar.
   - Tenho alternativa?
   - Apenas na forma como reage, eu acho.
   - Voc acha?
   - Quero dizer, sei do que preciso agora...
   - E isso ?
   - Espao.
   - No posso lhe dar isso.
   - Se no tentar fazer amor comigo, ser a maior concesso de espao que poderei esperar do seu estado protetor no momento.
   - Acredita que meu estado protetor, como diz, resulta de sua gravidez?
   - Sim.
   - Mesmo que eu no quisesse que nossa relao acabasse, antes de descobrir isso?
   Ele tinha razo, aquilo no fazia sentido, mas...
   - Est tudo confuso na minha cabea e sexo s vai piorar. Tenho certeza disso.
   - Talvez possa melhorar.  assim comigo.
   - Sem presso. Voc prometeu.
   - Quando?
   - Agora? - ela perguntou, em vez de afirmar, pois no tinha certeza se ele havia prometido.
   - Prometi dormir com voc sem toc-la na intimidade.
   - Sim.
   - No prometi fingir que no a quero mais. Na realidade, se fingisse, sua imaginao frtil certamente pensaria em todos os tipos de possveis situaes.
   - Isso no  verdade!
   - Pode dizer isso depois de me perguntar se eu no a acho mais sexualmente irresistvel por causa da gravidez, simplesmente porque no reagi com frustrao suficiente 
 sua restrio de sexo?
   - Oh... bem, acho que sim. Voc acha que  a gravidez ou o fato de ter finalmente aceito que o amo que me deixa to confusa? - ela perguntou.
   - A gravidez. - A voz dele era firme.
   - Eu amo voc - ela falou, com a voz trmula. - Gostaria que acreditasse nisso.
   - D-me razes para acreditar.
   - Por exemplo?
   - Casando-se comigo. Ela devia ter imaginado.
   - Algo mais?
   - O que mais? Voc recusa que eu a ajude e o conforto de dar a voc e ao nosso filho meu nome. No quero ofend-la, Danette, mas no consigo reconhecer esse amor.
   Os olhos dela comearam a arder. Ele no queria mago-la, mas sua incredulidade machucava mesmo assim.
   - Preciso voltar ao trabalho.
   - Eu tambm.
   - Eu... bem, tem certeza de que vai ficar tudo bem se dormir comigo e no fizermos nada? No est acostumado a essa situao - ela balbuciou, sem sequer saber 
o que tentava dizer. - Mesmo quando eu estava menstruada, nunca dormimos platonicamente.
   E Danette tinha medo de que a mais leve das carcias por parte dela derrubasse suas defesas depois de fazerem amor.
   Ela ouviu uma exploso de ar do outro lado do telefone.
   - Se est to preocupada em dividir a cama comigo,  melhor ficar no quarto de hspedes. No quero importun-la.
   - No quis dizer...
   - Voc foi clara. No se preocupe. Preciso ir. Ciao, bella.
   - Ciao.
   Mas ela no trabalhou depois de desligar o telefone, no por muitos minutos, pois deixou as lgrimas carem e remoeu as palavras dele. Obviamente, era importante 
para ele que dormissem juntos. Por que no podia ceder?
   Mas ela sabia por qu. No podia confiar em suas fracas defesas. Se fizessem amor, para ela seria reconfortante... para ele, um compromisso para o qual ela no 
estava pronta.
   
   
   CAPITULO ONZE
   
   Danette acordou depois de uma noite nada satisfatria na cama do quarto de hspedes. No que a cama fosse desconfortvel. O colcho era bom, mas ela sentia falta 
de Marcello.
   Eles haviam jantado relativamente em silncio na noite anterior e o pouco que conversaram girou em torno do beb. Marcello pediu licena logo depois do jantar 
para trabalhar. Duas horas depois, quando ela foi se deitar, ele ainda no havia sado do escritrio.
   Ela sofria com a distncia entre os dois. Foi pior que a noite posterior ao rompimento, pois seu corao insistia em que eles deveriam ficar juntos, poderiam 
ficar juntos, se no fosse a recusa dela.
   Ela acordou vrias vezes durante a noite com saudades dele, encontrando a cama vazia. Teria sido uma boba ao pedir espao, o que s causava dor e mais confuso, 
em vez de facilitar o pensamento, como deveria? Ele estaria certo em pensar que fazer amor apenas esclareceria a situao? Conversar deveria ajudar, mas eles ficavam 
falando em crculos.
   Queria que ele aceitasse seu amor antes de se casarem. Mas, pelo que podia perceber, teria de arriscar casar-se para que ele acreditasse que seus sentimentos 
eram verdadeiros.
   Se ele estivesse pedindo uma prova do seu amor, ela se rebelaria. No poderia suportar aquele tipo de chantagem emocional.
   Mas no era o que estava acontecendo. Ele estava realmente confuso com as aes dela. Tudo o que havia dito e feito mostrava que compreendera pouco os motivos 
dela. E que esses motivos se pareciam muito com o verdadeiro amor. Talvez Bianca tivesse demonstrado melhor seus sentimentos, mas ela sabia que seu amor era correspondido. 
Isso fazia uma enorme diferena e Danette comeava a ver o quanto o amor no correspondido era doloroso.
   Mas o amor no deveria ser egosta, nem ficar escondido por autoproteo. Por um lado, Marcello estava muito certo. O amor falado mas no demonstrado por aes 
no era realmente amor.
   O amor no deveria transformar a mulher em capacho, mas deveria torn-la forte o suficiente para arriscar. Ou no? Amar Marcello certamente no deveria fazer 
com que agisse de uma forma que o ferisse, mas era exatamente o que estava acontecendo.
   A rejeio dela o havia machucado tanto quanto o desejo dele de manter tudo em segredo e no se casar com ela. Ela no tinha dvidas disso e sentia-se terrivelmente 
mal. No queria mago-lo.
   Seus pensamentos foram interrompidos por um aperto no estmago, e uma urgncia em vomitar fez com que se levantasse da cama e corresse para o banheiro. Estava 
com nsia de vmito, seu rosto estava plido e todo o seu corpo doa, quando uma mo calorosa se acomodou em suas costas.
   - Por que no esperou por mim? Estava trazendo seu ch com torradas.
   - No tive alternativa - ela respirou, sentindo-se trmula e tonta, mas menos enjoada.
   Ele fez um rudo que era parte protesto, parte remorso, e ela virou a cabea para descans-la contra o corpo dele, que estava to prximo ao seu.
   Ele acariciou a face dela.
   - Querida, o que farei com voc?
   - Ajudar-me a levantar? - Ela perguntou, com uma voz surpreendente-mente fraca.
   Ele no falou mais nada at levant-la, mas a ajudou a lavar a boca, o rosto e o pescoo com gua fria.
   Quando terminou, ele a carregou de volta para o quarto.
   - Se eu estivesse aqui, saberia quando acordou e poderia cuidar de voc. Dormir em camas separadas  tolice!
   Ela mordeu um pedao de torrada e tomou um ch fraco, mas bastante doce, enquanto ele desabafava sua frustrao em italiano, ingls e em outros idiomas que ela 
no conhecia.
   Ele finalmente se acalmou e sentou ao lado dela. Sua normalmente imaculada aparncia estava diferente. Seus cabelos no haviam sido penteados e sua gravata estava 
frouxa, como se precisasse de mais ar.
   Ele pegou a mo dela e acariciou seus dedos gentilmente.
   - Desculpe. Estou reclamando e voc a se sentindo mal. Perdoe-me.
   - Uau! Para um rapaz que no pede desculpas com freqncia, voc  muito bom nisso.
   Ele sorriu.
   - Obrigado. Acho que sim.
   Ela sorriu, sentindo-se bem melhor do que h cinco minutos.
   - Mas acho que est certo.
   - Acha que estou certo? - Ele parecia atnito.          
    - Sobre dormirmos em camas separadas?
   Ela assentiu, sem fazer movimentos bruscos que causassem mais nuseas.
   - Dormi muito mal a noite passada.
   - Sentiu minha falta? - Os olhos azuis esbanjavam satisfao.                                                                  
   Ela teve de reprimir seu senso de humor diante da reao dele. Ela no sabia se ele entenderia, mas humildade no era seu forte.
   - Sim.
   - Senti sua falta tambm, tesoro mio.
   - Ento... hum... nada de camas separadas.
   - Tem certeza?
   - Sim.
   - E sua preocupao sobre eu seduzi-la?
   - Confio em voc.
   - Isso j  alguma coisa.
   Sim, era. Mas seria o suficiente?
   
   Ela teve o primeiro gosto da intruso da imprensa uma hora depois, quando atendeu o telefone no escritrio. Era um reprter que queria um depoimento sobre a 
sua relao com Marcello. Ela desligou depois de um firme "Sem comentrios" e parou de atender a linha externa.
   O correio de voz era algo maravilhoso.
   Ela realmente apreciava o fato de Marcello morar em um prdio de alta segurana com estacionamento subterrneo, o que tambm ocorria na Scorsolini Shipping. De 
alguma forma, a notcia de sua relao com Marcello vazou e ela no tinha a menor inteno de lidar com reprteres.
   Ela imaginava como ele estava lidando com a ateno da imprensa. Ele havia deixado muito claro que no queria enfrentar esse tipo de situao: E agora eles estavam 
bem no meio de uma delas. Ela estremeceu ao pensar no que a imprensa faria se desconfiasse do beb.
   Ela ouviu uma leve batida  porta do seu escritrio.
   Lizzy entrou, com um sorriso no rosto e os olhos cheios de curiosidade.
   - Ento, o que so esses rumores de que voc e o chefo esto tendo um caso?
   - Humm... o que ouviu?
   - Ah, Danette. Todo mundo sabe. Voc se mudou para a casa dele e tudo. No posso acreditar que no adivinhei. Aconteceu naquela noite, no restaurante? Mas como 
engravidou to rpido?
   - Engravidou? - Ela perguntou, impressionada. Lizzy olhou para ela. Danette sabia que a notcia se espalharia dentro da empresa, ento precisava ser clara com 
a amiga.
   - Estvamos saindo h algum tempo.
   - Em segredo? - perguntou Lizzy, estupefata.
   - Sim. Nenhum de ns queria que a relao casse no conhecimento pblico. - No era o momento adequado de explicar que a relao havia mudado de status.
   Depois de concordar em dividir a cama dele, mesmo platonicamente, no tinha certeza se isso era verdade.
   - Entendo - Lizzy se encostou na mesa de Danette. - Vai ficar meio constrangedor para voc aqui, mas  fabulosa no seu trabalho e todos sabem disso. Alm disso, 
 forte o bastante para aturar as fofocas que possam surgir.
   - Obrigada pelo voto de confiana. - Danette sorriu.
   - Ento est mesmo grvida? - sussurrou Lizzy. Danette aquiesceu.
   Lizzy a abraou.
   - Parabns, chica! Que notcia boa! Estou muito feliz por voc!
   Danette riu e abraou a amiga.
   - Obrigada, estou muito feliz tambm.
   - No quando est vomitando, aposto. Nem vou perguntar quando  o casamento, pois no quero deixar vazar acidentalmente e ser responsvel pelo assdio das cmeras, 
mas quero que saiba que estou muito, muito feliz por voc.
   A visita de Lizzy deixou Danette muito contente e estava lendo a lista de afazeres e ignorando as mensagens dos jornalistas quando o representante de uma butique 
exclusiva entrou em seu escritrio. A mulher parecia mais uma modelo do que uma funcionria de loja, e explicou que estava ali para mostrar a Danette uma seleo 
de modelos para a sua viagem para Isole dei Re.
   - Seguindo as instrues do prncipe, tenho vrios modelos aqui - ela falou, mostrando um cabideiro cheio de roupas.
   - Marcello pediu que viesse? - ela perguntou. A outra mulher assentiu, enquanto Danette pegava o telefone para ligar para Marcello. Ele atendeu logo.
   - O que foi, Danette?
   - H um tipo de vendedora pessoal aqui, no meu escritrio. Ela quer que eu olhe roupas, Marcello. Por que est aqui?
   - Quero ir direto do trabalho para a Ilha Scorsolini hoje. Nosso horrio de decolagem  quatro e meia.
   - O qu? Quer ir mais cedo? Por qu?
   - Meu pai quer conhec-la antes de meu irmo se casar.
   Lembrando o que ele havia contado sobre o primeiro encontro do pai dele com Maggie Thomson, o sorriso de Danette no foi de muita alegria.
   - Oh...
   -  importante para mim, querida.
   - Ento  claro que vamos. Mas isso ainda no explica a vendedora que est aqui.
   - Sabia que no gostaria de deixar de trabalhar para fazer as malas, e supus que no desejaria ir comigo sem que tivesse algumas roupas e um vestido adequado 
para o casamento.
   Danette olhou ento para a vendedora, que j tinha separado trs combinaes de roupas.
   - Ela tem um timo gosto.
   - Minha me e Theresa adoram essa loja.
   - Obrigada. Acho melhor escolher essas roupas para voltar a trabalhar.
   - Vamos sair s trs para o aeroporto. Esteja pronta.
   - Sim, senhor.
   - Aguarde-me, tesoro.
   - O que vai fazer?
   - Eu  que sei, no se preocupe.
   - Olhe, no estou preocupada.
   - Est confiando na carta da gravidez?
   - Talvez...
   A risada dele fez to bem a ela quanto a visita de Lizzy.
   - Nos vemos mais tarde, querido.
   Eles ficaram em silncio por alguns segundos e ela pensou que a ligao tivesse cado, mas ele falou:
   - At l, querida - com uma voz que formigou todo o corpo de Danette.
   Aquele homem era definitivamente letal. Ela faria um favor  sanidade de todas as mulheres ao tir-lo do mercado.
   Com aquele tentador pensamento em mente, ela selecionou quatro modelos e preencheu uma lista de preferncias pessoais da loja. Ento, a vendedora foi embora, 
prometendo empacotar tudo em uma bagagem e levar para o jato de Marcello no aeroporto.
   
   Marcello desligou com um sorriso no rosto. Ela no poderia saber sobre as histrias da imprensa. Parecia to natural. Muito relaxada. Ele no achava que ela 
responderia to sem cuidados a algumas das maldosas insinuaes que estavam sendo feitas.
   A deciso de sair mais cedo para Isole dei Re era a mais acertada. Ela precisava ser protegida e ele a protegeria. Sempre.
   Ele olhou para os jornais ofensivos que estavam sobre a sua mesa. Esperavam por ele quando ele chegara ao trabalho pela manh. Alguns no durariam nas bancas 
at o dia seguinte, mas tinham muito em comum... sugeriam coisas que magoariam Danette. E ela j fora suficientemente magoada.
   Nunca fora sua inteno causar dor a ela, mas causara. Ele ficou irritado por no ter percebido o preo que a relao em segredo deles teria um dia. Como no 
se interessava por outras mulheres, achava que as fotos em que saa ao lado delas no a incomodariam. Estava enganado.
   E ele entendeu o quanto estava equivocado ao v-la naquela noite com Ramon. Tinha de admitir que, se ela estivesse danando com o outro cara, provavelmente haveria 
pancadaria.
   Que bom que isso no havia acontecido. J havia especulao negativa suficiente em torno da relao deles. Mal conseguia conter sua fria contra a imprensa, 
mas, juntamente com isso, veio a surpresa.
   Ele no se sentia constrangido com as manchetes que falavam tudo sobre ele, como que era um namorado enganado por uma sedutora que tirara proveito de sua funo 
de presidente da empresa. Ele simplesmente no se importava, mas a possibilidade de alguma dessas notcias magoar Danette o deixava apreensivo.
   Ele no permitiria que ela as visse, e conseguiria isso com uma longa estada no castelo de Isole dei Re, onde a protegeria.
   
   Danette sups que Marcello no desejaria falar sobre o fato de a imprensa estar a par do relacionamento deles, pois no havia tocado no assunto durante o trajeto 
para o aeroporto ou no vo para Isole dei Re. O vo fora longo e os dois trabalharam nas duas primeiras horas. Ento jantaram e Marcello voltou a trabalhar, mas 
sugeriu que ela relaxasse e assistisse a um filme.
   Ela precisava mesmo era de um cochilo, e adormeceu na metade do filme.
   Danette estava dormindo quando eles aterrissaram e s acordou quando Marcello gentilmente sacudiu seus ombros.
   - Chegamos, querida.
   Ela piscou, tentando se concentrar.
   - Certo. Hum... que horas so?
   - Quase trs horas da manh no nosso fuso horrio e nove da noite no de Paradiso.
   - Certo. - Estava to cansada que s queria voltar a dormir.
   Ele sorriu.
   - Est totalmente sonolenta, no?
   Ela assentiu. Ele riu e ela s conseguia se lembrar de ter sido carregada por ele para fora do avio. Quando ele ignorou o protesto dela de que podia andar por 
conta prpria, ela deitou a cabea no ombro dele e cochilou. Ela estava vagamente ciente de que fora colocada em um carro, que percorreu um curto trajeto.
   Novamente, Marcello a carregou. Dessa vez, ela nem protestou, mas abraou o pescoo dele e se aninhou. Ele falou algo para algum, enquanto a mantinha firme.
   De repente, ela percebeu uma luz em seus olhos e piscou para olhar ao redor. Havia mrmore italiano em toda parte, assim como grandes colunas em estilo romano 
e esttuas.
   - Parece um museu.
   Ela ouviu uma risada masculina profunda por trs deles.
   - Sim, talvez parea.
   Ela se virou e viu o rei de Isole dei Re. Estava sonolenta demais para se impressionar. Simplesmente o encarou.
   - Ol, Danette Michaels. Ouvi falar que est grvida do prximo neto Scorsolini.
   Ela olhou para Marcello.
   - Contou para ele tambm?
   - Esperava que no contasse? Garanto a voc que, depois de ler os jornais de hoje, eu ficaria sabendo de qualquer forma.
   - Papa.
   Acontecera algo entre os dois homens que ela estava tonta demais para tentar descobrir, mas o rei sacudiu a cabea.
   - Ela vai saber de qualquer jeito.
   - A nica coisa que quero saber agora  onde deverei dormi - ela murmurou. E, ao perceber o quanto pareceu grosseira, corou at a raiz dos cabelos. - Desculpe, 
no quis dizer...
   - No se preocupe, menina. A me de Marcello era assim mesmo quando estava grvida.
   - Assim como?
   - Ranzinza e muito sonolenta.
   - No estou ranzinza. - Ela olhou para Marcello e seus olhos pareciam embaar sem razo aparente. - Sou ranzinza?
   - No, tesoro. Voc  tima. - O olhar que ele lanou ao pai podia furar uma parede.
   - Flavia era muito emotiva tambm. Por favor, perdoe um velho homem e sua lngua afiada.
   - Velho no - ela murmurou contra o peito de Marcello. - Mas com a lngua definitivamente afiada.
   Ela pensou que tivesse falado baixinho, mas o som da risada do rei os acompanhou pela escada. Pelo menos no se ofendeu.
   
   Ela acordou na manh seguinte com uma gentil cotovelada de Marcello.
   - Espero que, se tomar seu ch com torradas assim que acordar, no fique enjoada.
   - Vale a pena tentar. - E, surpreendentemente, deu certo. Ela conseguiu agentar o desconforto das nuseas, e quando acabou de comer a torrada, elas haviam passado 
totalmente.
   Estava se sentindo muito bem quando acompanhou Marcello pela escada de mrmore e pelos corredores largos que faziam com que se sentisse como Alice no Pas das 
Maravilhas.
   - E realmente um palcio, no?
   - Claro. Onde mais moraria uma famlia real?
   - Mas vocs so todos to normais...
   - Em alguns aspectos, claro, somos como as outras pessoas. Mas existe uma responsabilidade quando nascemos que nos transforma, bem como a forma como levamos 
nossas vidas.
   Estaria tentando explicar a histria do segredo novamente? No precisava, estava finalmente pronta a admitir. Afinal, a princpio no havia se importado. S 
que seu amor cresceu e sua capacidade de manter-se escondida diminuiu. E a necessidade de fazer isso comeou a doer.
   Bem, certo, e a dana com as louras estava proibida. Para sempre.
   S que, cercada pela realeza da vida de Marcello, ela imaginou que talvez comeasse a compreender um pouco melhor o que o motivava - tanto em relao ao relacionamento 
deles quanto ao beb.
   Eles encontraram o rei em um grande salo que era imponente no apenas pelo tamanho, mas pela opulncia da decorao.
   - Parece que estamos no Vaticano - ela comentou com Marcello. - Tenho medo de me sentar e parecer desrespeitosa.
   Ela ouviu uma profunda risada de que ele lembrava da noite anterior.
   - Maggie falou o mesmo para Tomasso - ele disse.
   - O senhor me ouviu? - Oh, timo. Como se no tivesse falado o bastante na noite anterior.
   O rei Vicente estava sentado no trono. Um verdadeiro trono real. Era enorme, como tronos deviam ser, ela supunha.
   Seus olhos eram to azuis quanto os de Marcello e, embora houvesse alguns cabelos grisalhos em sua cabea, ele era lindo. Como o filho.
   Ele sorriu, mostrando dentes completamente brancos.
   - A acstica deste salo foi criada para que, quando meus ancestrais se divertissem, pudessem ouvir conversas vindas de todas as direes.
   - Este  o salo de recepo formal - acrescentou Marcello.
   - Mas h um trono... Pensei que fosse o salo do trono.
   - No. - Marcello a levou para se sentar em uma cadeira no estilho ao lado do trono do pai.
   - A sala do trono oficial apresenta bem mais ostentao, a fim de impressionar visitantes dignitrios.
   - Mais ostentao? - Ela no sabia se estava pronta para conhecer o outro salo.
   Aquele ali j era muito impressionante... e um pouco intimidador tambm. Ela estava realmente feliz por Marcello ser o terceiro filho, e no o primeiro.
   O rei Vicente riu e Marcello assentiu.
   - Sim, muito mais. A tradio manda meu pai se encontrar com pessoas comuns toda sexta-feira neste salo.
   - Toda sexta-feira? Isso o torna um rei muito acessvel, no? - perguntou Danette.
   - Essa era a inteno de meus ancestrais. Eles no queriam a agitao usual das cidades-Estado que compreendiam a Itlia na poca.
   - Isso foi inteligente.
   - Sim, mas sem dvida meus ancestrais eram homens brilhantes.
   Ela riu alto e virou para olhar para Marcello, que havia sentado ao lado dela, depois de cumprimentar seu pai com o costumeiro beijo na face.
   - Certamente isso vem dos dois lados da famlia.
   - O qu? - perguntou o rei Vicente.
   O sorriso de Marcello era caloroso e provocava um certo bem-estar em Danette.
   - Danette me considera arrogante.
   - E voc acha que ele herdou essa caracterstica de mim e da me dele?
   - Tenho certeza.
   - Acha Flavia arrogante?
   - Se ela fosse uma mulher tmida e recolhida, tenho certeza de que no chamaria sua ateno - respondeu Danette, tentando chegar a um meio-termo. Ela no sabia 
se ele consideraria a avaliao que fez da ex-mulher dele lisonjeira.
   Algo dizia a ela que ele no era tolerante a crticas direcionadas  sua famlia, e isso inclua a mulher que cometeu a ousadia de se divorciar dele.
   - Isso  verdade - ele brincou, sem que sua expresso demonstrasse o que ele pensava do comentrio. - E foi a sua arrogncia que chamou a ateno do meu filho?
   Ela olhou para ele, sem saber o que dizer. Nunca se considerou arrogante, mas no seria um pouco de prepotncia, especialmente depois de ter brincado com os dois 
sobre isso? Ela no queria ofender, mas tambm achava que nenhum dos dois podia negar aquela assertiva.
   - Ela no  arrogante, papai. Teimosa, sim. Orgulhosa tambm, mas sente muita compaixo pelos outros para ser arrogante.
   - Diz que ela tem compaixo? - perguntou o rei Vicente com uma inesperada e debochada incredulidade que fez Danette recuar.
   O que teria feito para que a julgasse to mal?
   - Sim, voc .
   - E voc - ele perguntou, encarando Danette. - Acha que tem compaixo?
   - Eu no...
   - Papai, no vamos falar disso agora - falou Marcello com uma voz que poderia ter congelado lava vulcnica.
   Mas o rei Vicente o ignorou, com sua ateno totalmente voltada para Danette, seus olhos a percorrendo com desaprovao.
   - Est querendo trazer ao mundo um filho da famlia Scorsolini sem o benefcio do matrimnio. Os jornais esto arrasando Marcello, falando que ele  um idiota 
e coisa pior.
   Marcello se levantou, gritando para que o pai se calasse, mas o rei Vicente continuou, sem remorsos.
   - Voc permite essa difamao do meu filho pela imprensa e sabe que no ser bom para o seu filho, mas, ainda assim, continua a negar a Marcello o direito de 
lhe dar o nome dele. Como pode dizer que tem compaixo? - ele perguntou, deixando-a plida com sua ironia.
   - Eu a trouxe para c para que fosse protegida, e no atacada - gritou Marcello entre os dentes, quando agarrou o brao dela e a levantou. - Voc no vai falar 
com a minha mulher dessa forma. Vamos, Danette, vamos embora.
   - Ela  sua? - perguntou o rei Vicente em tom irnico, e ela sentiu Marcello encolher-se.
   - Parece que cheguei em boa hora.
   Outra voz surgiu no ar, a de Flavia Scorsolini, e o efeito sobre o rei foi eletrizante.
   
   
   CAPTULO DOZE
   
   Aquela arrogncia exaltada se foi, junto com a cor do seu rosto. Ele virou a cabea para o lado.
   - Flavia?
   - Como voc v. - Ela avanou e abraou os dois, Marcelo, com seu jeito rgido e furioso, e Danette.
   Ela deu um tapinha na bochecha de Marcello.
   - Relaxe, meu filho. No fique to chateado com seu pai. Ele s quer proteg-lo, assim como voc deseja proteger Danette.
   - Eu no sou nenhuma criana para ser protegido!
   - Voc sempre ser nosso menino. Aceite isso. - Ela sorriu para Danette com os olhos cheios de ternura e compreenso.
   - Voc quer ir, querida?
   - No - o rei havia feito um comentrio que ela queria que fosse explicado, e no iria a lugar algum antes disso.
   - Viu, Marcelo? Ela no est pronta para partir.
   - Eu no permitirei que ela seja magoada.
   - Algumas coisas no podem ser omitidas dela - foi o comentrio enigmtico de sua me. Marcello olhou no muito convencido e Danette pressionou a mo sobre o 
peito dele.
   - Marcello, por favor.
   - No quero que voc fique chateada.
   - Obrigada, mas quero ficar.
   Ele a encarou com os olhos repletos de uma emoo indescritvel. Finalmente, ele balanou a cabea e olhou para Flavia.
   - Mame, no a aguardvamos.
   - Eu soube, ontem  tarde, pelo proprietrio de minha butique preferida, que voc viajaria cedo. Imaginei o seu raciocnio, qual seria a reao de seu pai com 
o ocorrido e mudei meus planos em funo disso.
   - Voc acha que a srta. Michaels precisa da sua concorrncia? - perguntou o rei Vicente em um tom que parecia tenso.
   Danette olhou para ele e engoliu em seco. Ele observava Flavia com uma expresso aparentemente to agonizante que o corao de Danette se solidarizou com ele.
   Flavia parecia distrada.
   - Eu acho que voc vai amedrontar a pobre moa com essa arrogncia que at agora ela achava divertida.
   - Voc nega que a recusa dela em se casar com o nosso filho  prejudicial ao bem-estar de todos os envolvidos?
   - E o seu filho lhe disse que Danette se recusou a se casar com ele?
   A raiva tomou conta da expresso do rei.
   - Eu li os jornais. E em nenhum lugar havia a meno de um futuro casamento. Eu conheo meu filho. Ele nunca permitiria que seu filho viesse ao mundo sem o benefcio 
do seu nome. Se no h inteno de casamento,  porque ela recusou.
   Flavia sacudiu a cabea.
   - No h tolo pior que um velho tolo.
   - Eu no sou um velho- ele disse.
   - Mas  um tolo.
   O rei Vicente olhou para ela pronto para cuspir marimbondos, mas no o fez. Danette achou aquilo atraente.
   - Que jornais? - ela perguntou.
   - Os que meu filho pretendia esconder de voc vindo para c - Flavia retrucou.
   - E essa droga teria dado certo se papai tivesse mantido sua boca grande fechada.
   - Marcello! Eu no o eduquei para voc falar com esse linguajar e to desrespeitosamente com o seu pai.
   O olhar fulminante de Marcello no admitiu, mas Danette no estava interessada na dinmica familiar nesse momento.
   - Eu repito... que jornais? Voc tem outros exemplares?
   - Sim - o rei Vicente respondeu ao mesmo tempo em que Marcello resmungou:
   - No!
   Danette ignorou o homem que amava para encarar seu pai de forma penetrante.
   - Quero saber o que foi dito. Quero ver os jornais agora.
   Marcello virou-a para encar-la com aqueles olhos azuis que demonstravam preocupao.
   - Danette, ver as histrias s servir para preocup-la. No quero que isso acontea.
   - Eu sei, mas no posso me esconder disso. Sua me est certa.
   - No, ela est errada.
   - Eu no sou uma idiota, Marcello. Voc confia em mim para lidar com uma situao difcil ou no?
   - E se eu no confiar?
   - Voc confia - ela afirmou com profunda segurana.
   Ele no queria que ela lesse as histrias, mas no duvidava de que ela seria capaz de lidar com aquilo.
   - Sim, confio.
   Justo naquele momento, um homem jovem de terno apareceu ao lado do rei Vicente.
   - O senhor chamou, sua Alteza?
   - Traga-me os jornais com a foto do meu filho estampada nas primeiras pginas.
   - Isso  uma tolice - Marcello argumentou, sem muita firmeza.
   O rei Vicente olhou com desdm para ele.
   - Ela tem o direito de saber o que est sendo dito, e se ela no for forte o suficiente para lidar com isso, no  forte o suficiente para ser sua princesa.
   - Eu no sou fraca - Danette insistiu, com a mesma irritao demonstrada a Marcello anteriormente.
   Ela passou a infncia sendo forada a se submeter a uma fraqueza corporal. Lutou e venceu a batalha. No se submeteria de bom grado a nenhuma outra fraqueza outra 
vez.
   Flvia sacudiu a cabea e estalou os lbios.
   - Vicente, voc s ficou mais teimoso e dogmtico com a idade.
   - Voc discorda de mim? - ele reclamou, demonstrando que a opinio dela realmente importava.
   - No, mas, se voc tivesse um pingo de sensibilidade, teria abordado isso de forma diferente. Eu tambm no duvido da fora dessa mulher.
   - Ento no sou diplomtico com a minha famlia -o velho homem resmungou. - Um homem deveria ter algumas pessoas nesta vida com quem ele pudesse ser honesto sem 
medo de represlia, mesmo um rei.
   - Sim, mas algumas verdades no devem ser ditas. 
   O ajudante retornou com os jornais e Danette os examinou enquanto Marcello permaneceu ao seu lado. As manchetes eram cruis e a histria em si no era muito melhor.
   Primeira leitura: "A secreta gravidez da amante do prncipe: seria mesmo dele o filho?" Ela recuou quando leu a seguinte: "Prncipe estril finalmente ser pai... 
ser ele o pai?" E depois a outra: "Prncipe Playboy no planeja casar com a amante grvida."
   - Eu no imaginava que eles soubessem do beb.
   - Nosso passeio  livraria no foi muito inteligente - Marcello admitiu.
   Mas no foi apenas essa informao a respeito deles que vazou para a imprensa. Algum na Scorsolini Shipping ouviu falar sobre a sua ida ao banheiro durante 
a apresentao e sobre os funcionrios contratados para transportar seus pertences para o suntuoso apartamento dele.
   Algum juntou as informaes e passou para a imprensa. Ela foi tomada por uma sensao de traio. Era duro acreditar que um colega de trabalho pudesse ter trado 
os dois daquela maneira.
   Ela folheou os artigos e sentiu a garganta apertar. A especulao girava em torno do fato de o beb ser de outro homem, por ela ter se recusado a se casar com 
ele, j que Marcello havia sado com outra mulher antes de Danette descobrir que estava grvida. A foto dele danando com uma loura aparecia de forma destacada. 
Assim como fotos antigas dele com Bianca e algumas recentes de Danette e Marcello saindo da livraria.
   Comparaes desagradveis eram feitas entre as duas mulheres e a inadequao de Danette ser a me de um filho do prncipe foi citada por mais de um reprter. 
A me de Danette teria vrias razes para ter um ataque quando lesse o artigo... se ela lesse. Danette realmente esperava que sua me no o lesse.
   Mas o pior eram as insinuaes de que ela teria engravidado de outro homem e estava tentando enganar Marcello para se casar ou extorquir dinheiro dele.
   Ela dobrou o jornal e disse:
   - Acho que vou desmaiar.
   Marcello correu para segur-la, mas Flavia foi mais rpida e acomodou Danette em um pequeno sof branco que estava prximo s poltronas no hall.
   - Recoste-se. Isso, desse jeito. Agora, respire fundo e concentre-se em outra coisa.
   Danette respirou fundo, mas no conseguia pensar em outra coisa a no ser nas horrveis declaraes que as reportagens traziam. Ela se virou e olhou diretamente 
para Marcello.
   - Sinto muito. Eu no pretendia...
   - Nada disso foi sua culpa - ele disse com firmeza, e ajoelhou-se ao lado dela.
   Mas fora. Ela se preocupara com o que aconteceria quando a imprensa soubesse do beb, agora sabia. Era horrvel.
   - Voc odeia tudo isso... era o que voc mais queria evitar. Sinto muito - ela repetiu, sabendo que as palavras eram inadequadas para a forma como a vaidade dele 
fora abalada com aquelas histrias. - Voc no duvida que o filho seja seu, no ?
   - Como pode me perguntar isso? Eu j disse que no tenho dvidas.
   - Mas agora que tudo isso veio  tona...
   - No se preocupe, odeio essas histrias e a ateno dispensada a elas. Mas minha primeira preocupao ao l-las ontem pela manh foi proteg-la. No ligo para 
o que eles dizem a meu respeito. Eu sei que o beb que est dentro de voc  meu.
   - E  mesmo, Marcello.
   - Claro que ele sabe que  dele - Flavia sacudiu a cabea e fez um carinho na mo de Danette. - Me filho no  bobo...
   - E o que isso significa? - rei Vicente perguntou, ressentido.
   Flavia virou-se para encar-lo.
   - Voc tambm pode assumir bastante crdito pela tolice dele. Ele j foi casado antes e tambm amou. Ele j demonstrou para Danette que no  to mais capaz de 
ser fiel do que voc.
   Antes, o rei estava plido, mas agora estava definitivamente cinza.
   - Eu...
   - Voc tem que parar de se castigar, entende?
   - Sua Alteza, as pessoas esto aguardando a entrada do lado de fora das portas. - O ajudante retornou.
   - Devo cumprir minhas obrigaes - disse o rei Vicente com uma expresso de quem estava indo para o inferno e no havia como escapar.
   Flavia balanou a cabea com uma emoo indecifrvel.
   - Claro. Marcello, traga Danette. Vamos nos retirar para os aposentos particulares. - Ela bocejou delicadamente. - Eu deveria tirar um cochilo. Viajei a noite 
toda e dormi muito pouco.
   - Voc deveria ter viajado conosco - Marcello disse, enquanto ajudava Danette a se levantar e conduziu as duas mulheres por uma porta atrs deles.
   - No havia tomado conhecimento de sua partida at momentos antes do ocorrido.
   Marcello passou o brao pela cintura de Danette. Danette parou  porta e virou-se para olhar para o rei.
   - Eu no havia tomado conhecimento dos artigos. Ele esboou uma feio de desagrado.
   - Eu percebi. Desculpe por minhas acusaes prematuras.
   - No quero magoar Marcello.
   - E ele no deseja mago-la, mas, como Flavia e eu aprendemos, boas intenes nem sempre so suficientes.
   Danette instintivamente voltou para a sala e segurou o brao do rei. Ela queria abra-lo, mas no teve coragem.
   - Vai dar tudo certo.
   Os belos olhos azuis do rei estavam cheios de uma antiga tristeza.
   - Espero que esteja certa.
   - Confie em mim e no seu filho. Ele  um bom homem.
   - Sim, ele . Um homem melhor que seu pai.
   - No concordo. Acho que deve ser muito especial para ter educado Marcello como ele .
   - O mrito  mais da Flavia do que meu.
   Danette sorriu e criou coragem para abraar o velho homem intimidado. Rei ou no, ele estava magoado. Ela falou em seu ouvido:
   - Foi um esforo conjunto e voc deveria aceit-lo. Abandone um pouco a humildade, ela no lhe cai bem.
   Ele sorriu e ela se retirou.
   - Acho que voc dar uma excelente princesa, Danette Michaels.
   Danette sorriu, comovida com o voto de confiana.
   - Obrigada.
   Ele a puxou para um abrao e beijou sua face. Lgrimas caram dos olhos dela sem razo aparente. Ela recuou e virou-se para sair, mas parou e inclinou-se na 
direo dele para sussurrar.
   - Quer um pequeno conselho? Quando uma mulher toma o seu partido como Flavia acabou de fazer ela no odeia o seu atrevimento.
   O rei Vicente ficou boquiaberto e Danette apressou-se para alcanar Marcello.
   - Venha - Flavia chamou, e Marcello puxou Danette pela porta, para, em seguida, fech-la com firmeza.
   - Venha caminhar comigo nos jardins - Marcelo convidou, depois de terem deixado Flavia em seus aposentos.
   - Eu adoraria. Ele a levou para um jardim externo que parecia sado de uma pintura renascentista.
   -  maravilhoso, no ? Eu sempre o apreciei.
   - Mas voc escolheu viver na Siclia.
   - Sim.
   - Por qu?
   - Eu queria estar perto da mame e marcar meus prprios passos no mundo. Alm disso, papai me queria na Siclia cuidando da mame.
   Danette balanou a cabea. Ela no hesitava em acreditar naquilo.
   - Por que voc queria esconder as histrias de mim? - ela perguntou, indo direto ao assunto que precisavam tratar.
   - Eu sabia que isso a aborreceria e estava certo.
   - Mas o assunto tambm o aborreceu.
   - Voc  minha mulher,  meu dever proteg-la.
   - ? - Ela sorriu encantada. - H outras coisas com as quais eu preferiria que voc gastasse seu tempo.
   Lembrando de um conjunto inteiro de bagagens s dela que fora embarcado em um avio, ela disse:
   - Voc no pensa em voltar para a Siclia agora, pensa?
   - No. Achei que, com uma visita mais prolongada por aqui, eu poderia proteg-la do frenesi da mdia, mas meus pais pensam de outro modo.
   - Por favor, no fique chateado com eles. S esto fazendo o que acham certo.
   - E o que voc acha que  certo?
   - Saber de tudo, no importa o quanto isso machuque.  melhor do que ficar alienada. - Ela mordeu o lbio e ento perguntou: - Isso teria repercutido tanto se 
ns estivssemos nos casando?
   Ele encolheu os ombros.
   - A falta de casamento alimenta a fofoca, tenha certeza. Mas isso no garante que no haveria outras histrias. Aprendi isso com Bianca.
   - Apesar de tudo, estou surpresa com voc por no ter usado as histrias como vantagem para me pressionar a casar. Voc sabia que eu me sentiria mal com isso. 
Pelo contrrio, tentou escond-las de mim.
   - Eu no queria v-la magoada. Provavelmente, uma parte dele no queria que ela visse as crueldades a respeito dele que tambm foram escritas. Ela certamente 
odiaria saber que ele havia lido toda aquela especulao sobre a paternidade do beb. - Usar os artigos para persuadi-la seria o mesmo que fazer chantagem emocional, 
e eu me recuso a fazer isso. Nunca.  uma promessa que eu lhe fiz.
   - Eu no me recordo dessa promessa - ela disse.
   - Porque no a verbalizei.
   Oh, cus... ela estava prestes a chorar e isso no deveria acontecer.
   - Isso  to carinhoso - ela acrescentou.
   - Psssiu... tesoro. Tudo bem que eu seja um homem honrado, mas isso  bom, no ?
   - Sim - ela disse, com a voz vacilante.
   - E voc  uma mulher respeitvel.
   - S... sim... acho que sim.
   - Eu sei que sim.
   - Mas talvez seu pai esteja certo. Minha recusa em me casar com voc  egosta, quando penso no que nosso filho poderia enfrentar com a imprensa.
   - Voc no  to egosta assim. Simplesmente est assustada e confusa diante de tantas mudanas ao mesmo tempo.
   - Eu no sou tola.
   - Eu nunca disse que voc era. Foi esperta o suficiente para namorar comigo, isso demonstra um QI acima da mdia, no ?
   Ela riu, mas sua cabea rodava ao saber que tinha de se casar com ele. Era a coisa certa a ser feita, e no era apenas na realeza que as pessoas sabiam alguma 
coisa sobre responsabilidade. Por outro lado, casar-se com o homem que ela amava no era nenhum infortnio.
   Ela acabara de dizer-lhe que no era tola, mas esperar uma proposta romntica do homem para quem a nica razo para casar-se com ela eram a segurana e o futuro 
do filho dele, alm de querer desempenhar o papel integral de pai, isso sim seria uma idiotice.
   Ele no havia descoberto que a amava de repente. Danette finalmente admitiu que era o que ela esperava. No apenas que ele aceitasse o seu amor, mas que retribusse, 
e isso no era justo. Ele j havia lhe dado tudo o que podia. Exigir mais no tornaria suas vidas e a do beb melhor.
   Ela segurou-o pelo brao e sua boca ressecou-se quando ia dizer o que precisava ser dito.
   - Eu sou esperta o suficiente para perceber que nosso casamento faz todo sentido e que, quanto antes comearmos a fazer planos para isso, melhor ser para todos 
ns. Creio que uma cerimnia simples, como a de Tomasso e Maggie, faz mais sentido.
   Marcello ficou imvel.
   - Voc est concordando em se casar comigo?
   - Sim.
   Ele beijou-a, sua boca devorava a de Danette com uma paixo to desesperada que ele percebeu a reao no prprio corao dela.
   Quando ela estava trmula e agarrada a ele, Marcello levantou a cabea de Danette.
   - No haver um casamento discreto. Voc e minha me me convenceram de que deveria ser uma cerimnia siciliana tradicional.
   - Mas o quanto antes nos casarmos, melhor.
   - Adiar um ms ou dois no prejudicar nada.
   A me de Danette ficaria muito feliz ao saber disso, e ela achava que Flavia tambm. Talvez o anncio de um casamento prximo fosse suficiente para afastar 
alguns dos paparazzi asquerosos.
   - Se voc tem certeza...
   Ele franziu as sobrancelhas e continuou abraado a ela.
   - Voc est to diferente... no reconheo esse seu outro lado.
   - Essas histrias nos jornais foram to horrveis, Marcello.
   - Mas elas no significam nada para ns, porque sabemos a verdade. Eu no me importo com o que eles dizem, se voc concordar em ser minha.
   Ela sentiu a emoo aflorando e enfiou o rosto no peito dele para que ele no percebesse.
   - Seu pai est certo, sabia?
   - Meu pai  um sortudo. Eu deveria ficar com raiva dele um ano ou mais por conta do ocorrido esta manh, mas estou to feliz por voc ter concordado em ser minha 
mulher que no consigo mais sentir raiva. Ele deveria agradecer s estrelas e  nova nora.
   - Ele estava certo. Eu sou arrogante - ela consentiu, e passou o nariz no peito quente e musculoso de Marcello. - Eu estava convencida de que no havia necessidade 
de manter nosso relacionamento em segredo, mas agora percebi que teria sido terrvel se a imprensa tivesse suspeitado antes.
   - No seria pior do que agora.
   - Nada poderia ser pior do que o que esto falando agora, mas antes voc no sabia se queria se casar comigo. E eu acho que voc teria se sentido obrigado, quando 
as terrveis histrias comeassem a circular.
   -  verdade. Eu teria tentado proteg-la, como agora.
   - Eu realmente admiro isso, Marcello.
   - E eu admiro a sua fora, tanto em me recusar at estar certa quanto em me aceitar por amor ao futuro do nosso filho. - Ele beijou a testa dela, as mos quentes 
acariciavam suas costas. - Voc  uma mulher muito especial, Danette.
   - Obrigada.
   - Sinto um profundo desejo em fazer amor com a minha noiva, isso  possvel?
   - Mais do que possvel,  desejado.
   Eles no encontraram ningum no caminho para o apartamento real e Marcello trancou a porta com firmeza, quando chegaram ao quarto.
   - Sem interrupes.
   Ela sorriu, sentindo o desejo pressionar-lhe o ventre. Fazia tanto tempo...
   - Exatamente o que eu tinha em mente.
   - Eu deveria lhe contar uma coisa.
   - O qu?
   - Ns somos um par perfeito.
   - Porque ambos queremos privacidade para fazer amor? Eu preciso lhe contar, mas muitos casais tm a mesma necessidade.
   Ele sorriu e disse:
   - Voc consegue ser mordaz, sabia disso? Ela sorriu.
   - Faz parte do meu charme.
   - Sim, eu sei. Digo isso porque freqentemente pensamos nas mesmas coisas. Ns nos pertencemos, querida. Voc duvida?
   - Se eu duvidasse, voc acha que teria concordado em me casar com voc?
   - Sim - ele ficou pensativo. - Em considerao ao nosso filho, voc aceitaria, mas no tem o que temer em aceitar o meu pedido. Teremos um bom casamento. Eu 
prometo.
   O fato de ela estar se casando com ele por amor ao beb no o aborrecia. Ele no deixava transparecer nenhum dos sentimentos confusos vivenciados por ela. Estava 
profundamente feliz com o consentimento dela. Danette gostaria de ser mais confiante e faria o possvel para s-lo.
   Ele tambm poderia estar se casando com ela por considerao ao beb, mas isso no significava que seria um bom marido.
   - Sem bailes com louras deslumbrantes? - ela perguntou, s para garantir.
   - Eu j havia prometido isso, mas no se preocupe. Nenhuma mulher  to bonita para mim quanto voc.
   - Nem Bianca? - ela desejou arrancar a prpria lngua, assim que as palavras saram de sua boca.
   Depois que o humor mordaz se foi, aquilo tinha de ser um clssico. Pior, isso fazia com que ela parecesse uma criatura fraca e insegura, o que no era verdade. 
Ela no precisava ser a primeira e a melhor amante dele para terem um bom relacionamento. Desde que ele ficasse longe das mulheres fogosas, ela deixaria a falecida 
em paz.
   - Nem ela? - insistiu. Surpreendentemente, Marcello no demonstrou nenhuma irritao.
   Seu rosto demonstrava uma emoo que ela no identificou quando ele segurou-a com aquela mo grande e masculina.
   - Bianca j se foi h quatro anos. Voc est bem viva. Para mim, sua beleza  incomparvel em todas as formas.
   - Isso  muito reconfortante - ela disse, enquanto aqueles estpidos hormnios da gravidez enchiam seus olhos de gua outra vez.
   Ele balanou a cabea e, em seguida, curvou-se at as suas bocas quase se tocarem.
   - No  reconfortante,  a verdade. Acredite que eu jamais vou mentir para voc ou exagerar algo por uma boa causa. Voc pode confiar em mim sempre.
   -  o que eu quero. Estou me casando com voc - ela lembrou o fato a ambos.
   - E nunca se arrepender dessa escolha. Eu garanto. - Ele interrompeu as palavras colando seus lbios nos dela em um beijo ardente jamais experimentado por 
ambos.
   Ela podia sentir o desejo dele, mas havia algo mais. Uma ternura que ela pensou ser motivada pelo filho que ela carregava. Ela no era mais a sua amante proibida 
em um caso passional, mas a me de seu filho, que acabara de aceitar o pedido de casamento dele.
   Isso a tornava especial.
   Ela reagiu com todo o amor reprimido em sua alma, retribuindo ternura com ternura e paixo com paixo. Todo o resto se apagou  sua volta, exceto a sensao dos 
lbios dele nos dela e de suas mos fortes segurando seu rosto com uma firmeza penetrante.
   Ele lambeu seus lbios e ela prontamente abriu a boca esperando que ele entrasse.
   Suas lnguas se entrelaaram e algo que estava comprimindo o seu peito desde o rompimento comeou a aliviar. Este homem pertencia a ela em um nvel to fundamental 
que dispensava declaraes de amor e emoes que no podiam ser mensuradas.
   Ele pertencia a ela.
   E ela a ele.
   Eles pertenciam um ao outro de forma to ntima que ningum mais poderia separ-los. No fundo, ela sabia disso desde o incio. Por isso ela no o dispensara 
no dia em que viu a foto dele com a loura. A foto mostrava uma mulher se divertindo e um homem sorrindo, mas aquele homem se mantinha afastado da outra mulher. 
No incio, Danette no percebeu isso, no conscientemente. Mas agora ela podia ver, nesse momento de extrema clareza.
   Ele a rejeitara no restaurante, mas no conseguiu rejeit-la de forma natural. Ramon percebeu o comportamento de Marcello e Flavia tambm. Danette estava muito 
ofendida para reconhecer isso, mas ela sabia que existia. Assim como a dor de v-la com outro homem tambm estava presente nele.
   - Eu no sa com Ramon para provar nada - ela declarou, com os lbios encostados nos dele.
   Marcello recuou como se ela o tivesse golpeado, suas mos soltaram o rosto de Danette. Os olhos de Marcello que, de incio, demonstravam um turbilho de emoes 
se desvaneceram.
   - O qu?
   - Eu no estava tentando lhe dar uma lio. Como poderia? Eu nem sabia que voc iria ao restaurante naquela noite.
   - Voc desejava sair com ele? - Marcello perguntou, com uma voz to rouca que a magoou.
   - No.
   - O que est tentando dizer ento?
   - Lizzy me enganou com aquele encontro. Eu pensei que fssemos s ela e eu, mas ela convidou o namorado dela e o Ramon tambm. Ela achou que eu precisava sair 
mais. Lizzy no sabia sobre voc. Eu estava sozinha e ela se preocupou em me tirar daquela situao, mas sabia que eu teria dito no se tivesse perguntado.
   - Ela sabia porque voc disse no antes - ele sups.
   - Sim.
   - Nossa discrio a magoou mais do que eu supunha.
   - Sim. - Ela no poderia negar.
   - Eu no tinha idia de que isso a tinha magoado tanto. Por favor, acredite.
   - Eu acredito. Voc no  sdico.
   -  mais profundo do que isso, se voc pudesse entender. Eu nunca quis que voc se magoasse por causa da nossa ligao, mas no conseguia ficar longe de voc. 
Eu tentei, mas no deu certo.
   - Luxria desenfreada leva  loucura.
   -  mais do que cobia.
   Ela sorriu, concordando. Muito mais do que cobia agora.
   - Sim, estou grvida de um filho seu.
   - J era mais do que luxria antes de voc me dizer que estava grvida.
   Ela virou-se, sofrendo de uma forma que no gostaria que ele presenciasse. Ela o amava. Sempre o amaria, independentemente do que ele sentisse por ela. No importava 
se fosse apenas atrao fsica, no era amor. No poderia ser. Ela no era Bianca.
   Ele passou as mos pela cintura dela e passou os lbios pela pele sensvel da nuca de Danette.
   - Eu amo voc, Danette.
   Ela se desvencilhou dos braos dele, recuou e virou-se para olh-lo. Era possvel ver o corao de Danette pulsando no peito.
   - No diga isso. No  o que quer dizer. Ele estava com uma expresso intrigada.
   -  isso mesmo que quero dizer.
   - No pode. Voc pensa que tem que amar a me do seu filho.  s isso. Est colocando lealdade no lugar de amor, mas eu no quero isso. Eu posso lidar com a 
sinceridade entre ns. Eu suporto.
   Ele olhou furiosamente e atravessou o quarto com a velocidade de um predador. Segurou-a pelo pulso e puxou-a para junto de si.
   - Voc disse que sabe lidar com a sinceridade, ento vamos ser sinceros. Nenhuma mulher usufruiu da minha cama por mais de duas noites desde a morte de Bianca 
e foram muito poucas que conseguiram isso. Mas voc teve meu corao e meu corpo aos seus ps por seis meses, sua falta de crena  teimosa.
   - Eu no sou...
   - Sim, voc . Voc pega tudo o que eu digo e d a pior interpretao possvel. Voc no confia em mim. No confia em mim de modo algum.
   - Eu... - ela no conseguia dizer nada em defesa prpria. A no ser que no tinha nenhum argumento.
   Ele olhou-a de cima a baixo.
   - Pensei que no pudesse engravidar uma mulher. Voc no sabe o que isso significa para mim. Eu pensava que no tinha nada a oferecer em um relacionamento prolongado.
   - Filhos no so a nica coisa importante em um casamento.
   -  fcil para voc dizer isso. Voc no conhece a dor de querer e nunca ter. Bianca sabia e isso a partia ao meio. - Ele parou de falar e engoliu em seco, como 
se a dor fosse muito grande para tolerar. - Ela se matou para no enfrentar um futuro sem filhos. Eu no era suficiente para ela. Eu no poderia dar-lhe o que ela 
mais queria.
   - No... se ela tivesse se suicidado... 
   - Isso teria sido publicado na imprensa. 
   - Voc est errado. Voc se culpa, mas...
   - Ela fez um teste de gravidez naquela manh. O resultado foi negativo... sempre dava negativo. - Ele respirou fundo, todo o seu corpo estava tenso de dor. - 
Ela saiu caminhando pelo penhasco.
   - E o solo desabou sob seus ps. Isso no  suicdio, Marcello.
   - Ela poderia ter se jogado para se salvar... se ela assim desejasse.
   Danette estava chocada.
   - Voc no acredita realmente nisso. Isso no  verdade.
   - Voc no estava l.
   - Nem voc. Ela caiu, Marcello. Ela no saltou. Ela no saltaria, tinha muitos motivos para viver.
   - Viver para qu? Seus sonhos estavam no lixo da nossa sute. Mais um teste de gravidez. Mais um desapontamento.
   - Se ela desejava tanto assim ser me, ela poderia ter tentado inseminao artificial ou uma adoo.
   - Ela dizia que ramos jovens, que tnhamos tempo.
   - E realmente pensava assim.
   - Voc no a ouviu chorando  noite, quando achava que eu estava dormindo.
   - Sinto muito se isso o machuca, mas aquelas lgrimas eram para voc. Ela sabia o quanto voc  orgulhoso, o quanto era penoso para voc no ser capaz de engravid-la. 
Ela o amava, por isso chorava. Ela derramava as lgrimas que voc mesmo no conseguia. - Danette buscou corroborao. - Se ela estivesse to infeliz quanto voc 
pensa, no acha que a imprensa j teria percebido? Eles teriam feito uma festa com aquele tipo de tristeza.
   - Eles publicaram vrias fotos dela aparentando infelicidade.
   - E voc acreditou nas fotos?
   - Elas no mentem.
   - A cmera mente o tempo todo. Se voc pegar uma foto minha ao acordar pela manh, pareo infeliz. Eu preciso de uma hora e dois copos de caf para despertar 
depois que me levanto. Voc fica com uma expresso triste quando l os relatrios de finanas, mas isso no quer dizer que voc seja infeliz.
   - Voc no sabe como era.
   - No, mas posso imaginar. Bianca o amava, assim como eu o amo. V-lo sofrer a fazia sofrer tambm.
   Ele soltou um suspiro.
   - Voc no pode dizer que compartilha dessa aflio.
   - Ah, sim, posso. Eu deveria ter me afastado de voc, ao invs de prend-lo em um relacionamento que voc no desejava. Eu finalmente concordei em me casar com 
voc quando percebi que dizer no o magoaria mais do que viver um casamento com voc empurrado pela minha gravidez.
   - Mas voc disse...
   - Algumas besteiras para salvar as aparncias, outras retratavam a verdade, mas no era o quadro geral. Marcello, voc no  responsvel pela morte de Bianca.
   A tenso no rosto dele aumentou, ao invs de diminuir.
   -Talvez voc esteja certa.
   Ela entendeu o aumento da tenso. Marcello precisava de uma catarse para a sua dor, mas ele no se permitia chorar. Era muito macho para aquele desabafo.
   Ela trouxe o rosto dele at o seu e encostou sua boca aberta na dele. O beijo chegou a um nvel de desejo to voraz que s poderia ser saciado por dois corpos 
nus entrelaados na cama. Eles fizeram amor numa tempestade de desejos, ela gritava o seu amor por ele na hora do orgasmo s para ouvir de volta as palavras repetidas 
intensamente na hora em que ele explodisse.
   Ele desmoronou sobre ela.
   - Isso foi maravilhoso.
   - Sim, foi.
   - Voc acha que podemos ter machucado o beb?
   - No, mas provavelmente ele nascer com uma paixo por tempestades depois disso.
   Marcello sorriu suavemente e olhou para ela. Ele estava to tenso que ela se condoeu por ele.
   - Carreguei essa carga de culpa por quatro anos.
   - Mas era uma carga falsa.
   - Ela era to nova para morrer que eu precisei achar que algum era culpado.
   - E voc j estava ocupado demais achando que ela no era feliz no casamento. Por isso, foi fcil assumir a culpa.
   - Sim.
   - Mas a culpa no foi sua e voc no a desapontou. Marcello, ela ainda era jovem. Provavelmente, era feliz e ainda no havia percebido isso.
   Ele se separou dela cuidadosamente, rolou para o lado e apoiou-se no cotovelo e, com a outra mo, acariciou seu ventre de forma possessiva.
   - Ela se recusou a fazer inseminao artificial.
   - Talvez ela tambm se sentisse culpada por isso.
   - Talvez.
   - Voc se sente melhor?
   - Quando estou com voc, sempre me sinto melhor.
   - Fico feliz em saber.
   - Havia muito rudo na nossa comunicao durante o casamento, ou talvez falta de comunicao fosse o termo certo. Isso magoava os dois. No quero que isso acontea 
com voc.
   - Nem eu.
   - Eu me recusei a acreditar que voc me amava, quando se declarou nas primeiras vezes.
   - Eu lembro. Voc est querendo dizer que agora acredita?
   - Sim, tenho que acreditar. Voc desejava se casar comigo mesmo acreditando que eu ainda amava uma mulher que j havia morrido.
   - No h problemas em voc ainda am-la.
   - Mas aquele amor est no meu passado. Voc se recusa a acreditar no meu voto de amor hoje.
   - Eu...
   - Eu realmente a amo. Mais do que a prpria vida. Sinto muito, eu estava to confuso com relao a casamentos, mas quero que o nosso se baseie na honestidade 
e na verdadeira compreenso.
   - Sim...
   Ele assentiu, respirou fundo e ento disse:
   - Quero esperar para me casar com voc at que tenha conseguido convenc-la da veracidade dos meus sentimentos.
   - O qu? - ela no podia acreditar no que estava ouvindo. - E se demorar muito? E se eu no acreditar at o beb nascer? Isso  loucura.
   - Ento que seja. Eu me casarei com voc, Danette, sem dvida, mas no construirei a estrutura do resto de nossas vidas sobre a desconfiana.
   As palavras dele penetraram o corao dela como uma espada em chamas. Ele tinha de am-la para estar querendo arriscar a ilegitimidade de seu filho. Ele estava 
afirmando para ela, de modo indubitvel, que no havia nada mais importante para ele na vida do que ela.
   Os olhos dela marejaram, enquanto um sorriso glorioso brotava em seu rosto.
   - Eu realmente acredito em voc, acredito. Ele a olhou de lado.
   - Tem certeza?
   - Nunca estive to certa de algo.
   Ele suspirou aliviado, como se o peso do mundo tivesse finalmente sido retirado de seus ombros.
   - Amo voc, querida. Amo voc de todo corao.
   - Eu tambm amo voc.
   Eles fizeram amor outra vez. Dessa vez, concluram as carcias que haviam comeado quando entraram no quarto pela primeira vez. Ele a estimulou sem pressa e se 
deliciou com cada carcia que ela lhe fazia. Quando a penetrou com suavidade, Marcello preferiu um ritmo lento e carinhoso, que os levou ao orgasmo juntos e os 
deixou exaustos.
   
   O casamento de Tomasso e Maggie transcorreu sem transtornos e Danette finalmente conheceu a outra cunhada, Theresa. Ela vinha acompanhando e auxiliando Maggie 
nos preparativos do casamento.
   Danette ficou ao lado de Marcello, enquanto Tomasso e Maggie faziam os votos do casamento sob a tenda montada em sua praia particular. Foi uma bela cerimnia 
e Danette enxugou os olhos vrias vezes, enquanto os noivos faziam os votos matrimoniais com evidente devoo e amor.
   Marcello passou o brao em volta de Danette e cochichou em seu ouvido:
   - Em breve, seremos ns, amante mia.
   Ela aquiesceu, engolindo as lgrimas de emoo. Ele beijou-lhe a na testa.
   - Amo voc.
   Ela virou a cabea e beijou o ombro dele, demonstrando seu amor silenciosamente.
   Depois, a famlia provocou-a dizendo que toda aquela emoo era por causa da gravidez, mas Theresa sorriu e fez um carinho no brao de Danette.
   - Acho tudo isso muito emocionante.
   Ela sorriu para a cunhada que acabara de conhecer e sabia que poderia am-la, apesar de mal conhec-la e saber que tinham procedncias totalmente diferentes. 
Theresa Scorsolini era bastante afvel e amigvel para intimidar Danette.
   -  bonito ver Tomasso e Maggie to felizes juntos.  assim que os casamentos devem ser, sabia?
   Os belos olhos castanhos de Theresa se encheram de tristeza e Danette no entendeu.
   - Sim,  assim que deveriam ser. - No entanto, foi tudo o que ela disse.
   Flavia suspirou e o olhar que lanou para o Rei Vicente era de acusao, sem insinuar o motivo pelo qual o estava responsabilizando.
   - O qu? - ele perguntou confuso, muito mais como um homem do que como um rei.
   Flavia sacudiu a cabea.
   - Eu deveria ter assumido o controle da situao h muitos anos, mas o orgulho  uma barreira difcil de se transpor.
   Depois dessa declarao incompreensvel, ela perguntou aos filhos de Tomasso se eles gostariam de dar uma volta na praia. Ao receber uma resposta afirmativa e 
entusiasmada, todos tiraram os sapatos, deixaram os outros sob a tenda e dirigiram-se para a beira d'gua.
   Quando estava deixando a tenda, ela parou e virou-se para olhar para o Rei Vicente.
   - Voc vem?
   - Estou convidado? - ele perguntou, to surpreso quanto as crianas com o comentrio.
   - Claro que sim. Eu j no disse?
   O rei foi, sua expresso era a de um homem totalmente perplexo com a vida. Danette no pde evitar o riso.
   - Imagino que ela tenha decidido adotar um interesse pessoal por ele para que no se torne um velho solitrio.
   - Voc no pode estar falando srio. Por anos, ela nem permitia que o nome dele fosse pronunciado.
   - Bem, ela agora o est pronunciando, no est? - Danette perguntou e acrescentou: - Ela j o amou uma vez.
   - Ela deixou de am-lo h anos - Cludio, o irmo mais velho de Marcello, declarou.
   - O verdadeiro amor no morre facilmente - Theresa disse.
   Marcello concordou:
   - No, no morre - e olhou na direo de Danette com os olhos transbordando de emoo.
   Danette o encarou, o corao to apertado que ela mal podia respirar.
   - E eu sempre amarei voc.
   Ele a beijou. O som das risadas dos irmos desapareceu, quando o homem que faria parte de sua vida para sempre tambm demonstrou que ela era a mulher da sua 
vida.
   
   FIM
   
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